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Vida de recém formado: estratégias de sobrevivência

Tempo de leitura: 4 minutos.

A faculdade é um tempo de muito proveito. A pessoa que chega para o curso de Medicina em nada tem a ver com aquela se despede dele. Por mais que esse seja um período de formação, acima de tudo é um período de desconstrução. Muda-se o padrão, trocam-se as certezas.

Em um dia você amanhece interno, passa assumir certo grau de responsabilidade; a depender do seu serviço será você o primeiro na linha de frente sempre. O tempo passa e em uma noite mágica você passa a ser dono de si. Agora você despertou médico.

Os medos e inseguranças são naturais. O desconhecido ao mesmo tempo que assusta também empolga. Depois de anos seguindo os bancos escolares, não há mais matrícula para se fazer, não há mais lista de materiais, não há retorno para encontrar os colegas. Um mar de possibilidades se encontra diante de você: trabalhar na atenção básica, na medicina do trabalho, na medicina ambulatorial, na medicina de urgência e emergência.

Comigo não foi diferente. Não faz tanto tempo assim me despedia da vida acadêmica que me abrigara pelos últimos seis anos. Em um conjunto de papéis, um amontoado de currículos para serem distribuídos. Ainda sem saber como seria o amanhã, sem ter resultados de provas de residência, sem emprego fixo, a rotina comum de qualquer recém formado.

Uma angústia que visita a todos nós nesse momento é o redimensionamento de prioridades, e de capacidades. Todas aquelas condutas que sempre estiveram na ponta da língua parecem desaparecer, tudo aquilo que sempre foi verdade, parece a soar como algo a ser checado inúmeras vezes até que você recupere a sua segurança. Qualquer um de nós é expert em ser estudante, fizemos isso a vida toda. Mas para muitos de nós será o primeiro emprego, e sendo o primeiro emprego a noção de responsabilidade é outra.

A maior dificuldade é enfrentar todos os dias com algumas questões invariáveis: a rotina do médico é lidar com a incerteza. Nunca teremos certezas absolutas. Nunca conseguiremos jurar por nada, a vida sempre encontra caminhos que não pensamos. Isso nos coloca diante de outro fato: erraremos, todos nós. A todo aquele que trabalha, chegará o dia da falha. Essas lições porém não nos são muito passadas nos bancos universitários. Talvez nenhum professor tenha chegado a lhe mostrar que um dia você falhará, e como será então nesse dia?

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O maior crescimento médico talvez seja o reconhecimento de limites; limites de falha, limites de conhecimento. Não formamos sabendo tudo e faz parte do processo reconhecer quais são as lacunas de conhecimento e aceitá-las; não se tomar condutas na incerteza. No fundo, ainda que não saibamos exprimir em palavras esses são os medos do recém formado.

Felizmente eu tive a oportunidade de contar com muitos amigos no processo de formação e no início do acesso ao mercado de trabalho. Mas certamente um deles que nunca me deixou na mão e já me acompanhava durante a faculdade, internato e hoje ainda me segue nos sufocos do trabalho e da residência cabe na palma da minha mão. Seja para sanar uma dúvida diagnóstica ou raciocínio de diagnóstico diferencial, seja para acessar uma calculadora médica (e como isso salva a nossa pele no cotidiano!) e principalmente confirmar alguma conduta ou decisão clínica, o Whitebook certamente é a ferramenta de trabalho e estudo que mais me auxiliou depois de formado.

Na unidade de saúde, a cada pré-natal que faço o seguimento, a calculadora de idade gestacional é acionada. Qualquer orientação farmacológica pouco usual que necessito passar a algum paciente consigo checar o grau de segurança da droga. E isso é algo que não é possível mais imaginar como ausente em minha rotina.

Além disso, é bastante frequente eu atender, tanto na unidade de saúde quanto no pronto atendimento, pacientes que tomam medicações cujos nomes desconheço, ou que eles se lembram apenas parcialmente. Nesses casos o melhor amigo do plantão sempre está disponível com bulário completo com essas informações.

Logo após formado, no primeiro plantão de porta aberta foi necessário o contato com uma situação de urgência. Na ponta da língua a conduta. Paciente em quadro de choque hipovolêmico refratário ao volume, na hora já pedi a infusão de noradrenalina. Pareceu-me algo simplesmente óbvio. A pergunta que a profissional de enfermagem me lançou a seguir foi a que me derrubou “Qual a diluição?” Seis anos de curso, internato hospitalar com estágio de sala de emergência, unidade de terapia intensiva, unidade coronariana…. tudo sempre terminou com o pedido “Vamos ligar a nora por favor”.

Por um breve momento o desespero tomou conta de mim; algumas inspirações profundas a seguir consigo lembrar de pegar o smartphone. Ao olhar a tela, sinal bloqueado; nenhuma consulta de internet seria possível. O aplicativo aberto ainda na tela é o Whitebook Clinical Decision. Recorro à minha única opção: digito noradrenalina no campo de busca. Aparece um ícone que nunca tinha reparado por ser uma sessão que nunca tinha utilizado: noradrenalina -> infusão.

Clico e ouço sons celestiais ao fundo ao ver que estava lá a sugestão de diluição padrão e outras formas concentradas. Foi meu primeiro contato com a sessão, mas a paz já tocava meu coração. Alguém já havia planejado aquela sessão de conteúdo para mim e muitas outras partes que não conhecia do aplicativo durante a graduação e internato ganharam peso e valor.

Nunca vou me esquecer daquele dia e da lição aprendida. Aprendemos muito pouco a lidar com as limitações de conhecimento. Porém, a cada dia com o volume de informações e atualizações de conduta é inevitável dizer: não sei; quando se tratar de algum assunto médico. Quanto antes perdemos o medo de admitir o não saber mais rápido conseguimos enxergar com tranquilidade que há opções para nos auxiliar nisso e o Whitebook é a que mais uso para isso atualmente.

A mensagem que gostaria de deixar como manual de sobrevivência do recém formado é: antes de tudo, calma. Mesmo quando tudo parecer caótico, quanto maior sua calma maior a eficiência em gerir situações de conflito. Saiba o que você sabe, mas acima de tudo saiba o que você não sabe. Novamente mantenha a calma, você não precisa saber tudo, apenas precisa ter possibilidades de buscar as informações rapidamente quando necessitar. Por isso sempre levo meu melhor amigo comigo na palma da mão. E você?

Experimente o Whitebook e tenha em mãos todo conteúdo necessário para sua sobrevivência no plantão!

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