Gastroenterologia

Uso do balão intragástrico (BIA) ajustável para o tratamento da obesidade

Tempo de leitura: 3 min.

A epidemia de obesidade determina uma necessidade crescente de abordagens terapêuticas, geralmente multidisciplinares, já que se trata de uma doença multifatorial associada com inúmeras doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, doenças articulares crônicas, síndrome da apneia-hipopneia obstrutiva do sono, sendo um problema de saúde pública. 

Em novembro de 2021 foi publicado um estudo na Lancet com o objetivo de explorar as possibilidades do uso do balão intragástrico ajustável (BIA). As principais vantagens deste método consistem na abordagem anatômica minimamente invasiva e possibilidade de ajuste do espaço que ocupam no estômago do paciente, facilitando a tolerância ou aumentando a perda de peso. A colocação se dá por via endoscópica. 

Saiba mais: Dicas de anticoagulação na obesidade

Desenho do estudo 

Trata-se de ensaio clínico randomizado prospectivo, aberto e multicêntrico (desenvolvido em sete centros estadunidenses). Foram selecionados paciente com idade entre 22 e 65 anos, índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 40 kg/m² (sendo maior do que 30 Kg/m² há ao menos dois anos), insucesso no uso de métodos não cirúrgicos para perda de peso, residentes próximos aos centros da pesquisa, capazes de aderir às restrições dietéticas relacionadas ao método, além de seguir as recomendações do protocolo do estudo. Foram excluídos pacientes com história de cirurgia gastrointestinal, condições inflamatórias do trato gastrointestinal e gastroparesia. 

Os pacientes [n = 288] foram alocados aleatoriamente em dois grupos: o primeiro grupo receberia o BIA [n = 187] e segundo grupo não o receberia [n = 101], na proporção de 2:1. Os dois grupos receberiam orientações em relação à dieta e exercícios físicos por 32 semanas. Ao final da 32ª semana, o BIA foi removido e os pacientes foram acompanhados por mais 24 semanas. O desfecho primário foi a percentagem total de perda de peso corporal.

Resultados 

A idade média dos pacientes no grupo intervenção foi de 44,4 anos (Desvio-padrão [DP] 8,9), com 87% de pacientes do sexo feminino e IMC médio de 35,8 kg/m². O grupo controle apresentava idade média de 44 anos (DP 8,9), com 89% de pacientes do sexo feminino e IMC médio de 35,8 kg/m². 

Completaram as primeiras 32 semanas do estudo 83% dos pacientes do grupo intervenção (contra 74% do grupo controle) e 80% fizeram o acompanhamento após seis meses da remoção do BIA. Houve perda de peso corporal total após 32 semanas de 15% (IC95% 13,9-1,1) no grupo intervenção em comparação à 3,3% (IC95% 2-4,6) no grupo controle, p < 0,0001. 

Seis meses após a retirada do BIA, 77% dos pacientes com BIA mantiveram o peso corporal. Resultado semelhante foi encontrado após 14 meses de acompanhamento em 74% dos pacientes.

Leia também: Semaglutida: uma nova era no tratamento da obesidade

Mensagem prática 

O estudo evidencia uma superioridade do uso do BIA associado à dieta e exercícios físicos, sendo fator determinante para este sucesso a possibilidade de ajuste bidirecional do conteúdo líquido do balão, permitindo aumentar a perda ponderal conforme a tolerância do paciente. Há trabalhos que sugerem o uso do BIA por período superior a seis meses, fortalecendo ainda mais a manutenção da perda de peso. 

O tratamento da obesidade deve ser personalizado e com uma abordagem que garanta a manutenção da perda ponderal para o paciente. O BIA ganha força com esse estudo e se apresenta como mais uma ferramenta potente disponível aos médicos assistentes destes pacientes.

Referência bibliográfica 

  • Dayyeh BKA, Maselli DB, Rapaka B, et al. Adjustable intragastric balloon for treatment of obesity: a multicentre, open-label, randomised clinical trial. Lancet 2021; 398: 1965–73. doi10.1016/S0140-6736(21)02394-1
  • Usuy E, Brooks J. Response Rates with the Spatz3 Adjustable Balloon. Obes Surg 2018; 28: 1271–76. doi10.1007/s11695-017-2994-x
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Publicado por
Rafael Horácio Lisbôa

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