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Todo residente de Cirurgia Geral já se pegou dizendo: “Ele é um ótimo cirurgião. O melhor que já vi!” Mas, o que isso, de fato, significa? O que torna um cirurgião excepcional na sala de cirurgia? Ter boa técnica cirúrgica, um pode dizer! Será que essa definição realmente te satisfaz ou será que ela não simplifica e limita demais as atividades desempenhadas por esse profissional?
Apresentamos aqui um texto publicado no The Laryngoscope em que o autor propõe uma reflexão sobre essa questão. O Dr John Oghalai diz ser essa uma pergunta norteadora importante no recrutamento de novos médicos para um hospital.
O médico afirma também que todo cirurgião poderia se beneficiar ao tentar responder tal questão. Esse ato de autorreflexão poderia melhorar as habilidades cirúrgicas.
Mas como?
- Refletindo sobre o caminho que o cirurgião percorreu. Os anos de residência onde cada procedimento cirúrgico era ensinado etapa por etapa;
- Todo conhecimento adquirido nas sessões;
- As dicas absorvidas de cada professor;
Ele entende como sempre continuará a aprender, nos adaptando às mudanças na cirurgia que certamente ocorrerão durante sua carreira. Não entender isso, limita o potencial máximo do profissional, uma vez que reconhecer a grandeza cirúrgica é o primeiro passo para alcançá-la.
Além disso, entender o que pode fazer dele um grande médico, orienta e conforta o cirurgião no momento que precisa tomar decisões difíceis na sala de cirurgia. Não se firmar nesses princípios, pode limitar a prática cirúrgica à procedimentos de menor risco, pelo medo de se ter dificuldade em lidar com os desafios intraoperatórios.
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Portanto, o objetivo desse editorial é estimular cirurgiões formados e residentes a pensar por si mesmos nas características encontradas em grandes cirurgiões. O autor, ao pensar sobre suas próprias experiências, enumera algumas que seguem:
- Fazer uma medicina baseada em evidências: basear as ações em estudos recentes, ensaios controlados e randomizados, protocolos e diretrizes;
- Ter um plano cirúrgico bem pensado: todas as ações são justificadas com base no raciocínio médico lógico, no entendimento da anatomia, da doença e do tratamento adequado para tratá-la;
- Se sentir confortável no que está fazendo: os cirurgiões que o autor acompanhou tinham escrito algum capítulo de um livro ou artigos e tinham pesquisas em andamento, de forma que cada ação em campo era justificada por algum conceito retirado palavra por palavra das páginas de algum tratado;
- Transmitir segurança e confiança: Quando alguma coisa não sai conforme o esperado, não deve haver desespero ou ansiedade. O autor relata que os grandes cirurgiões que conheceu discutiam a questão, repassavam as etapas, decidiam o que fazer e então, executavam;
- Ser preciso e rápido em campo: Usar o mínimo de movimentos precisos de forma a encurtar o tempo esperado para um procedimento ser realizado.
O Dr John Oghalai também destaca algumas características consideradas ruins para um profissional:
- Ater-se a aspectos menos importantes dos procedimentos;
- Ter problemas de saúde que impedem a realização do procedimento com segurança;
- Não seguir as diretrizes e os protocolos, de forma que apesar da técnica cirúrgica impecável, os benefícios da realização do procedimento nunca superam os riscos.
Para o autor, o que diferencia bons cirurgiões dos excepcionais é a mente de cada um e não suas mãos. Um profissional fora dos padrões é o que pensa sobre a doença, pesquisa profundamente, escreve sobre ela, podendo usar esse conhecimento para realizar o procedimento adequado e tratar essa condição.
E para você, o que faz um bom cirurgião? Já tem a resposta?
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Referências:
- Oghalai J. What makes a great Surgeon? The Laryngoscope 129: 533-4; 2019.
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