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Yoga e mindfulness no tratamento de Alzheimer com comprometimento cognitivo leve

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De acordo com as projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025, a população de idosos no país irá crescer 16 vezes contra 5  vezes a população total. Isso colocará o Brasil, em termos absolutos, como a sexta população de idosos do mundo.

Kay e Tasman (2002) observaram que a doença de Alzheimer duplicava a cada cinco anos. Ocorria, principalmente, na faixa etária de 65 a 85 anos. Entretanto, o início dos sintomas iniciava-se por volta dos 40 anos.

Na fase inicial do Alzheimer, é comum o aparecimento de um comprometimento cognitivo leve (CCL). Como ainda não existe nenhum tipo de medicamento nesses casos, o indicado é o tratamento com a realização de algumas intervenções, que podem ajudar a diminuir essa síndrome. A principal delas envolve o treinamento da memória, estimulando o paciente a aprender coisas novas.

Práticas como yoga e mindfulness estão sendo utilizadas nos Estados Unidos e em países da Europa no tratamento de pacientes com Alzheimer para tentar amenizar ou até mesmo reverter esse quadro.

O tema foi um dos debatidos no Congresso Internacional da Associação de Alzheimer, realizado em julho deste ano, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“A ciência continua evoluindo em pesquisas que comprovam a eficácia dessas práticas, onde também há mais benefícios como a melhora da saúde, a diminuição de dores e a prevenção de doenças que começam a ser destacados. Esses benefícios podem abranger áreas da saúde mental, física e espiritual”, explica Marcella Bianca, neuropsicóloga e professora de pós-graduação em Neuropsicologia, mestra em Gerontologia e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNP), que participou do evento.

Yoga

O yoga é uma tradição indiana que conta com um conjunto de práticas psicofísicas. A sua prática já é aconselhada para os sistemas nacionais de saúde em todos os países membros da Organização Mundial da Saúde.

Quem pratica yoga há algum tempo sente-se mais flexível, dorme melhor, fica menos estressado e controla o seu peso.

A ciência continua evoluindo em pesquisas que comprovam essa eficácia, onde também há mais benefícios como a melhora da saúde, a diminuição de dores e a prevenção de doenças que começam a ser destacados.

Em fevereiro de 2019, foi publicado um artigo no American Journal of Geriatric Psychiatry onde os pesquisadores realizaram uma revisão da literatura para examinar o impacto do yoga em pessoas com MCI e demência.

Oito estudos foram identificados que relataram no yoga como a intervenção primária ou um componente de uma intervenção multicomponente em amostras de pessoas com MCI ou demência. Os resultados sugerem que a prática do yoga pode ter efeitos benéficos no funcionamento cognitivo, particularmente na atenção e na memória verbal.

Além disso, o yoga pode afetar o funcionamento cognitivo por meio da melhora do sono, do humor e da conectividade neural. Apesar dessas limitações, os profissionais de saúde podem considerar a recomendação de yoga para pessoas com CCL.

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Mindfulness

Dentro dessa onda de meditação e relaxamento mental, o mindfulness, que consiste na atenção plena, designa um estado mental que se caracteriza pela autorregulação da atenção para a experiência presente e também aparece como uma estratégia beneficiária para diversas doenças. As informações presentes em novas pesquisas são favoráveis ao uso de mindfulness no tratamento de doenças como Alzheimer, diabetes e câncer de mama.

As pesquisas sobre mindfulness ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. Entretanto, nos Estados Unidos, é possível notar resultados que sintetizam a sua eficácia. Dentre as doenças estudadas, o Alzheimer se destaca como uma das que apresentam melhores benefícios. Dentre esses benefícios também estão a redução do estresse e da ansiedade.

Em 2018, um estudo publicado na National Library of Medicine investigou a relação entre mindfulness, meditação, cognição e estresse em pessoas com doença de Alzheimer (DA), demência, comprometimento cognitivo leve e declínio cognitivo subjetivo.

Os autores pesquisaram como o uso da meditação pode reduzir o estresse e melhorar a cognição. O que, por sua vez, melhora alguns sintomas de demência.

Três estudos utilizaram a ressonância magnética funcional para medir as alterações funcionais nas regiões do cérebro durante a meditação. As intervenções caíram nas três categorias seguintes:

  • Atenção plena, mais comumente redução do estresse baseado em mindfulness (seis estudos); 
  • Kirtan Kriya meditação (três estudos);
  • Estimulação de Alzheimer baseada em mindfulness (um estudo). 

Três desses estudos foram ensaios controlados randomizados. Todos os estudos relataram descobertas significativas ou tendências em direção à significância em uma ampla gama de medidas. Incluindo redução do declínio cognitivo, redução do estresse percebido, aumento da qualidade de vida, aumento da conectividade funcional, alteração cerebral percentual do volume e fluxo sanguíneo cerebral em áreas do córtex.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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