Xerostomia em cuidados paliativos: intervenções da enfermagem

A xerostomia é definida como a sensação de secura da cavidade oral. Este é um sintoma altamente prevalente em pacientes com doenças progressivas e avançadas

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A xerostomia é definida como a sensação de secura da cavidade oral que pode ser experienciada pela diminuição da produção de saliva, mudança na composição tornando-a mais espessa ou a completa falta de produção pelas glândulas salivares. O sintoma geralmente tem origem multifatorial, mas pode ser classificado em dois grupos: o primeiro causado por disfunção das glândulas salivares e o segundo pela sensação subjetiva de secura na cavidade oral, no entanto, a função das glândulas permanece normal.

Em pacientes com doenças progressivas e avançadas as principais causas podem ser:

  • Alterações estruturais das glândulas salivares: aplasia e hipoplasia de glândulas salivares; atrofia glandular pós-radioterapia; doenças autoimunes; doenças nas glândulas relacionadas ao HIV; sarcoidose no idoso;
  • Alterações funcionais das glândulas salivares: redução de mastigação; medicações; tabagismo; desidratação; condições psiquiátricas (esquizofrenia, depressão); comorbidades (diabetes);
  • Fatores relacionados maior consumo de saliva: respiração pela boca, próteses dentárias.

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A sensação de boca seca é um sintoma altamente prevalente em pacientes com doenças progressivas e avançadas. Evidências demonstram que a xerostomia é um sintoma que atinge cerca de 22 a 26% da população em geral, porém pode chegar 78% a 82% em pacientes com câncer avançado. Em outro estudo realizado na Inglaterra com pacientes oncológicos em fase final de vida revelou que xerostomia foi um dos sintomas mais prevalentes atingindo cerca de 77% dos participantes. Apesar de a maioria dos estudos terem sido realizados com pacientes oncológicos, a xerostomia também pode estar presente em outras condições crônicas, como pacientes neurológicos, com condições congênitas, doenças respiratórias entre outras.

Em cuidados paliativos, devido à complexidade e diversidade de sintomas e necessidades que os pacientes apresentam, muitas vezes, sintomas considerados menores, como a boca seca, são subdiagnosticados ou negligenciados. No entanto, um dos poucos estudos comparando a xerostomia com outros sintomas revelou que a sensação de boca seca é considerada o terceiro sintoma mais angustiante dentre os sintomas mais comuns na abordagem paliativa.

xerostomia

Abordagem da xerostomia

As melhores práticas relacionadas aos cuidados da cavidade oral fundamentam-se em que a equipe multiprofissional esteja atenta a estes sintomas e em como eles interferem ou podem estar associados a outros sintomas ou condições, como, por exemplo: emagrecimento, falta de apetite, dificuldade de deglutir alimentos, desidratação, lesões na cavidade oral, halitose, entre outros. A equipe de enfermagem, pela proximidade com as ações assistenciais, deve estar apta para realizar ações de prevenção, identificação e abordagem terapêutica.

Sendo assim, as principais intervenções de enfermagem relacionados à xerostomia:

  • Investigar e tratar as causas reversíveis e complicações;
  • Realizar exame de cavidade oral;
  • Prevenir e identificar lesões na mucosa oral;
  • Manter lábios hidratados: óleos com vitamina E são excelentes cicatrizantes para lábios secos e com fissuras;
  • Promover medidas multiprofissionais e sempre que acessível incluir o acompanhamento de odontólogo;
  • Revisar medicações e discutir possível suspensão ou substituição de medicações que contribuam para sensação de boca seca;
  • Evitar consumo de alimentos açucarados e apimentados;
  • Orientar aumento da ingesta de líquidos no período diurno, desde que sem açúcar e cafeína;
  • Desde que possível incentivar o uso de chicletes medicinais para estimular a salivação;
  • Orientar chupar balas de vitamina C e ingestão de alimentos (ex.: frutas) e líquidos ácidos. Atenção! Contraindicado aos pacientes com mucosite, fissuras ou outras lesões em cavidade oral;
  • Orientar higiene oral que deve ser realizado após 30 minutos depois de cada refeição ou sempre que necessário, com escovas de cerdas macias ou gazes de algodão;
  • Enxaguante bucal com clorexidina, sem álcool, pode ser um antisséptico útil no controle de gengivite; pode ser usado duas vezes ao dia e por, no máximo, duas semanas a cada três meses. O uso excessivo apresenta efeitos colaterais desagradáveis;
  • Solução com uma colher de chá com bicarbonato de sódio e 240 mL de água podem ser utilizados para limpeza da cavidade oral e retirada de crostas;
  • Utilizar creme dental com flúor não abrasivo e com agentes de sabor neutro, que não irritem as gengivas;
  • Saliva artificial e lubrificantes devem ser utilizados a cada 2-3 horas, sendo recomendável o uso de produtos com pH neutro.

Sendo a xerostomia um sintoma angustiante e altamente prevalente em pacientes com doenças progressivas e avançadas, preconiza-se que a equipe multiprofissional esteja atenta na interferência desse sintoma sobre a capacidade do paciente de deglutir, falar e ter participação integral em sua vida social, portanto, afeta diretamente a qualidade de vida. Além disso, devido à incipiência de estudos relacionados à xerostomia em cuidados paliativos, recomendam-se também novos estudos, principalmente os que ajudem a formular a prática clínica dos profissionais inseridos no cuidado, principalmente a equipe de enfermagem.

Referências bibliográficas:

  • Fleming M, Craigs CL, Bennett MI. Palliative care assessment of dry mouth: what matters most to patients with advanced disease? Support Care Cancer. [Internet]; 2019; [citado em setembro de 2019].
  • Buduhan V et. al. Symptom Management Guidelines: Xerostomia. BC. Cancer. [Internet]; 2019; [citado em setembro de 2019].
  • Ferrel BR, Coyle N. (ed.). Textbook of Palliative Nursing (e-book). 5th ed. Oxford University Press. [Internet]; 2019; [citado em agosto de 2019].
  • Cherny N, Fallon M, Kaasa S et. al. [ed.]. Oxford Textbook of Palliative Medicine. Oxford University Press Fifth Edition. [Internet]; 2015; [citado em 2019].
  • Academia Nacional de Cuidados Paliativos (BR). Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2 ed. [Internet]; 2012; [citado emsetembro de 2019].

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