Ginecologia e Obstetrícia

Uso de implante de Etonogestrel em pacientes com endometriose e adenomiose

Tempo de leitura: 2 min.

A incidência de endometriose e adenomiose tem aumentado nos últimos anos em todo mundo, tornando um problema de saúde pública. Cada vez mais é importante procurarmos abordagens para melhora da qualidade de vida dessas mulheres. Procurar alternativas que o efeito colateral ou o risco para aquela paciente não seja maior que o benefício que a terapêutica traga. Em janeiro de 2021, no Medicine Open Journal, foi publicado um artigo sobre o uso de implante de etonogestrel em pacientes com endometriose e adenomiose.

Leia também: Endometriose pode causar maior risco de eventos perinatais adversos?

Características do estudo

Foram selecionadas 100 mulheres com essas patologias e durante dois anos elas responderam um questionário para avaliar dor pélvica. Também foi avaliado os efeitos colaterais que as pacientes tiveram com essa terapêutica. 

Como esperado, tiveram mulheres que relataram acne, sangramento menstrual irregular e aumento de peso. Porém, existem maneiras de lidar com esses efeitos colaterais, de modo que o benefício de melhora da dor supera isso. A grande maioria das pacientes apresentaram melhora dos sintomas da endometriose e da adenomiose com o uso do implante de etonogestrel. Poucas precisaram usar medicações para alívio da dor, principalmente no início do tratamento. Lembrando que em seis meses a maior parte das mulheres referem diminuir os sangramentos irregulares e controle do peso. Já a acne pode ser cuidada com o auxílio do dermatologista, com cremes ou medicações via oral.

Saiba mais: Dia Internacional da Luta contra a Endometriose

Minha crítica a esse estudo é em relação a adenomiose, acredito que devemos ficar atentos a essas pacientes e a novos estudos sobre o uso de implante em pacientes com adenomiose. Acredito que possa melhorar a dor pélvica, porém segurar o sangramento na paciente com adenomiose por muito tempo com hormônio via oral ou uso de sistema intrauterino com progesterona não é comum na prática. Por isso, acho necessário mais estudos, com um número maior de pacientes com adenomiose para saber se essa terapêutica também será adequada para elas do mesmo modo que para as pacientes que apresentam apenas endometriose.

Mensagem final

O implante de etonorgestrel é uma boa terapêutica para controle da dor pélvica crônica nas mulheres, por não ter passagem hepática, pode ser usado para pacientes que tem contraindicação de usar hormônio via oral. O desfio em nosso país é o valor, a maior parte da população não tem condições de arcar com o custo do implante, mas é viável para uma parcela importante de mulheres, devendo ser uma das alternativas expostas para a paciente com endometriose e adenomiose.

Referências bibliográficas:

  • Niu X, Luo Q, Wang C, Zhu L, Huang L. Effects of Etonogestrel implants on pelvic pain and menstrual flow in women suffering from adenomyosis or endometriosis: Results from a prospective, observational study. Medicine (Baltimore). 2021 Feb 12;100(6):e24597. doi: 10.1097/MD.0000000000024597
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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci

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