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Você sabe identificar os principais tipos de afasia?

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Apesar de utilizarmos abundantemente, a linguagem verbal não é a única, tampouco a mais utilizada na nossa comunicação diária. A linguagem é muito mais que palavras, sendo descrita como qualquer meio de comunicar ideias ou sentimentos através de sinais convencionais, sonoros, gráficos, gestuais, entre outros.

A linguagem verbal envolve nossa habilidade de reconhecer e usar palavras e frases e, na maior parte da população, essa capacidade encontra-se representada no hemisfério cerebral esquerdo. Assim sendo, quando qualquer lesão afeta essa área, tipicamente alguns aspectos da linguagem são alterados, resultando em diversas variantes do que chamamos de afasia. Vale ressaltar a diferença entre afasia (dificuldade de linguagem, ou seja, formar ou entender frases, ter capacidade de repetição, etc) e disartria (dificuldade na articulação das palavras, sendo que o entendimento da fala e a expressão verbal da linguagem ocorrem sem anormalidades).

Mas nem toda lesão na área hemisférica esquerda resulta no mesmo tipo de afasia. Dentro da grande área responsável pela linguagem, temos uma distribuição particular em locais responsáveis pela recepção da linguagem (localizada mais posteriormente), pela expressão da linguagem (localizada mais anteriormente) e pela transmissão de informações de uma área a outra.

Nesse contexto temos os tipos mais comuns de afasia:

  • Afasia de Broca (de expressão ou motora): gera dificuldade de formar frases completas, omissão de conjunções, artigos ou verbos de ligação, podendo ter problemas para utilizar termos que conferem orientação temporal ou espacial, como “para cima”, para baixo”, “esquerda”, “direita”, “antes”, “após”.
  • Afasia de Wernicke (de recepção ou sensitiva): gera problemas de compreensão, com o paciente apresentando discurso incoerente, sendo que o mesmo não percebe essa incoerência, às vezes utilizando palavras que sequer existem na nossa língua.
  • Afasia Global: nesse caso as áreas responsáveis pela compreensão e pela expressão são afetadas em conjunto, resultando em um misto de afasias de Wernicke e Broca que se caracteriza por intensa dificuldade de compreender e formar frases.

Dentro das grandes causas que levam a afasia, o acidente vascular cerebral (AVC) sem dúvidas é o mais importante tanto por sua frequência, quanto pela sua chance de recuperação, parcial ou quase completa. O que vemos na prática clínica, junto ao quadro inicial, é um grau de afasia muito mais proeminente, que vai regredindo ao longo do tempo.

Se você tem, em sua casa, algum indivíduo com afasia como sequela de qualquer lesão neurológica, facilite a comunicação utilizando perguntas com respostas sim/não, gesticule para enfatizar pontos importantes da conversa, estabeleça tópicos antes de se iniciar conversas, modifique com frequência o comprimento e complexidade das palavras utilizadas na conversa.

Muitos indivíduos compensam a dificuldade de expressão verbal utilizando desenhos, gestos, escritas ou mesmo computadores. Em todos os casos devemos lembrar de que o auxílio da fonoaudiologia precoce e intensiva pode auxiliar na recuperação do déficit, otimizando a comunicação do indivíduo dentro das suas limitações.

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