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Ginecologia e Obstetrícia20 janeiro 2022

Infecção urinária na gestação: o que precisamos saber?

Tratamento da infecção urinária na gestação serão os antibióticos de amplo espectro, sejam eles dose única ou estendidos.

Por Juliana Esteves

A bacteriúria assintomática, definida como Urinocultura positiva com mais de 105 UFC, está presente em cerca de 2-5% das gestações. 

Um recente estudo da Cochrane envolvendo 2000 gestantes com bacteriúria assintomática evidenciou que o tratamento dessa entidade na gestação reduz o risco de pielonefrite aguda, prematuridade e baixo peso ao nascer, sem, no entanto, influenciar no óbito neonatal.

Infecção urinária na gestação

Tratamento da infecção urinária na gestação

O tratamento de primeira linha serão sempre os antibióticos de amplo espectro, sejam eles dose única como a fosfomicina ou estendidos com a nitrofurantoína.  Na presença de sintomas, definido como cistite, o esquema ampliado com amoxilina ou nitrofurantoina ou ainda a cefuroxima deve ser escolhido.  

No entanto, fundamental após qualquer tratamento para infecção urinária é a coleta de uma nova amostra de urina sete dias após o término do esquema escolhido para que tenhamos a certeza do tratamento adequado.  

Na vigência de sinais sistêmicos como náusea, febre e dor lombar, o diagnóstico de pielonefrite aguda deve ser levantado. Lembrando que 30% dos casos de bacteriúria assintomática evoluem para pielonefrite aguda.  

A internação da gestante portadora de pielonefrite é mandatória assim como a coleta de Urinocultura, hemocultura, hemograma, função renal e eletrólitos, seguida da instalação de antibioticoterapia venosa de amplo espectro.  

A manutenção do esquema venoso de antibiótico deve ser realizada até a paciente permanecer afebril por 48 horas. Sempre deve ser dada atenção a sinais e sintomas sugestivos de agravamento clínico materno com a sepse.  

Atenção deve ser dada aos casos obstrutivos que evoluem com pielonefrite, onde a intervenção cirúrgica é necessária, sendo a tomografia o padrão ouro do diagnóstico.  

A decisão cirúrgica para a litíase renal em gestante está indicada na presença de sepse materna (pielonefrite obstrutiva), dor refratária e insuficiência renal aguda obstrutiva.   

O uso ou não da tomografia está indicado a partir do momento em que o diagnóstico de litíase é fundamental para a definição de conduta, ou seja, quando o desfecho da paciente pode ser modificado após esse exame.  Dessa forma, o ultrassom de vias urinárias ainda ocupa um grande espaço nesse rastreio.  

 

Quer saber mais sobre gestação de alto risco? Conheça a GARexp, equipe formada por quatro obstetras que, através de um olhar diferenciado com vida acadêmica dedicada ao ensino e pesquisa, tem o desejo de aprofundar o conhecimento sobre a verdadeira “gestação de risco”.

Confira outros conteúdos da parceria da PEBMED com a GARexp:

Referências bibliográficas: 

  • kalinderi K, Delkos D, Kalinderis M, Athanasiadis A, Kalogiannidis I. Urinary tract infection during pregnancy: current concepts on a common multifaceted problem. J. Obstet Gynecol. 2018. May; 38(4):448-453.  
  • Smaill FM, Vazquez JC. Antibiotics for assyntomatic bacteriuria in pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews 2019, Issue 11 Art. No: CD000490.  
  • Grette K, Cassity S, Holliday N, Rimawi BH. Acute pyelonephritis during pregnancy: a systematic review of the aetiology, timing and reported adverse perinatal risk during pregnancy. J Obstet Gynaecol. 2020. Aug; 40 (6):739-748.  

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