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Uso de testosterona em mulheres: o que recomenda a nova diretriz?

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O organismo feminino é capaz de produzir androgênios a partir das glândulas adrenais e ovários. A testosterona, especificamente, é produzida primariamente nos ovários e a partir da conversão periférica de precursores androgênicos. Ela pode agir diretamente nas células ou ser convertida, de forma limitada, em um composto mais potente, a di-hidrotestosterona (DHT) ou ainda em estrogênios, em um processo chamado aromatização.

Algumas das funções atribuídas aos androgênios nas mulheres seria a manutenção da libido, da massa magra e da densidade mineral óssea. Ao longo dos anos reprodutivos, a testosterona vai sofrendo um declínio e, no período após a menopausa, os níveis sofrem uma redução maior, mas é mantida em concentrações relativamente constantes.

Testosterona em mulheres

Uma das queixas mais comuns das mulheres no período do climatério e na pós-menopausa é a redução no desejo sexual. Sendo assim, postulou-se que, além da reposição hormonal com estrogênio com ou sem progesterona, deveria também haver a de testosterona. Porém, ainda há muita incerteza quanto aos riscos e reais benefícios.

Nova diretriz

Recentemente foi publicada uma diretriz global endossada por diversas sociedades internacionais com o objetivo de nortear a conduta clínica sobre o tema. Os principais pontos são:

  1. Dosagem bioquímica

Uma das grandes questões é sobre a dosagem bioquímica da testosterona total e livre na mulher. Os métodos diretos mais comumente utilizados são pouco confiáveis, não havendo uma faixa de referência e tampouco um ponto de corte bem definidos para o diagnóstico de deficiência no gênero feminino.

Os mais confiáveis seriam os métodos de cromatografia líquida ou gasosa ou espectrometria de massa, esses com disponibilidade limitada nos laboratórios. Dosar testosterona pelos métodos diretos só faz sentido quando se pesquisa excesso do hormônio, como observado em algumas doenças, ou para controle da dose se a testosterona for utilizada.

  1. Terminologia

Procura-se padronizar a terminologia correta das alterações sexuais femininas distinguindo-se duas entidades: Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo, situação em que se cogita a reposição com testosterona, e Distúrbio da Excitação Sexual Feminina, que tem etiologia, patogênese e fatores de risco distintos da primeira.

O diagnóstico deve ser feito a partir de ferramentas disponíveis como a da International Society for the Study of Women’s Sexual Health ou da Classificação Internacional de Doenças (CID) 11.

  1. Mulheres pós-menopausa

A única indicação razoável para a prescrição de testosterona em mulheres na pós-menopausa seria naquelas com diagnóstico formal de Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo, concomitantemente ou não com a terapia estrogênica, em doses que se aproximam daquelas consideradas fisiológicas na pré-menopausa, uma vez que parece melhorar a função sexual (desejo, orgasmo, prazer e resposta sexual).

  1. Testosterona oral

O uso de testosterona oral não é recomendado em virtude de efeitos maléficos sobre o perfil lipídico, o que não foi observado com as vias percutânea e injetável.

  1. Uso da testosterona

Não existem formulações de testosterona disponíveis especificamente para mulheres. Sendo assim, sugere-se a prescrição off-label da formulação disponível para homens.

O controle do tratamento deve visar manter os níveis de testosterona na faixa de referência considerada fisiológica para o gênero feminino. Deve-se fazer uma dosagem basal de testosterona antes do tratamento e repetir a cada três a seis meses. Se após seis meses de tratamento não houver resposta, o uso da testosterona deve ser suspensa.

  1. Risco cardiovascular

Não há dados concretos sobre o impacto cardiovascular do uso de testosterona em mulheres. Não se recomenda o uso naquelas com alto risco cardiovascular pois esta população foi excluída dos estudos. Observou-se um aumento de risco de trombose venosa profunda, mas não se sabe se pode ser um efeito da terapia com estrogênio.

Leia também: Uso de testosterona e risco de eventos tromboembólicos

  1. Risco de câncer de mama

Em relação às mamas, não se sabe os efeitos do uso em longo prazo sobre risco de câncer de mama. O uso em curto prazo não mostrou malefícios, porém, sugere-se evitar em mulheres com o diagnóstico ou alto risco da doença.

  1. Outros riscos

Não há dados para recomendar o uso de testosterona para melhora de humor deprimido, declínio cognitivo, saúde óssea ou para melhora de composição corporal.

  1. Efeitos colaterais

Alguns efeitos colaterais que podem surgir quando são usadas doses próximas das fisiológicas são acne e crescimento anormal de pelos. Alopecia, aumento de clitóris e mudanças na voz não costumam ocorrer.

Conclusões

Em suma, o uso de testosterona em mulheres na pós-menopausa ainda traz bastante controvérsia, havendo, até o momento, apenas uma indicação sugerida, o Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo. O diagnóstico desse transtorno é clínico e não laboratorial, uma vez que os métodos laboratoriais disponíveis para diagnóstico da deficiência hormonal carecem de boa acurácia.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab, October 2019, 104(10):4660–4666.
  • Editorial: The Role of Androgens in Women. J Clin Endocrinol Metab, Vol. 86, No. 3.
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4 comentários

  1. No caso da pós-menopausa, pode tomar 1 dose injetável a cada 30 dias?

  2. Parabéns, ótima matéria!!!
    Obrigada por compartilhar seus conhecimentos.

  3. Milton Cordova Junior

    Ou seja: infelizmente, até o momento não há solução que possa ajudar na questão da falta da libido feminina, quando a causa é a redução da testosterona.

    • tenho 52 anos e claro estou com falta de libido, estou injetando a cada 20 dias 1 ampola de testosterona, tomei e ja vi diferença, meu libido ja reagiu.

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