Infectologia

Vacina da Janssen pode estar relacionada a casos raros de síndrome de Guillain-Barré

Tempo de leitura: 2 min.

A Food and Drug Administration (FDA) relatou, no último dia 12, uma possível relação entre a vacina da Janssen contra a Covid-19 e o aumento do risco de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré. Entre outras alterações, o provável efeito colateral deve entrar na bula do imunizante, segundo carta do escritório de pesquisa e revisão de vacinas da FDA.

A mudança da bula vem após 100 pessoas informarem a síndrome no sistema de notificações dos Estados Unidos, sendo 95 deles graves, entre as 12,8 milhões de pessoas que receberam a vacina. Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) disseram que os casos foram notificados, em sua maioria, cerca de duas semanas após a vacinação e principalmente em homens, muitos deles com 50 anos ou mais; no geral aconteceram até 42 dias após a aplicação.

Em comunicado ao jornal New York Times, a agência disse que, apesar de haver uma possível associação, ainda não é possível dizer que é uma relação causal. Além disso, é importante ressaltar que os benefícios superam os riscos apresentados.

Vacina da Janssen

A vacina da Janssen (Ad26.COV2.S), divisão farmacêutica da Johnson & Johnson, é um dos primeiros imunizantes contra a Covid-19 de dose única – sendo o único no Brasil. De forma semelhante ao imunizante da AstraZeneca/Oxford, a Ad26.COV2.S é uma vacina recombinante de vetor viral, utilizando adenovírus humano não replicante que expressa a proteína S do SARS-CoV-2.

Segundo o estudo inicial, os eventos adversos mais frequentes foram dor no local da injeção (48,6%), cefaleia (38,9%), fadiga (38,2%), mialgia (33,2%) e náuseas (14,2%). Nesse mesmo estudo, alguns eventos raros mais graves aconteceram, como casos de trombose venosa, um caso de trombose com trombocitopenia, como os relacionados à vacina da AstraZeneca/Oxford, e um caso de Guillan-Barré.

Síndrome de Guillain-Barré

A síndrome de Guillain-Barré começa como uma síndrome infecciosa, onde, em seguida, a reação cruzada entre o vírus ou bactéria com o sistema nervoso periférico causa reação inflamatória e prejuízos na condução do impulso nervoso. O quadro clínico clássico é uma perda de força ascendente (inicialmente, em membros inferiores, seguida de membros superiores) simétrica, que atinge seu nadir dentro de duas a quatro semanas.

Leia também: Covid-19: Estados reduzem intervalo entre doses da AstraZeneca em ação contra a variante Delta

Alguns casos da síndrome foram reportados em pacientes com Covid-19. O que se espera é que seja uma situação similar a outras: apesar de vacinas, como a da gripe suína, por exemplo, aumentar o risco de Guillain-Barré, ele é menor que o risco de desenvolver a síndrome quando a pessoa contrai a gripe.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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