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Uso de metanfetamina no Brasil associado ao chemsex

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A Metanfetamina é um problema de saúde pública antigo em países como os EUA. Através da National Survey on Drug Use and Health (NSDUH) de 2015, estima-se que a prevalência do uso de metanfetamina, em pessoas acima de 12 anos, na população americana seja de 5,5%. Nessa população, foi observada tendência de aumento na mortalidade relacionado à overdose no período observado.  A Metanfetamina age promovendo liberação de dopamina, serotonina e noradrenalina nas fendas sinápticas do sistema monoaminérgico, tendo efeito estimulante do sistema nervoso central, além de efeito simpatomimético periférico. A substância é legalizada em alguns países, com indicações específicas. Porém, sua utilização recreativa (ilegal) é usualmente através de inalação da própria substância, de fumaça, ou por via intravenosa.

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Uso de Metanfetamina no Brasil associado ao chemsex

A Metanfetamina no Brasil e o “Chemsex”

No Brasil, o uso da medicação era pouco frequente, segundo um trabalho realizado pela Fiocruz em 2017 (III Levantamento Nacional sobre Uso de Drogas). No estudo, a metanfetamina foi incluída no questionário junto com outros “anfetamínicos”, como metilfenidato e dextroanfetamina. A prevalência de uso dessa classe de medicações foi estimada em 1,4% ao longo da vida, e 0,3% nos últimos 12 meses.

Atualmente, há indícios de uma mudança de cenário, devido ao uso da metanfetamina em um contexto sexual, conhecido como “chemsex”. O termo refere-se ao uso de qualquer substância psicoativa com objetivo de aumento do desempenho e prazer durante o ato sexual. O psiquiatra Bruno Branquinho, em coluna publicada em março de 2022, descreve com preocupação o aumento do uso da substância, incluindo seus potenciais efeitos adversos (vide referências abaixo).

Intoxicação pela Metanfetamina

Sintomas comuns da intoxicação por metanfetamina são: midríase, hipertensão, taquicardia e dispneia. Em casos graves, pode ocorrer: rabdomiolise, lesão renal aguda, além de insuficiência cardíaca e hepática. No que se refere ao estado mental, associa-se com frequência à agitação psicomotora, e estima-se ocorrência de sintomas psicóticos agudos em aproximadamente 10% dos casos, além de ideação suicida com a mesma frequência.

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Seu uso crônico leva a ocorrência de sintomas depressivos e ansiosos, comprometimento cognitivo, além de síndrome delirante alucinatória que pode persistir por meses a anos, mesmo em pacientes sem diagnóstico psiquiátrico prévio. Além disso, destaca-se sua associação com doença coronariana e cerebrovascular a longo prazo. É necessário observar que as evidências científicas que avaliam os danos à saúde, especialmente no uso crônico, são provenientes de estudos observacionais, em sua maioria de pequeno tamanho amostral.

Mensagem prática

  • Há indícios de aumento no uso da metanfetamina no Brasil, especialmente associado ao chemsex na população LGBTQIA+.
  • É necessário melhor compreensão da epidemiologia do uso da metanfetamina no país, para o adequado planejamento de ações em saúde, na tentativa de mitigar seus potenciais efeitos danosos a curto e longo prazo.
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Referências bibliográficas:

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