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Ventiladores do Aparelho de Anestesia X Ventiladores de Terapia Intensiva

Ventiladores do Aparelho de Anestesia X Ventiladores de Terapia Intensiva

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A grande maioria dos aparelhos de anestesia (AA) possuem acoplados a sua unidade um ventilador mecânico. Esse ventilador é capaz de promover uma ventilação artificial eficiente para aqueles pacientes submetidos a anestesia geral ou que sua condição clínica necessite de um suporte ventilatório. Atualmente, esses ventiladores são bastante modernos e equipados com todo o suporte tecnológico para promover uma ventilação mecânica protetora, além de modos de ventilação diversos como ventilação assistido-controlada (A/C), ventilação modo volume controlada (VCV), pressão controlada (PCV), ventilação com pressão de suporte (PCV), entre outras, dependendo da escolha e do quadro clínico apresentado pelo paciente. Apesar disso, o ventilador mecânico presente nos carrinhos de anestesia diferem-se dos ventiladores utilizados em unidades de terapia intensiva, uma vez que foram projetados para o fornecimento e manutenção da anestesia geral durante um determinado período de tempo e seu circuito permite a reinalação dos gases expirados e seu reaproveitamento.

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Principais diferenças entre os ventiladores:

  1. Os AA possuem um sistema de absorção de CO2 (SACO2) dos gases expirados com um reservatório de cal sodada que aquecem e umidificam os gases inalados.
  2. Os AA possuem fluxômetros para controlar o fluxo dos gases administrados que podem ser oxigênio, óxido nitroso e ar comprimido.
  3. Os AA possuem um reservatório para a colocação de anestésicos halogenados, chamados de vaporizadores.
  4. Os AA possuem uma bolsa reservatória capaz de promover ventilação manual quando necessário.
  5. Os AA possuem um circuito de passagem de gases complexo que deve ser limpo e esterilizado regularmente de acordo com as normas do fabricante, pois são fonte de calor e humidade.
  6. Os AA possuem uma saída de gases que deve ser conectada a um sistema de exaustão para que não contamine o ambiente.
  7. Os ventiladores dos AA possuem um fole ou pistão responsável pelo fornecimento do volume inspiratório adequado, utilizando oxigênio, o que acarreta um maior consumo do mesmo.
  8. Os AA possuem uma válvula de escape, denominada pop-off, que auxilia no controle da pressão durante a ventilação manual.
  9. Não há sistema de umidificação ativa nos AA. Esta é feita pelo sistema absorvedor de CO2.
  10. O controle da fração de oxigênio inspirado é determinado pela mistura de O2/ar comprimido ou O2/N2O. Esse fluxo deve ser mantido em valores que não alterem o funcionamento do SACO2. Fluxos maiores que 30% do volume minuto são suficientes para diminuir a sua função.
  11. Uso de filtro bacteriano deve ser sempre utilizado entre o tubo e o “Y” do sistema ventilatório para evitar contaminação e manter a umidade e temperatura adequada dos gases.
  12. O uso da capnografia é essencial para o controle do bom funcionamento do SACO2, uma vez que se consegue identificar precocemente a reinalação de CO2 pela curva de capnografia. Reinalação acima de 5 mmHg é suficientes para a realizar a troca da cal sodada.
  13. Sempre deve se ter a mão um ressuscitador manual, caso haja falha do AA.

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Em algumas situações , onde não há disponível quantidade suficiente de ventiladores mecânicos próprios para a terapia intensiva ou disponibilidade de vaga em unidade fechada em pacientes pós-operatórios, faz-se necessário, em caráter excepcional, particular e emergencial o o uso de AA  para a manutenção de ventilação artificial em pacientes de terapia intensiva.

Devido as grandes diferenças entre os módulos alguns cuidados devem ser tomados:

  1. Treinamento do pessoal que irá manusear o AA fora do centro cirúrgico.
  2. Presença obrigatória de um reanimador manual disponível para cada AA.
  3. A alimentação do N2O deve estar desligada.
  4. Os vaporizadores devem ser retirados ou esvaziados.
  5. O uso de um filtro bacteriano (FBV) do tipo trocador de calor e umidade é obrigatório e deve ser colocado entre o tubo e a conexão em “Y” do sistema. Os filtros devem ser inspecionados com frequência e trocados quando houver aumento da secretividade.
  6. Não utilizar sistema de umidificação ativa por meio de umidificadores.
  7. Sempre utilizar capnógrafo a fim de evidenciar reinalação precoce.
  8. Nunca utilizar FGF acima de 30-50% do volume minuto, pois altos fluxos incapacitam o funcionamento da cal sodada.
  9. Observar aumento do consumo de oxigênio.
  10. Permanecer o menor tempo possível com o ventilador do AA. Assim que possível realizar a troca para um ventilador apropriado a terapia intensiva.

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia não recomenda o uso do ventilador de aparelhos de anestesia regularmente, como sistema de ventilação mecânica em terapia intensiva.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Uso do Ventilador do Aparelho de Anestesia como Ventilador em Terapia Intensiva. C. SBA – 1762/2020.03 junho 2020.
  • Carraretto AR, Almeida CED. Aparelho de Anestesia. In: Manica J. Anestesiologia, 4ª ed., cap. 29,p. 413-46. Porto Alegre: Artmed, 2018.

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