Proctologia

Veja recomendações para cuidados em cirurgias eletivas colorretais

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ERAS é a sigla de Enhanced Recovery After Surgery, termo que se refere aos cuidados baseados em evidências, realizados por equipe multiprofissional, e destinado ao paciente cirúrgico nos períodos pré, per e pós-operatório (para saber mais, leia Você conhece o Protocolo ERAS?). Seu objetivo é reduzir o estresse per-operatório mantém funções fisiológicas estáveis no pós-operatório e acelera recuperação.

As estratégias propostas nesse protocolo permitiriam reduzir taxas de morbidade, melhorar reabilitação e diminuir tempo de internação hospitalar.

Desde os primeiros guidelines publicados em 2005, muitas cirurgias colorretais foram realizadas utilizando técnicas minimamente invasivas. Neste trabalho, foi apresentado uma revisão atualizada para cuidados per-operatórios destas cirurgias. As recomendações abrangem fase pré-admissão, pré-operatória, per-operatória, pós-operatória. Dados são apresentados e discutidos nos itens que seguem. Abordaremos as fases separadamente.

Antes da admissão:

1. Informação pré-internação e aconselhamento
Moderado nível de evidência Os pacientes devem receber aconselhamento pré-operatório rotineiramente, por: – Reduzir a ansiedade quanto à anestesia, cirurgia e dor pós-operatória; – Aumentar satisfação quanto a experiência cirúrgica. Observa-se impacto positivo sobre tempo de internação e resultados pós-operatórios.
2. Otimização pré-operatória
Alto nível de evidência
– Fumar: Aumento o risco de complicações intra e pós-operatórias. Alguns estudos mostram que 4 a 8 semanas de abstinência já parecem reduzir tais complicações bem como seu efeito sobre a cicatrização de feridas.
Baixo nível de evidência
– Avaliação de risco pré-operatória: Baseia-se na compensação e controle das comorbidades, cessação do etilismo e tabagismo. Porém, faltam dados prospectivos mostrando o efeito dessa avaliação nos resultados.

– Álcool: Seu uso aumenta morbidade pós-operatória, com importantes índices de infecções. Recomenda-se abstinência pré-operatória de 4 semanas.
3. Pré-reabilitação
 Etapa do cuidado entre diagnóstico e adoção de terapêutica. Inclui avaliações físicas, nutricionais e psicológicas que estabelecem nível funcional inicial, identificam deficiências e sugerem intervenções necessárias sob fatores de risco modificáveis, melhorando resultados e acelerando recuperação.
Alto nível de evidência
– Impacto da ‘pré-reabilitação’ na capacidade funcional.
Baixo nível de evidência
– Impacto da ‘pré-reabilitação’ no desfecho clínico pós operatório.
4. Nutrição pré-operatória
Moderado nível de evidência
– Nutrição pré-operatória

O risco de complicações aumenta em pacientes com perda de peso não intencional de 5-10% ou mais. Orientada realização de suplementação oral 7 a 10 dias da cirurgia, reduzindo assim prevalência de infecções e fístulas nas anastomoses.

Baixo nível de evidência
– Triagem nutricional pré-operatória

Para melhorar estado nutricional pré-operatório, corrigir déficits específicos e assim diminuir morbi-mortalidade associada a desnutrição. Escalas utilizadas: Avaliação Global Subjetiva (SGA), a SGA gerada pelo paciente (PG-SGA), Ferramenta de Triagem Universal de Desnutrição (MUST), além da albumina sérica.

5. Manejo da anemia
Parâmetro no pré-operatório = Hb 6 a 10 g/dl e Hb > 8 g/dl em pacientes com comorbidades.

Alto nível de evidência
– Screening e tratamento de anemia antes da cirurgia

A anemia no paciente cirúrgico pode ser atribuída a perda aguda ou crônica, deficiência de B9 ou B12, doença crônica relacionada ou não com o motivo da cirurgia. Todas as causas devem ser investigadas e corrigidas. Orientada realização de suplementação oral 7 a 10 dias da cirurgia, reduzindo assim prevalência de infecções e fístulas nas anastomoses.

– Prática restritiva de transfusão de sangue

Transfusão de sangue tem efeitos a longo prazo, com possível impacto sobre a sobrevida do efetivo, devendo ser evitada, se possível. Pode-se utilizar ferro IV mais eficaz e com menos taxa de efeitos adversos que o ferro VO.

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Publicado por
Caroline Mafra de Carvalho Marques

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