Leia mais:
Leia mais:
Topiramato auxilia no tratamento da dependência química por cocaína?
Betabloqueadores são seguros na intoxicação por cocaína?
Você conhece os efeitos do uso da cocaína no coração?
Você conhece os efeitos cardiovasculares da cocaína?

Você conhece os efeitos do uso da cocaína no coração?

Sua avaliação é fundamental para que a gente continue melhorando o Portal Pebmed

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Nossos conteúdos informam panoramas recentes da medicina.

Caso tenha interesse em divulgar seu currículo na internet, se conectar com pacientes e aumentar seus diferenciais, crie um perfil gratuito no AgendarConsulta, o site parceiro da PEBMED.

Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.

Dentre os indivíduos que buscam a unidade de hospitalar de saúde após uso de drogas ilícitas, a maioria fez uso de cocaína, sendo essa a responsável por mais mortes por drogas ilícitas nos Estados Unidos, principalmente pela sua fácil administração, custo relativamente baixo, ampla disponibilidade e a falsa crença de que o uso recreativo não é danoso à saúde.

A droga

A cocaína é um alcaloide extraído do arbusto da Erythroxylon coca, presente principalmente na América do Sul. Ela está disponível em duas formas, o sal cloridrato e a base livre. O sal vem em forma de pó e pode ser administrado pela via nasal, oral ou injetável, e é muito bem absorvido pelas mucosas do corpo. Já a base vem forma de pedra, é termoestável, portanto pode ser fumada, é mais barata, de duração de ação mais curta e mais intensa, com maior poder viciante. É conhecida como crack devido ao barulho que faz ao ser queimada. A cocaína tem uma meia-vida plasmática curta, de apenas 45 a 90 minutos, porém sues metabólitos podem permanecer no corpo por até 24 a 36 horas. A droga bloqueia a recaptação pré-sináptica de noreprinefrina e de dopamina, produzindo assim, um excesso desses transmissores no local do receptor pós-sináptico. Em resumo, a cocaína atua como um poderoso agente simpaticomimético.

Isquemia e infarto do miocárdio

Isquemia ou infarto do miocárdio relacionados à cocaína podem resultar do seguinte: aumento da demanda miocárdica de oxigênio na hipótese de um suprimento de oxigênio limitado ou fixo; vasoconstricção arterial coronariana intensa e aumento da agregação plaquetária e da formação de trombos.

Em virtude de seus efeitos simpaticomiméticos, a cocaína aumenta a frequência cardíaca, a tensão da parede ventricular esquerda e a força de contratilidade ventricular esquerda, aumentando assim a demanda de oxigênio para o coração, ao mesmo tempo que causa vasoconstrição das artérias epicárdicas fazendo com que o suprimento miocárdio de oxigênio diminua conforme o aumento da demanda. O efeito contrátil na vasculatura coronariana da cocaína é, sobretudo, mais proeminente em vasos doentes levando os pacientes portadores de doença aterosclerótica a um risco mais elevado de infarto com o uso da droga. A cocaína promove a constrição de vasos coronarianos através dos receptores alfa-adrenégicos, além da maior produção de endotelina (potente vasocontritor) e da redução da produção do óxido nítrico.

A cocaína promove anomalias estruturais da barreira celular endotelial, aumentando a permeabilidade ao LDL e a expressão de moléculas de adesão endotelial, favorecendo, assim, a migração leucocitária, todos estes associados a aterogênese. Além disso, a droga aumenta a ativação e agregação plaquetária, assim como eleva a concentração do inibidor de ativação do plasminogênio, o que pode promover a formação de trombos.

O risco de infarto aumenta 24 vezes durante os primeiros 60 minutos posteriores ao uso de cocaína em indivíduos considerados de baixo risco, e a ocorrência de infarto pós uso de cocaína não parece estar relacionada a dose ingerida, tão pouco com a frequência de uso da droga.

Álcool mais cocaína

O consumo concomitante de álcool e cocaína produz um metabólito, através da transesterificação hepática, chamado cocaetileno. Este age de forma semelhante a cocaína e no experimentos com animais provou ser mais potente e mortal que somente a cocaína. O uso da cocaína e do álcool em conjunto é mais mortal do qualquer uma das substâncias em separado.

Veja também: ‘FDA libera aplicativo para tratamento de pacientes com dependência química’

Disfunção miocárdica pela cocaína

O uso crônico de cocaína está associados a hipertrofia ventricular esquerda, bem como disfunção sistólica ou diastólica do ventrículo esquerdo.

Os mecanismos para a ocorrência destes eventos são, em primeiro lugar, como já descrito, a isquemia/infarto induzida pela cocaína. Em segundo lugar a estimulação simpática do coração frequente e repetitiva semelhante a do feocromocitoma, que pode produzir cardiomiopatia e alterações microscópicas características de necrose em bandas por contração em bandas miocárdicas. Em terceiro lugar a administração de agentes adulterantes e infectantes pode causar miocardite , que tem sido vista em estudos post mortem de indivíduos que utilizavam cocaína injetável. Em quarto lugar estudos experimentais em animais mostraram que o uso de cocaína estimula a produção de espécies reativas de oxigênio, altera produção de citocinas no endotélio e nos leucócitos circulantes e induz a transcrição de genes responsáveis pelas alterações da composição do colágeno miocárdico e da miosina, induzindo a apoptose dos miócitos.

Arritmias

Apesar de não existir comprovação de que a cocaína seja arritmogênica, presume-se que ela seja capaz de produzir arritmias, principalmente pela capacidade de bloquear canais de sódio e estimular o sistema nervoso simpático. Os indivíduos que geralmente experimentam uma arritmia com o uso da cocaína apresentam também algum distúrbio metabólico e hemodinâmicos como hipotensão, infarto do miocárdio, hipoxemia ou convulsões. Arritmias potencialmente letais e morte súbita ocorrem mais em indivíduos que apresentam isquemia ou infarto no miocárdio ou lesão miocelular não isquêmica. Além disso o uso crônico de cocaína tem como consequência aumento da massa do ventrículo esquerdo e da espessura da parede, que são fatores arritmogênicos conhecidos.

Endocardite

Apesar do uso de qualquer droga injetável ser fator de risco para endocardite, a cocaína parece apresentar um risco maior. O por quê disso ainda não foi esclarecido, porém há algumas postulações à respeito, como por exemplo: os efeitos hemodinâmicos de aumento de pressão e frequência cardíaca podem predispor a maior lesão valvar; existe um efeito imunossupressor da cocaína que pode favorecer a infecção, além do modo como a cocaína é preparada e os adulterantes presentes nela. Um fato curioso é que as endocardites de usuários de cocaína injetável tendem a acometer o lado esquerdo do coração.

Conclusão

A cocaína atua de maneira danosa no coração humano, vários testes animais provaram que a cocaína tem efeitos maléficos no sistema cardiovascular. Além das consequências acima, a cocaína ainda pode induzir a dissecção aguda de aorta e acidente vascular encefálico. Atenção especial deve ser dada a pacientes jovens, sem fatores de risco que sofrem infarto ou algumas das consequências do uso da droga.

É médico e também quer ser colunista da PEBMED? Clique aqui e inscreva-se!

Autor:

Cadastre-se ou faça login para acessar esse e outros conteúdos na íntegra
Cadastrar Fazer login
Veja mais beneficios de ser usuário do Portal PEBMED: Veja mais beneficios de ser usuário
do Portal PEBMED:
7 dias grátis com o Whitebook Aplicativo feito para você, médico, desenhado para trazer segurança e objetividade à sua decisão clínica.
Acesso gratuito ao Nursebook Acesse informações fundamentais para o seu dia a dia como anamnese, semiologia.
Acesso gratuito Fórum Espaço destinado à troca de experiências e comentários construtivos a respeito de temas relacionados à Medicina e à Saúde.
Acesso ilimitado Tenha acesso a noticias, estudos, atualizacoes e mais conteúdos escritos e revisados por especialistas
Teste seus conhecimentos Responda nossos quizes e estude de forma simples e divertida
Conteúdos personalizados Receba por email estudos, atualizações, novas condutas e outros conteúdos segmentados por especialidades

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Nossos conteúdos informam panoramas recentes da medicina.

Caso tenha interesse em divulgar seu currículo na internet, se conectar com pacientes e aumentar seus diferenciais, crie um perfil gratuito no AgendarConsulta, o site parceiro da PEBMED.

Um comentário

  1. Gostaria de saber mais sobre o assunto. Achei interessante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Entrar | Cadastrar