Ginecologia e Obstetrícia

Vacinas e gestação, prevenir é o melhor remédio

Tempo de leitura: 3 min.

Durante a gestação, a mulher desenvolve um maior sentimento de autocuidado e principalmente preocupação com seu filho, é uma ótima janela de oportunidade para checar as vacinas, que além de trazerem proteção para a mãe, também através da imunoglobulina IgG desenvolvida e transportada ao feto pela placenta reduzem os riscos de infecção à criança. Idealmente, as pacientes deveriam realizar uma avaliação pré-concepcional, mulheres em idade fértil devem ser estimuladas a manter o calendário vacinal em dia, pois vacinas de micro-organismos atenuados não devem ser administradas durante a gravidez, com exceção da vacina contra febre amarela a depender do risco de contágio.

Leia também: Mulheres lideram pesquisas sobre vacinas contra Covid-19

Gestantes apresentam maior risco de complicações por Influenza com 4 vezes mais necessidade de internação que pacientes não grávidas e outras diversas infecções também possivelmente evitáveis com vacinas quando ocorrem durante à gravidez podem levar a morte fetal, malformações, rotura prematura de membranas, prematuridade e até manifestações tardias durante a infância. Deve-se solicitar a carteira de vacinação das pacientes e na ausência de comprovação de uma vacina, deve ser considerada como não dada. Para esquemas realizados de forma incompleta, as doses registradas são consideradas sempre válidas, devendo apenas administrar as doses faltantes.

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Quais vacinas orientar no período pré-concepcional da mulher adulta?

Hepatite B, Hepatite A (se disponível), HPV, Difteria-tétano, Sarampo-caxumba-rubéola, varicela (para as susceptíveis) e febre amarela.

E na gravidez?

  • Influenza: Pode ser na forma trivalente ofertada pelo SUS ou se possível a quadrivalente disponível na rede privada. Deve ser realizada preferencialmente antes da sazonalidade da gripe.
  • Hepatite B: Para quem não recebeu antes, iniciar o esquema durante a gestação.
  • dT / dTpa: Deve ser realizada 1 dose de dTpa após 20 semanas a cada gravidez, pois reduz em até 90% o risco do lactente desenvolver coqueluche nos primeiros meses de vida. Gestantes que não apresentam vacinação completa de tétano (3 doses), devem receber as doses faltantes de dT, sendo que a terceira, após 20 semanas, será a dTpa. Vale dizer que esta vacina também já é fornecida para profissionais da saúde e parteiras pelo programa nacional de imunização.
  • *Febre amarela: Trata-se de vacina de vírus atenuado, mas pode ser aplicada em áreas endêmicas da doença, apesar do risco teórico de transmissão do vírus vacinal ao feto. Durante a amamentação, a mulher não deve receber esta vacina até que o lactente complete 6 meses ou se houver necessidade de administração suspender o aleitamento por 10 dias.
  • Vacina Pnemumocócica (13 ou 23 valente): Para mulheres com cardiopatias, doenças pulmonares ou hepáticas, imunodeficiências, diabetes, implante coclear, hemoglobinopatias e asplenia.

Durante o puerpério

Mulheres que não receberam a vacina contra influenza ou dtPa na gravidez, têm indicação de receberem até 45 dias pós-parto. E algumas vacinas contraindicadas na gestação já podem ser administradas, como a tríplice viral, varicela e HPV, mesmo na vigência de amamentação.

Saiba mais: Covid-19: SBOC solicita prioridade a pacientes oncológicos em vacinação

E o recém-nascido?

Casos em que a mãe utiliza medicação imunossupressora, vacinas de micro-organismos atenuados como a BCG e rotavírus devem ser postergadas. Já as inativadas devem ser aplicadas e lembrar também da aplicação da imunoglobulina específica contra hepatite B nas primeiras 12 horas quando mãe portadora da doença. Ainda não disponíveis, mas já estão em estudo vacinas a serem aplicadas na gestação com finalidade de reduzir infecções neonatais por agentes como Vírus sincicial respiratório, herpes simples, CMV e estreptococo do grupo B.

Em relação à Covid-19, ainda faltam estudos de segurança nas gestantes, mas segundo os protocolos atuais por serem vacinas de vírus inativados (as disponíveis até o momento no Brasil), pacientes com alta exposição ao contágio ou comorbidades e maior risco de complicações pela doença podem compartilhar com seu médico a decisão de tomar ou não.

Mensagem prática

O ciclo gravídico puerperal é um momento em que a mulher está em grande contato com os serviços de saúde, é dever do profissional orientar a importância e estimular a atualização vacinal adequada das pacientes.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Juliana Alves Pereira Matiuck Diniz

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