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medico recebendo uma tesoura para fazer cirurgia

Você conhece o Protocolo ERAS?

Tempo de leitura: 4 minutos.

ERAS é a sigla de Enhanced Recovery After Surgery, termo que compreende uma série de cuidados baseados em evidências, realizados por uma equipe multiprofissional, destinados ao paciente cirúrgico durante os períodos de pré-operatório, perioperatório e pós-operatório. A aplicação dessas medidas tem como objetivo abreviar o período de internação, diminuir as complicações e morbidade pós-operatória e melhorar a recuperação e a qualidade de vida do paciente.

Inicialmente, os princípios do protocolo ERAS foram aplicados em cirurgias colorretais, o que contribuiu para um grande número de estudos dentro do contexto dessa especialidade. Outras especialidades cirúrgicas vêm adotando esses conceitos e há uma constante atualização a medida que as pesquisas vêm se desenvolvendo.

Neste ano, a American Society of Colon and Rectal Surgeons e a Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons publicaram seus Clinical Practice Guidelines for Enhanced Recovery After Colon and Rectal Surgery, baseados em guidelines prévios que dispunham de literatura relevante, combinados com a avaliação de comitês dessas duas sociedades.

Qual a importância da implementação de protocolos como o ERAS para as cirurgias colorretais?

A cirurgia colorretal contemporânea está associada a longos períodos de internação, altos custos, consideráveis taxas de infecção do sítio cirúrgico, náuseas e vômitos no pós-operatório (que podem chegar a 80%) e taxas de readmissão de até 35% dos pacientes. A adoção dessas medidas pode promover resultados interessantes, como redução da sintomatologia no pós-operatório (náuseas, vômitos e dor), retorno precoce da função intestinal, melhora na cicatrização de feridas e diminuição do tempo de internação hospitalar.

Dentre as recomendações dos guidelines deste ano, separamos as classificadas como fortes e que são baseadas em evidências de qualidade elevada (1A) e moderada (1B):

Intervenções no pré-operatório

  • Manter dieta oral líquida clara até 2 horas antes da indução anestésica (1A)

Intervenções no perioperatório

  • Utilizar profilaxia antiemética multimodal em todos os pacientes com risco de desenvolver náuseas e vômitos no pós-operatório, com objetivo de reduzir essa sintomatologia (1B)
  • Aplicar protocolos de redução de infecção do sítio cirúrgico (1B)
  • Um plano multimodal de manejo da dor deve ser iniciado antes da indução anestésica. O uso de opioides deve ser minimizado (1B)
  • Analgesia peridural torácica é recomendada para cirurgia colorretal aberta, mas não deve ser adotada para uso rotineiro em cirurgia colorretal laparoscópica (1B)
  • A terapia de manutenção com cristaloides deve ser realizada de forma a evitar o excesso de administração de fluidos, evitando sobrecarga de volume (1B)
  • Em pacientes de alto risco e em pacientes submetidos a grandes cirurgias colorretais que apresentem significativa redução do volume intravascular, é recomendado o uso de terapia de reposição volêmica guiada por metas (1B)
  • Uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva deve ser preferível, desde que seja adequada e que haja experiência pela equipe (1A)
  • Uso rotineiro de drenos intra-abdominais e sondas nasogástricas em cirurgia colorretal deve ser evitado (1B)

Intervenções no pós-operatório

  • Iniciar alimentação o quanto antes em pacientes submetidos a cirurgia colorretal eletiva (1B)
  • “Sham feeding” (goma de mascar sem açúcar por tempo ≥ 10 minutos 3 a 4 vezes ao dia) após a cirurgia colorretal resulta em pequenas melhorias na recuperação de funções do trato gastrointestinal e pode estar associado a uma redução no tempo de hospitalização (1B)
  • Alvimopan (um antagonista de receptores µ-opioides) é recomendado para reduzir o tempo de recuperação após cirurgia colorretal aberta, embora os benefícios na cirurgia minimamente invasiva não estejam bem esclarecidos (1B)
  • Descontinuar a administração de fluidos intravenosos no pós-operatório imediato, após a alta da sala de recuperação pós- anestésica (1B)
  • Os cateteres urinários devem ser removidos dentro do prazo de 24 horas em cirurgias com ressecção eletiva do cólon ou do reto superior, quando não houver evidências de fístula vesical, independentemente do uso de analgesia peridural torácica. Nas cirurgias com ressecção de reto médio / inferior, devem ser removidos dentro do prazo de 48 h (1B)

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Autora:

Referências:

  • Carmichael JC, Keller, DS, Baldini, G, et al.; Clinical Practice Guidelines for Enhanced Recovery After Colon and Rectal Surgery From the American Society of Colon and Rectal Surgeons and Society of American Gastrointestinal. Diseases of the Colon & Rectum.2017;60:761-784
  • Martins MVDC. Estamos realmente prontos para a implantação do protocolo ERAS?. Rev. Col. Bras. Cir.2017;44(4):314-315

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