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O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres no mundo. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que sejam diagnosticados em 2021 no Brasil, 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61 casos para cada 100 mil mulheres. Seus principais fatores de risco são: idade > 50 anos; fatores genéticos (mutações dos genes BRCA1 e BRCA2); obesidade; sedentarismo e menopausa tardia. Devido a sua alta prevalência, não é incomum nos depararmos com uma paciente com história prévia de cirurgia para tratamento de câncer de mama. Frequentemente essas mulheres são submetidas à radioterapia e quimioterapia como tratamentos adjuvantes, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma veia para cateterização periférica. 

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Venóclise no membro superior ipsilateral a uma cirurgia prévia para tratamento de câncer de mama

Healthcare, medicine and breast cancer concept

Recomendações e análise recente

A American Society of Breasts Surgeons Expert Panel recomenda que a utilização do braço ipsilateral para venóclise e medição de pressão arterial não é contraindicado. Porém, devido a uma literatura controversa, pacientes são orientados a evitar tais procedimentos pelo resto de suas vidas, com medo de que possam aumentar o risco de linfedema pós-operatório.

Para resolver essa questão, um estudo restrospectivo foi realizado recentemente na clínica Mayo, EUA. Foram incluídos 3.724 pacientes com história prévia de cirurgia para tratamento de câncer de mama e submetidos posteriormente à venóclise entre janeiro de 2015 a maio de 2018. Foi realizada análise das complicações quanto à venóclise, como trombose venosa, celulite e linfedema pós-operatório. O tempo médio entre a cirurgia e a venóclise  foi de 1 ano e meio.

Achados

De 2.743 venóclises realizadas no membro contralateral à cirurgia, 2 pacientes apresentaram linfedema. Uma mulher de 30 anos submetida à mastectomia com linfadenectomia e outra de 36 anos submetida à mastectomia com quimio e radioterapia adjuvantes.

De 5.153 venóclises realizadas no membro ipsilateral, 2.799 ocorreram no grupo sem linfadenectomia e 2.354 no grupo com linfadenectomia. Houve apenas 2 casos de linfedema no primeiro grupo — de mulheres submetidas a mastectomias bilaterais — e nenhum caso no segundo grupo.

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Vale ressaltar que todos os 4 casos que apresentaram complicação, tinham história de linfedema pós cirurgia de câncer de mama antes da venóclise.

Diversos estudos apontam que trauma — incluindo cirurgias — no membro ipsilateral à cirurgia de câncer de mama não está associado com aumento do risco de desenvolver linfedema. Outros estudos não apontam correlação entre a complicação e o cateterismo venoso. Os fatores de risco para linfedema relacionado à cirurgia de câncer de mama são: exérese de > 5 linfonodos axilares; irradiação linfonodal na região da axila; quimioterapia com taxanos; IMC > 30 kg/m²; sedentarismo; ganho de peso após a cirurgia; edema em qualquer momento após a cirurgia (principalmente nos 3 primeiros meses); celulite.

Em resumo, parece que o linfedema relacionado à cirurgia de câncer de mama possui fatores de risco bem definidos e implante de cateter intravenoso não está entre eles. Portanto, evitar a venóclise no membro ipsilateral à uma cirurgia de câncer de mama não é necessário, especialmente para pacientes sem história prévia desta complicação.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Naranjo J, Portner ER, Jakub JW, Cheville AL, Nuttall GA. Ipsilateral Intravenous Catheter Placement in Breast Cancer Surgery Patients. Anesth Analg. 2021 May 26. doi: 10.1213/ANE.0000000000005597
  • Nguyen TT, Hoskin TL, Habermann EB, Cheville AL, Boughey JC. Breast Cancer-Related Lymphedema Risk is Related to Multidisciplinary Treatment and Not Surgery Alone: Results from a Large Cohort Study. Ann Surg Oncol. 2017 Oct;24(10):2972-2980. doi: 10.1245/s10434-017-5960-x
  • Rockson SG. Lymphedema after breast cancer treatment. N Engl J Med. 2018;379:1937–1944. doi: 10.1056/NEJMcp1803290
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