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Você sabe identificar todos os tipos de câncer de pele?

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Carcinoma basocelular

O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo mais comum de câncer em humanos. Apresenta comportamento invasivo local e baixo potencial metástico, sendo tratado e curado com exérese da lesão. Esses pacientes em geral são avaliados por dermatologistas e por nós, cirurgiões plásticos.

Devemos sempre ficar atentos para o diagnóstico precoce. Exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco associado à gênese do CBC ocorrendo mais frequentemente em áreas fotoexpostas. O aparecimento da lesão pode ocorrer entre 10 e 50 anos depois do dano solar, e a exposição aos raios ultravioletas na infância e juventude sendo um forte elemento de risco.

O CBC ocorre mais frequentemente em idosos, com a maioria dos casos entre 50 e 80 anos de idade, entretanto tem-se observado o aumento da incidência em pacientes mais jovens. Os fatores de risco constitucionais mais importantes para o desenvolvimento do CBC são:

  • fotótipos claros (I e II pela classificação de Fitzpatrick),
  • história familiar positiva de CBC,
  • sardas na infância,
  • pele, olhos ou cabelos claros.

A ocorrência de tumores consecutivos é frequente, e a reincidência é mais comum no primeiro ano. Os CBCs podem apresentar tamanhos variados, desde poucos milímetros até vários centímetros dependendo do tempo de evolução. Cinco tipos são descritos: nódulo-ulcerativo, pigmentado, fibrosante, superficial e fibroepitelioma, podendo haver discordância entre os autores.

O tratamento cirúrgico consiste em retirada total da lesão. O planejamento da cirurgia dependerá da área afetada. Em alguns casos pode ser necessária a presença do patologista para congelação da peça e determinação de limites de segurança. A cirurgia de Mohs pode ser necessária em alguns casos como recidivas, tumores mal demarcados ou áreas críticas como olhos, nariz e lábios. Tratamentos alternativos para pequenas lesões como criocirurgia e tratamentos tópicos podem ser considerados.

Carcinoma basocelular na orelha

Veja também: ‘Recomendações para o rastreio do câncer de pele’

Carcinoma espinocelular

O carcinoma espinocelular ou de células escamosas constitui a segunda neoplasia de pele mais frequente e apresenta índice de cura superior a 90%, quando tratado na fase mais inicial. Tumores maiores e uma pequena fração dos tumores iniciais costumam apresentar evolução desfavorável, representada pelas recidivas loco-regional e à distância, apesar do tratamento inicial.

O carcinoma espinocelular (CEC) ou epidermoide constitui uma neoplasia maligna que surge na epiderme e atinge os queratinócitos. O aumento de sua incidência tem sido constatado em diversos países da Europa e também na Austrália.

Estudos longitudinais realizados nos EUA e Canadá demonstraram crescimento de 50 a 200% na incidência do CEC nos últimos trinta anos, níveis considerados alarmantes por CHERPELIS et al. (2002). Nos EUA, a despeito da pesquisa intensiva, a causa desse aumento dos cânceres espinocelulares permanece sem esclarecimento, entretanto presume-se que dois fatores estão relacionados ao aumento: alterações nos hábitos de exposição ao sol e a depleção no ozônio estratosférico, mesmas causas relacionadas ao CBC.

O carcinoma espinocelular apresenta potencial para recorrer, através de metástase loco-regional para linfonodos e para órgãos à distância. A média de recorrência local é de cerca de 3 a 18% com seguimento maior ou igual a cinco anos para todas as modalidades de tratamento.

Segundo LEVER e FARR (1994), o CEC cutâneo apresenta metástase em 2 a 3% dos casos. Esse risco varia, dependendo da área atingida e estima-se que para os lábios e orelhas o risco é de 10 a 15%, e de 2% em outras áreas expostas ao sol. Em relação às orelhas, em estudo realizado por WEINSTOCK et al. (1991) sobre mortes causadas por CEC no período de 1979 a 1987, verificou-se que a localização auricular ocorreu em 47% dos tumores.

O tratamento considerado padrão é cirúrgico e consiste na ressecção do tumor com margens de segurança mínimas de 0,5 cm e que podem ser maiores, chegando até um centímetro, dependendo de fatores como tamanho, padrão de invasão tumoral e grau de diferenciação histológica (BRODLAND e ZITELLI, 1992). RINKER et al. (2001), ao estudarem o CEC, sugeriram a importância de se identificar os tumores mais agressivos e que requerem, portanto, seguimento mais estreito e a realização de outros tratamentos como cirurgia micrográfica, linfadenectomia ou radioterapia.

Mais do autor: ‘Cirurgia Plástica Estética: como identificar um paciente não elegível?’

Melanoma

Melanoma cutâneo é a doença da pele que, apesar da localização externa, pode ser de difícil visualização para o paciente. Na maioria das vezes, apresenta fase de crescimento superficial prolongada, e é nesse período que as células tumorais estão confinadas à epiderme.

O melanoma cutâneo em lesões é reconhecido pelos pacientes pela alteração de cor, tamanho, forma e superfície, crescimento rápido, descamação, ulcerações, sangramento, prurido e dor. A doença é subdividida em quatro tipos: melanoma expansivo superficial (MES), melanoma nodular (MN), melanoma lentiginoso acral (MLA) e melanoma lentigo maligno (MLN).

– Melanoma expansivo superficial (MES) é o mais freqüente, em 70% dos casos. Segundo Fernandes e colaboradores (2005), possuem várias colorações como castanho, preto, róseo, violeta, hipopigmentação central e expansão periférica. Possui uma evolução crônica e depois de meses a anos, podem surgir nódulos elevados, sangramento, o que caracteriza o estágio mais avançado de crescimento vertical.

– Melanoma nodular (MN) é o segundo mais comum, mais frequente em pacientes do sexo masculino, apresenta-se como lesão populosa, elevada, de cor castanha, negra ou azulada. Não há fase prévia de crescimento radial (FERNANDES et al, 2005).

– Melanoma lentiginoso acral (MLA) é o tipo histológico mais agressivo dentre os melanomas, mais frequente em indivíduos não-caucasianos e não tem predileção por sexos. Encontrado nas regiões palmo plantares, extremidades digitais, mucosas e semimucosas, possui coloração acastanhada.

– Melanoma lentigo maligno (MLM) é pouco frequente, mais comum em idosos, localiza-se em área de fotoexposição crônica. Apresenta-se na cor acastanhada ou enegrecida, alcançando vários centímetros de diâmetro. Pessoas que vivem em países tropicais como Brasil e Austrália, este com o maior registro de câncer de pele no mundo, estão mais expostos a esse tipo de doença (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER). DES, et al, 2005).

O tratamento do melanoma cutâneo continua sendo baseado na cirurgia. Muito tem se discutido nos últimos 25 anos sobre a margem adequada de excisão primária. Vários estudos foram conduzidos nas décadas de 80 e 90 analisando as variáveis envolvidas na determinação de margem, sendo a espessura da lesão a principal delas.

Sendo assim, apesar de ainda existirem dúvidas, o consenso mais aceito é de que para lesões com invasão de até 1mm, a margem de 1cm é adequada. Para lesões com invasão superior, a margem de 2cm é a mais aceita.

Conclusão

O diagnóstico precoce para qualquer tipo de câncer de pele é fundamental. O autoexame e a dermatoscopia digital são importantes adjuvantes para que esses tumores tão comuns sejam rapidamente detectados e tratados com melhora do prognóstico.

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Referências:

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