Oftalmologia

Whitebook: como diagnosticar uveíte anterior?

Tempo de leitura: 4 min.

Nesta semana, publicamos um estudo sobre a relação da vacina contra covid-19 e uveítes não infecciosas. Por isso, em nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, vamos abordar a apresentação clínica e diagnóstica da uveíte anterior, a principal condição apresentada.

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Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é parte de uma conduta do Whitebook e é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

Uveíte anterior

Etiologias da forma aguda

  • Idiopática;
  • Uveíte associada com HLA-B27: É a principal causa diagnosticada de uveíte anterior (40-70%). Esse haplótipo é associado à espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, artrite psoriática, doença inflamatória intestinal, artrite reativa e outros. Apresenta, de modo característico, uma uveíte alternante, recorrente e bilateral;
  • Uveíte facogênica: Decorre de extração incompleta de catarata, trauma com dano à cápsula do cristalino ou catarata hipermadura;
  • Irite pós-operatória: Inflamação da câmara anterior seguindo-se à cirurgia intraocular. Considerar endoftalmite se houver dor e inflamação severa;
  • Síndrome de uveíte-glaucoma-hifema: Inflamação relacionada com lentes intraoculares, principalmente as de câmara anterior;
  • Doença de Behçet: Quadro de hipópio agudo, irite, úlceras aftosas, ulcerações genitais, eritema nodoso, hemorragias e vasculite retiniana. Ocorre principalmente em adultos jovens e pode haver episódios recorrentes;
  • Doença de Lyme: Associada à erupção e à picada de carrapatos;
  • Isquemia de segmento anterior: Quadro de flare desproporcional à reação celular e dor. Associado à insuficiência carotídea, cinturão escleral apertado ou cirurgias musculares prévias;
  • Outros agentes infecciosos que podem causar uveíte anterior: Caxumba, influenza, adenovírus, sarampo, Chlamydia, leptospirose, doença de Kawasaki e doença por Rickettsia.

Etiologias da forma crônica

  • Artrite idiopática juvenil (AIJ): Em geral, em meninas jovens, pode ser indolor e assintomática, com mínima injeção. Pode ocorrer uveíte na AIJ poliarticular, mas é vista com mais frequência na variante pauciarticular (quatro articulações ou menos);
  • Ciclite heterocrômica de Fuchs: Poucos sintomas, com atrofia difusa do estroma da íris e precipitados finos. Opacidades vítreas, glaucoma e catarata são comuns;
  • Sarcoidose: Bilateral, pode ter sinéquias posteriores extensas ou nódulos conjuntivais;
  • Herpes simples ou herpes-zóster: Cicatrizes corneanas, olho vermelho recorrente unilateral, pressão intraocular aumentada e atrofia de íris;
  • Sífilis: Pode ter erupção maculopapular, roséola de íris e ceratite intersticial;
  • Tuberculose: Ocasionalmente, com ceratite intersticial ou flictenular e em alguns com uveíte posterior;
  • Hanseníase;
  • Brucelose.

Apresentação clínica

Anamnese

Quadro clínico:

  • Agudo: Início súbito de dor unilateral, fotofobia, lacrimejamento, borramento visual e hiperemia ocular. Pode haver fotofobia consensual (dor no olho afetado, quando a luz é direcionada para o outro olho);
  • Crônico: Visão diminuída (por debris vítreos, edema macular cistoide ou catarata). Pode apresentar exacerbações e remissões com poucos sintomas agudos.

Fatores de risco:

  • Diagnóstico de espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, artrite psoriásica, doença inflamatória intestinal, doença de Behçet, doença de Lyme, AIJ, ciclite heterocrômica de Fuchs, sarcoidose, herpes simples/zóster, sífilis, tuberculose, caxumba, influenza, clamídia, leptospirose, doença de Kawasaki, doença por Rickettsia, hanseníase, brucelose;
  • Cirurgia de catarata;
  • Cirurgia de introflexão escleral;
  • Insuficiência carotídea.

Exame oftalmológico

  • Injeção ciliar formando um anel violáceo;
  • Miose, que predispõe a formação de sinéquia anterior;
  • Células e flare na câmara anterior;
  • Células no vítreo anterior (iridociclite);
  • Hipópio (associação com HLA-B27, doença de Behçet);
  • Fibrina na câmara (HLA-B27 ou endoftalmite);
  • Nódulos na íris (sarcoidose, sífilis, tuberculose);
  • Atrofia de íris (herpética);
  • Heterocromia da íris (ciclite heterocrômica de Fuchs);
  • Sinéquias da íris (HLA-B27 e sarcoidose);
  • Ceratopatia em faixa (AIJ em pacientes mais jovens ou qualquer uveíte crônica em idosos);
  • Precipitados ceráticos finos “estrelados”: As causas mais comuns são herpes, iridociclite heterocrômica de Fuchs, retinite por CMV;
  • Precipitados ceráticos pequenos, não granulomatosos: Associados a HLA-B27, trauma, artrite idiopática juvenil;
  • Precipitados granulomatosos (grandes, tipo “mutton fat“): Associados à sarcoidose, sífilis, tuberculose, síndrome de Vogt Koyanagi Harada;
  • Pressão intraocular diminuída (redução da secreção de humor aquoso pelo epitélio ciliar) na maior parte dos casos, exceto nos casos de uveíte hipertensiva (como na herpética, síndrome de Posner-Schlossman, ciclite heterocrômica de Fuchs).

Abordagem diagnóstica

  • Obter histórico e revisão de sistemas;
  • Exame ocular completo, incluindo biomicroscopia, tonometria e fundoscopia. Avaliar o vítreo em relação à presença de células;
  • Se for bilateral, granulomatosa ou recorrente, e o exame e o histórico não forem dignos de nota, uma avaliação inicial não específica deve ser feita com VDRL, FTA-ABS, PPD, radiografia de tórax, ECA, sorologia para Lyme, VSG e HLA-B27;
  • Se um diagnóstico específico for suspeito, realizar avaliação apropriada.
Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia a dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.
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Publicado por
Redação do Portal PEBMED

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