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Vale a pena fazer profilaxia de pneumocistose em imunossuprimidos com doenças reumáticas?

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Quando falamos em pneumonia por Pneumocystis jirovecii lembramos logo do fato de ser uma complicação potencialmente fatal no paciente infectado pelo HIV. Porém, com o advento do tratamento eficaz do HIV e da profilaxia, ocorreu uma queda acentuada de sua incidência nesta população. Ganha destaque atualmente o fato de continuar a ser uma causa significativa de pneumonia em pacientes imunocomprometidos não HIV. O New England Journal of Medicine (NEJM) publicou um artigo que investigou a eficácia e segurança do uso do sulfametoxazol / trimetoprima (SMX-TMP) como profilaxia neste cenário.

O fator de risco mais importante para PCP em pacientes sem HIV é o uso de imunossupressores, especialmente corticosteroides por tempo prolongado. As diretrizes atuais recomendam profilaxia de PCP em pacientes recebendo drogas imunossupressoras, incluindo esteroides. Contudo, não há consenso sobre a profilaxia do PCP para pacientes com doenças reumáticas, porque a incidência de PCP neste grupo não é clara e nenhuma avaliação de risco-benefício para o regime profilático foi desempenhado. Esse cenário ainda polêmico entre reumatologistas foi a motivação para o estudo publicado.

Os autores fizeram uma análise por meio de banco de dados do Seoul National University Hospital por um período de 12 anos, recrutando pacientes com doença reumática e recebendo tratamento prolongado com corticoide. Foram incluídos 1.522 episódios de tratamento com doses elevadas prolongadas (≥4 semanas) (≥30mg / dia prednisona) de esteroides em 1.092 pacientes. Destes, 262 episódios de tratamento envolveram SMX-TMP (caracterizando como grupo de profilaxia) enquanto os outros episódios foram definidos como sem profilaxia (grupo controle).

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Durante o período de estudo, 30 casos de PCP ocorreram com uma taxa de mortalidade de 36,7%. Um caso não fatal ocorreu no grupo de profilaxia. SMX-TMP reduziu significativamente a incidência de PCP em um ano e a mortalidade relacionada na população. Como o estudo também avaliava a segurança da medicação, foi feita a taxa de incidência de eventos adversos relacionados com o SMX-TMP, que foi de 21,2 (14,8-29,3) / 100 pessoas-ano. Apenas dois eventos sérios (incluindo um caso de síndrome de Stevens-Johnson) ocorreram. O número necessário para tratar para prevenção de um PCP foi menor do que o número necessário para prejudicar para efeitos adversos graves.

Os autores concluíram que a profilaxia com SMX-TMP reduz significativamente a incidência de PCP com um perfil de segurança favorável para pacientes com doença reumática em uso prolongado de esteroides em altas doses. Embora os resultados devam ser confirmados em um estudo randomizado futuro, tendo em vista as limitações dos estudos observacionais, os dados podem impactar o uso de profilaxia para PCP em pacientes com doenças reumáticas.

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Referências:

  • Prophylactic effect of trimethoprim-sulfamethoxazole for pneumocystis pneumonia in patients with rheumatic diseases exposed to prolonged highdose glucocorticoids. Park JW, et al. Ann Rheum Dis 2017;0:1–6. doi:10.1136/annrheumdis-2017-211796

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