Ginecologia e Obstetrícia

Uso de pessário associado a progesterona para prevenção de partos prematuros

Tempo de leitura: 2 min.

O parto prematuro refere-se aos casos de nascimentos que ocorrem a partir de 20 semanas até 36 semanas e 6 dias. Apesar de ser relativamente comum, acometendo de 5 a 18% das gestações, 70 a 80% dos casos têm início espontâneo. Os outros 20 a 30% restantes são efetivados por indicações médicas de abreviação do parto.

Leia também: Saúde bucal na gravidez pode prevenir trabalho de parto prematuro?

Existem vários fatores de risco para o parto prematuro:

  1. Fatores Ginecológicos e Obstétricos:
    • antecedentes de partos prematuros;
    • procedimentos no colo uterino (curetagens, dilatações, conizações);
    • anomalias formação uterinas (bicornos, didelfos).
  2. Fatores maternos:
    • extremos de idade;
    • baixo nível socioeconômico;
    • baixo nível educacional;
    • intervalo interpartal curto (menor 18 meses).
  3. Estado Nutricional materno:
    • IMC menor que 18,5 kg/m2 ou peso pré-gestacional menor que 50 kg;
    • desnutrição;
    • altos regimes trabalho (maior que 80 horas/semana);
    • regimes trabalhos forçados (maior que 8 horas sem descanso).
  4. Gestação atual:
    • produto de técnicas reprodução assistida;
    • gestação múltipla;
    • distúrbios líquido amniótico;
    • sangramentos vaginais (1º ou 2º trimestres);
    • comorbidades maternas (hipertensão, diabetes);
    • transtornos psicossomáticos (ansiedade, estresse, depressão);
    • infecções (vaginose, tricomoníase, gonorreia);
    • uso de drogas (lícitas ou ilícitas);
    • encurtamento do colo uterino entre 14 e 28 semanas;
    • fibronectina fetal positiva entre 22 e 34 semanas;
    • presença de contrações uterinas.

Diante desse quadro de tantos fatores potencialmente preveníveis e/ou tratáveis um artigo publicado neste início de dezembro no Obstetrics & Gynecology apresentou a possibilidade da associação entre pessário e o uso de progesterona na prevenção de partos prematuros em mulheres assintomáticas.

Metodologia do estudo sobre uso de pessário

O estudo randomizado aberto foi desenvolvido entre julho de 2015 e março de 2019 unindo 17 centros de atenção perinatal. Um total de 8.168 mulheres com gestações simples ou gemelares assintomáticas tiveram seus colos medidos e incluídas com valores menores que 30 mm entre 18 e 22 semanas 6 dias. A randomização levou aos seguintes grupos e participantes:

  • Pessário exclusivo: 475 mulheres;
  • Progesterona exclusiva: 461 mulheres;
  • Progesterona com pessário: restante das gestantes.

Os tratamentos foram realizados até 36 semanas ou se acontecesse o parto. O desfecho primário foi avaliação de morbidade e mortalidade perinatal. Os desfechos secundários avaliaram partos antes de 37 semanas ou antes de 34 semanas.

Saiba mais: Parto prematuro e risco de hipertensão arterial futura

Após as análises estatísticas, o trabalho demonstrou que a associação de pessários à progesterona isolada não melhorou as taxas de morbimortalidade neonatal em comparação com uso de progesterona isolada.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Pacagnella RC, Silva TV, Cecatti JG, Passini R Jr, Fanton TF, Borovac-Pinheiro A, Pereira CM, Fernandes KG, França MS, Li W, Mol BW; P5 Working Group. Pessary Plus Progesterone to Prevent Preterm Birth in Women With Short Cervixes: A Randomized Controlled Trial. Obstet Gynecol. 2021 Dec 2. doi: 10.1097/AOG.0000000000004634.
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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