Infectologia

Whitebook: celulite, como identificar?

Tempo de leitura: 2 min.

No Portal PEBMED essa semana, tivemos uma matéria sobre a diferenciação de celulite de outras causas de vermelhidão nas pernas na Atenção Primária e esse vai ser o assunto da nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision.

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Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é parte de uma conduta do Whitebook e é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

Anamnese da celulite

Principais queixas: Dor, eritema sem limites bem definidos, edema e calor no local da lesão, de surgimento agudo ou subagudo (insidioso). Na maioria dos casos não acompanhados por sinais sistêmicos, sendo a presença desses um marcador de gravidade.

Sinais sistêmicos: Febre, calafrios, adinamia e queda do estado geral.

Locais mais comuns de acometimento: Membros inferiores; face e região periorbital; parede abdominal e região anal.

Fatores de risco: Diabetes; quebra da barreira cutânea (picadas de inseto, traumas, escoriações, uso de drogas injetáveis); inflamação ou infecção de pele preexistente; edema crônico (insuficiência cardíaca, insuficiência venosa ou obstrução linfática).

Exame Físico

Descrição da lesão: Placa com eritema discreto, limites da lesão mal definidos, dor local e calor evidentes. Evolução mais arrastada. Uma evolução rápida, tendendo a necrose superficial, sugere fasciíte necrosante.

Linfangite: Pode acometer linfáticos, causando um quadro de linfangite local e acometimento de linfonodos regionais, inclusive folículos capilares, criando a típica aparência em casca de laranja (peau d’orange).

Observação: Na ocorrência de gangrena e crepitação local, a etiologia da celulite inclui também a presença de germe anaeróbio.

Marcadores de gravidade:

  • > 60 anos de idade;
  • Acometimento facial;
  • Imunossupressão;
  • Sinais de sepse;
  • Resistência ao tratamento ambulatorial.

Pearls & Pitfalls: Diferenciando Celulite x Erisipela

A erisipela, por acometer apenas a derme superior e os linfáticos superficiais, apresenta-se com lesões mais bem delimitadas do que a celulite, que acomete a derme profunda e o tecido celular subcutâneo, apresentando característica mais infiltrativa e mal delimitada.

A erisipela apresenta início agudo e exuberante, com sinais sistêmicos de febre e calafrios, enquanto a celulite apresenta um curso mais arrastado, com sintomas sistêmicos mais tardios.

Apenas a erisipela é capaz de acometer a orelha (sinal de Milian), visto que não apresenta derme profunda e subcutânea.

Telemedicina

O que abordar na consulta de teleatendimento?

  • Observar os aspectos da lesão, incluindo comparativamente os membros ou regiões saudáveis;
  • Avaliar a presença de fatores de risco associados como diabetes; infecção por HIV; obesidade; quebra da barreira cutânea (picadas de inseto, traumas, intertrigo, escoriações, uso de drogas injetáveis); história de faringite recente; inflamação ou infecção de pele preexistente; edema crônico (insuficiência cardíaca, insuficiência venosa ou obstrução linfática);
  • A maior efetividade ocorre ao iniciar o tratamento nas primeiras 24-72 horas da doença.
  • Indicar repouso no leito. Se for indicado, com o membro elevado para facilitar a drenagem por gravidade do edema e das substâncias inflamatórias;
  • Indicar uso de compressa de gelo sobre o local, por 15 minutos, 3-6x/dia.

Como identificar sinais de piora do quadro?

  • Persistência, refratariedade ou piora do quadro inicial em 24-48 horas, desde o início da antibioticoterapia e cuidados adequados.

Quando voltar a ligar por teleatendimento e quando procurar diretamente um serviço de saúde?

  • Em caso de persistência ou piora do quadro inicial em 24-48 horas desde o início da antibioticoterapia e cuidados adequados, é necessária a investigação presencial quanto a necessidade de internação;
  • Mediante a presença de sinais de complicações, como > 60 anos de idade, acometimento facial, imunossupressão, sinais de sepse e resistência ao tratamento ambulatorial, o paciente também deve ser orientado a procurar o serviço de saúde.
Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia a dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.

 

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Publicado por
Carol Meneses

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