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Viagens em alta altitude e condições médicas: o que esperar

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O aumento e a facilidade para viagens terrestres e aéreas em locais de alta altitude tem ganhado importância devido ao maior número de pessoas visitando tais destinos. Com isso, doenças como asma e hipertensão que são de alta prevalência na população são uma das condições de saúde que podem sofrer o efeito da hipóxia hipobárica em altas altitudes, que deve ser conhecido por médicos e pacientes na hora de programar uma viagem em locais de alta altitude. 

alta altitude

Prevalência de doenças em viajantes de alta altitude 

O envelhecimento da população faz com que aumente a proporção de idosos em viagem para locais elevados, o que proporcionalmente aumenta a prevalência de viajantes com doenças. Pesquisas recentes demonstram que cerca de 47% dos trekkers do Nepal apresentam mais de 50 anos e 15% têm mais de 60 anos, com cerca de 33% com problemas de saúde. Em 1992, a prevalência de idosos nessas atividades não chegava a 10%. As doenças mais relatadas foram hipertensão arterial (9%), doenças da tireoide, asma e diabetes. Dentre os turistas do Colorado que frequentam altas altitudes, cerca de 24% tomavam alguma medicação de longa duração.

Efeitos fisiológicos 

A variável mais importante que ocorre com a subida é a redução da pressão barométrica. A redução da pressão barométrica leva a uma redução da PaO2 ao longo de toda a cadeia de transporte de oxigênio aos tecidos, o que estimula o fator induzível por hipóxia e atua no metabolismo celular, angiogênese e eritropoiese. O tempo das respostas varia; por exemplo, o fluxo sanguíneo cerebral, a frequência cardíaca e a ventilação aumentam minutos após a subida, enquanto o volume plasmático e as concentrações séricas de eritropoietina mudam em um período de um a dois dias. A variação e o efeito das condições médicas nas respostas observadas é fundamental para considerar os riscos de viagens em grandes altitudes, uma vez que a magnitude das respostas determina o grau de hipoxemia e a adequação do fornecimento de oxigênio para uma dada altitude e pressão. O risco de doença aguda pela altitude ocorre efetivamente acima de 2.000 m, porém pacientes suscetíveis podem apresentar mesmo acima de 1.500 m.

Conselhos para todos os viajantes de alta altitude 

A cefaleia das grandes altitudes e a doença aguda da montanha são, de longe, as doenças mais comuns, com a primeira observada em 37% das pessoas subindo a 4559 m e a segunda desenvolvendo-se em 25 a 43%. Embora faltem dados precisos, as incidências de edema cerebral de alta altitude e de edema pulmonar de alta altitude são baixas, mas cada condição é potencialmente fatal se não for reconhecida e tratada adequadamente. O sono interrompido e a apneia central do sono são comuns em grandes altitudes, mesmo na ausência de doença aguda de altitude. O principal fator de risco para a doença aguda da altitude é a subida rápida. Em geral, quanto mais lenta a subida, maior o tempo de aclimatação e menor o risco de doença de altitude. Mais especificamente, uma vez acima de 3.000 m, os viajantes não devem aumentar sua altitude de sono em mais de 500 m por noite e devem incluir dias de descanso a cada três a quatro dias; durante os dias de descanso, eles devem dormir na mesma elevação por pelo menos duas noites consecutivas. Exposição à hipóxia (pré-aclimatação) ou passar tempo em altitudes intermediárias pode ajudar na prevenção de eventos.  

A profilaxia farmacológica contra edema pulmonar de alta altitude com vasodilatadores pulmonares, incluindo nifedipina e tadalafil é reservada para pessoas com histórico dessa condição e o melhor tratamento continua sendo a descida.

Avaliação pré-viagem 

Os médicos podem usar uma abordagem geral, enquadrada por quatro perguntas, para identificar as pessoas que requerem mais atenção antes da viagem pretendida.

  • A primeira questão é se o viajante está em risco de hipoxemia grave. Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças intersticiais ou fibrose cística são pacientes de risco. Hipoxemia excessiva pode não se desenvolver em pessoas com insuficiência cardíaca moderada a grave ou anemia, mas eles podem ter sintomas semelhantes.
  • A segunda questão é se o viajante está em risco de respostas ventilatórias prejudicadas como em casos de DPOC avançado, doenças neuromusculares e hipoventilação da obesidade.
  • A terceira questão é a presença de hipertensão pulmonar prévia. A hipoxemia pode piorar a vasoconstrição hipóxica e aumentar a resistência da artéria pulmonar.
  • Já a quarta questão é se a hipóxia representa risco de complicações devido à doença prévia como anemia falciforme, insuficiência cardíaca e malformações cerebrais. Se afirmativo em apenas uma questão, a avaliação pré-viagem é necessária e pode mudar os planos do paciente.

Mensagens práticas

  • Viagens para altas altitudes, sobretudo acima de 2000m, podem descompensar doenças preexistentes e precipitar eventos agudos em indivíduos predispostos; 
  • A manutenção de medicações de rotina, períodos de aclimatação pré-viagem, orientação sobre como proceder em momentos de piora são fatores que auxiliam no manejo e prevenção de agravos em altas altitudes.
  • O edema pulmonar e cerebral não são comuns, porém potencialmente graves. A descida ainda permanece sendo o principal tratamento.

Referências bibliográficas:

  • Luks AM, Hackett PH. Medical Conditions and High-Altitude Travel. N Engl J Med. 2022 Jan 27;386(4):364-373. doi: 10.1056/NEJMra2104829. 
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