Você sabe qual exame realizado, alteração e diagnóstico da imagem?

Observando a imagem, você consegue identificar qual exame foi realizado, que alteração apareceu e qual o diagnóstico?

O exame de imagem em questão é a autofluorescência, evidenciando hiperautofluorescências circulares em região de disco óptico compatível com o diagnóstico de drusas de disco óptico. Em exames normais o disco óptico está todo hipoautofluorescente (negro).

As drusas de disco óptico, ou drusas de papila, são corpos hialinos que consistem de concreções de material amorfo, laminado, extracelular, usualmente calcificado. No que diz respeito à sua patogenia, admite-se que a formação de drusas está relacionada com a degeneração axonal da cabeça do nervo óptico. Na maior parte dos casos são esporádicas, embora alguns autores sugiram um caráter hereditário com transmissão autossômica dominante de penetração variável. Constituem uma das causas mais frequentes de pseudopapiledema, merecendo, por isso, especial atenção no diagnóstico diferencial.

As drusas podem ser ocultas, ou seja, situadas abaixo das fibras nervosas retinianas, o que geralmente ocorre na infância. Nesta situação, a confusão com edema de papila é muito frequente. A partir da primeira ou segunda década de vida, em geral, tornam-se visíveis à oftalmoscopia, o que facilita o diagnóstico. Ocorrem em 0,3-2,0% da população, sendo bilaterais em 75% dos casos. Ambos os sexos são afetados em percentuais semelhantes, havendo predominância em caucasianos.

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Na maioria das vezes são diagnosticadas incidentalmente, quando é realizada a fundoscopia. Os discos ópticos com drusas apresentam as margens indefinidas e as bordas elevadas, mas os vasos retinianos nas margens da papila se mostram bem definidos.

Em geral, os pacientes apresentam mínima ou nenhuma perda visual, assim como biomicroscopia e pressão intraocular normais. A perda acentuada da acuidade visual é rara, e quando presente, pode estar associado à obstrução vascular levando a neuropatia óptica isquêmica anterior.  Contudo, é comum as alterações campimétricas, sendo a mais frequente, o aumento da mancha cega, seguida dos defeitos arqueados.

Os exames complementares são de extremo auxílio no diagnóstico. A angiofluoresceinografia pode revelar a existência de autofluorescência e a não existência de extravasamento de contraste nas fases tardias do exame, como ocorre no edema de papila.

A ecografia do nervo óptico em modo A e B é um método eficaz ao evidenciar uma estrutura com alta refletividade no início do complexo de ecos correspondentes à área da papila. A tomografia de coerência óptica (OCT) é muito útil para evidenciar drusas profundas e avaliar a camada de fibras nervosas.

Ecografia ocular com estrutura com alta refletividade no início do complexo de ecos correspondentes à área da papila / Reprodução

Todos os pacientes com diagnóstico de drusas da papila devem ser observados regularmente, com campimetria e avaliação das fibras nervosas peripapilar.

Imagem gentilmente cedida pela Drª Patricia Paiva.

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Publicado por
Pedro Netto

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