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Whitebook: murcormicose

Tempo de leitura: 3 min.

Publicamos uma matéria sobre casos de Mucormicose  pós-Covid na Índia. Por isso, em nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do  Whitebook Clinical Decision vamos falar sobre a apresentação clínica dessa doença.

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Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é parte de uma conduta do Whitebook e é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

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Mucormicose

Quadro clínico:

Caracteriza-se por infarto e necrose dos tecidos do hospedeiro, e se baseia na localização anatômica. A mucormicose pode ser classificada em:

  • Rino-orbital-cerebral: Inicialmente mimetiza sinusite, geralmente unilateral, com cefaleia retro-orbitária, febre, dor em face, vertigem, hiposmia e congestão nasal, com progresso para descarga necrótica e ulceração nasal. Os sintomas tardios com edema orbitário e celulite facial são progressivos e podem indicar invasão da órbita com diplopia e perda visual, evoluindo com alteração do nível de consciência. Proptose, ptose, quemose e oftalmoplegia indicam extensão retro-orbitária. Os nervos cranianos V e VII são os mais frequentemente acometidos. A perda visual pode ocorrer com trombose arterial na retina.
  • Pulmonar: Apresentação rapidamente progressiva com febre, dispneia e tosse. A hemoptise pode ocorrer na presença de necrose em parênquima. O acometimento pulmonar geralmente ocorre concomitante com o envolvimento dos seios paranasais. Os sinais são inespecíficos com febre frequentemente presente. Eventualmente a celulite em parede torácica pode ocorrer adjacente à doença parenquimatosa. A infecção pode se propagar para estruturas contíguas como mediastino e coração, ou apresentar disseminação hematogênica para outros órgãos;
  • Cutânea: Manifesta-se como celulite com progressão para necrose dérmica e formação de escara. A lesão necrótica progressiva indica invasão vascular. Geralmente esta relacionada a inoculação dos esporos na derme. A mucormicose cutânea está frequentemente associada com traumas ou feridas;
  • Gastrintestinal: Afeta principalmente o estômago, íleo e cólon, apresentando-se com dor abdominal, distensão, náusea e vômitos. Podem ocorrer hematêmese, hematoquezia ou obstrução. A peritonite é uma possível evolução do quadro devido a perfuração intestinal;
  • Disseminada: Pode acometer rins, ossos, coração e outras localizações;
  • Manifestações incomuns: A afecção isolada do sistema nervoso central parece decorrer da fungemia intermitente, e se manifesta com cefaleia, alteração do nível de consciência e sinais ou sintomas neurológicos focais ao acometimento de nervos cranianos.

As complicações incluem:

  • Disseminação para órgãos adjacentes (ex.: osteomielite);
  • Cegueira após invasão do globo ocular;
  • Trombose do seio cavernoso com paralisia de nervos cranianos e possível extensão da infecção para o cérebro e meningite;
  • Abscesso cerebral: Infarto do sistema nervoso central com isquemia e necrose;
  • Infiltração pulmonar;
  • Lesões cavitárias pulmonares;
  • Hemorragia pulmonar;
  • Perfuração intestinal;
  • Sepse.

Marcadores de gravidade: Extensão da doença, especialmente acometimento cerebral na mucormicose rinocerebral (invasão orbitária, alteração do nível de consciência e outros), doença pulmonar ou gastrintestinal avançada, doença disseminada.

Fatores de risco: Imunocomprometimento incluindo diabetes descompensada especialmente em cetoacidose, neutropenia em uso de antimicrobianos de amplo espectro, pacientes hemato-oncológicos ou transplantados em reação ao enxerto, desnutrição, quebra da barreira hematoencefálica (trauma, queimaduras, cirurgias, uso de drogas intravenosas), tratamento com deferoxamina, excesso de ferro sérico e desnutrição. Poucos casos de mucormicose têm sido descritos em pacientes com AIDS.

Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia a dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.
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Publicado por
Carol Meneses
Tags: murcomicose

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