Página Principal > Colunistas > Você sabe o que é displasia do desenvolvimento do quadril?
medica examinando bebe

Você sabe o que é displasia do desenvolvimento do quadril?

Antes conhecida como luxação congênita, atualmente, o termo mais correto para denominar possíveis alterações que atingem o quadril ao nascimento é displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Os recém-nascidos podem nascer com articulação do quadril luxada ou subluxada, o chamado quadril instável, e se essas afecções não forem diagnosticadas precocemente podem prejudicar posteriormente o desenvolvimento motor da criança.

Alguns quadris podem parecer normais ao nascimento, porém tornarem-se progressivamente luxados ou subluxados tardiamente e por isso o exame físico em busca dessa alteração deve ser feito rotineiramente em lactentes.

Existem alguns fatores de risco que tem relação com maior incidência da DDQ, são eles:

  • sexo feminino
  • primiparidade
  • mãe jovem
  • raça branca
  • apresentação pélvica ao nascimento
  • história familiar
  • oligodramnia
  • presença de malformações na coluna ou nos pés

Principalmente quando há dois desses fatores acima somados, deve-se fazer a investigação para presença de DDQ, que começa pelas manobras de Ortolani e Barlow, que podem ser feitas já na sala de parto. Para executá-las, o recém-nascido deve ser posicionado de frente para o examinador, em posição supina, com os quadris e os joelhos em posição de flexão de 90 graus e uma das mãos deve estabilizar a pelve.

Na manobra de ortolani fazemos um movimento leve de abdução do quadril, de preferência um lado de cada vez, com leve rotação externa da coxa; no caso da existência da luxação, com esse teste haverá a redução do quadril, com a colocação da cabeça femoral dentro do acetábulo, provocando a sensação de um “ressalto” ou “clunck” (manobra de ortolani positiva).

A manobra de Barlow, por outro lado, é provocativa, e permite o diagnóstico de instabilidade do quadril. Após a redução do quadril com a manobra de ortolani, faz-se a adução da coxa e exerce-se uma leve pressão em direção posterior, pelo joelho na direção vertical, provocando o deslocamento da cabeça femoral para fora do acetábulo. Se positiva, o examinador também sentirá um “clunck” ou “pistonagem” no quadril. Os dedos indicador e médio devem ser posicionados sobre o trocanter maior e o polegar na face interna da coxa.

Além do exame físico, podemos pesquisar a DDQ com exames de imagem. A radiografia de quadril não costuma ser útil porque as estruturas ainda são predominantemente cartilaginosas ao nascimento. Nesse caso, o exame mais indicado é a ultrassonografia de quadril, que pode confirmar o diagnóstico. Já a tomografia computadorizada é mais utilizada no controle da redução.

Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento deve ser logo instituído, com redução da articulação seguida de imobilização. Até os três meses de vida, a órtese mais utilizada para manter o quadril na posição correta (flexão e abdução) é o suspensório de Pavlik, que tem ótimas taxas de correção quando instalado precocemente. Após os três meses pode ser necessário uso de gesso ou até mesmo cirurgia.

Para o pediatra ou até mesmo o médico de família que faz acompanhamento de puericultura é fundamental o reconhecimento precoce da afecção e encaminhamento para o ortopedista, que poderá fazer a abordagem precoce e garantir o desenvolvimento normal dessa criança.

Quer receber diariamente notícias médicas no seu WhatsApp? Cadastre-se aqui!

Autora:

Referências:

  • Medicina Neonatal; A. Dutra; Revinter
  • Guarniero R.; Displasia do desenvolvimento do quadril: atualização; Rev. bras. ortop. vol.45 no.2 São Paulo  2010

4 Comentários

  1. Fernandoklaes

    Ótimo artigo! Muito importante para pratica pediátrica!

  2. Parabéns pelo excelente artigo!

  3. Valéria Sobreiro

    Excelente!Aguardando mais artigos! Amo vc minha dobrinha postiça!Como o tempo voo:vi vc nascer e agora essa médica brilhante!!

    • Ana Carolina Pomodoro

      Olá! Sou Ana Carolina, médica e colunista da PEBMED. Realmente, Dra Priscila é excelente médica e só veio a somar em nosso time de colunistas. Pode aguardar novos textos com muita qualidade e conteúdo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.