Os distúrbios hipertensivos da gravidez continuam a ser um dos principais contribuintes para a morte materna e perinatal e resultam em riscos de saúde a longo prazo para a mãe e para a criança. O risco dessas complicações é maior quando a doença é grave e de início precoce, resultando em parto prematuro. As estimativas sugerem que a hipertensão arterial é responsável por aproximadamente um sexto de todos os nascimentos prematuros e está frequentemente associada à restrição do crescimento fetal.
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Metodologia
O estudo foi conduzido entre mulheres de um estudo prospectivo de base populacional no Quênia, Zâmbia, República Democrática do Congo, Paquistão, Índia e Guatemala. A população foi composta de nulíparas, com gestações únicas e idade gestacional entre 6+0 semanas e 13+6 semanas inscritas no ASPIRIN Trial.
Foram comparadas a incidência de distúrbios hipertensivos em três períodos de idade gestacional (<28, <34 e <37 semanas) entre mulheres que foram randomizadas para aspirina ou placebo. As mulheres incluídas foram randomizadas e tiveram uma resolução da gestação acima de 20 semanas (intenção de tratamento modificada).
O desfecho primário foram gestações com distúrbios hipertensivos da gravidez associados a parto prematuro antes de <28, < 34 e <37 semanas. Os desfechos secundários incluíram pequeno para a idade gestacional (PIG) <10º percentil, <5º percentil e mortalidade perinatal.
Resultados
Entre as 11.976 gestações, aspirina em baixa dosagem não reduziu significativamente distúrbios hipertensivos da gravidez associados a parto prematuro antes de 28 semanas (risco relativo [RR] 0,18, intervalo de confiança de 95% [IC] 0,02– 1,52); no entanto, antes de 34 semanas (RR 0,37, IC 95% 0,17–0,81) e de 37 semanas (RR 0,66, IC 95% 0,49–0,90).
A taxa geral de distúrbios hipertensivos não diferiu entre os dois grupos (RR 1,08, IC 95% 0,94–1,25). Entre aquelas gestações que tiveram distúrbios hipertensivos da gravidez, a presença de feto PIG (<10º percentil) foi reduzida (RR 0,81, IC 95% 0,67-0,99), embora fetos abaixo do percentil 5 não foi reduzida (RR 0,84, IC 95% 0,64-1,09). Da mesma forma, a mortalidade perinatal entre as gestações com hipertensão arterial ocorreu com menos frequência (RR 0,55, IC 95% 0,33–0,92) naquelas que receberam aspirina.
Conclusões
Nesta análise secundária de um estudo de gravidez única em nulíparas de baixo risco, a administração precoce de aspirina em baixa dosagem resultou em taxas mais baixas de distúrbios hipertensivos da gravidez associados a parto prematuro antes de 34 semanas e parto entre 34 e 37 semanas, mas não na taxa geral de hipertenL
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Mensagem prática
Esses resultados sugerem que a aspirina em baixa dosagem funciona em parte atrasando o aparecimento da hipertensão arterial na gravidez.
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