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Carcinoma basocelular: veja as novas recomendações da AAD para tratamento

Tempo de leitura: 4 minutos.

O carcinoma basocelular, um dos componentes do grupo dos cânceres de pele não-melanoma, é a malignidade mais comum no homem, afetando mais de 3,3 milhões de pessoas anualmente nos EUA. O tratamento desta condição tem sido um componente substancial da prática clínica dos dermatologistas, que dispõem de inúmeras opções terapêuticas disponíveis.

A primeira conduta em relação a uma lesão suspeita de carcinoma basocelular é a realização da biópsia, tanto para confirmação diagnóstica, quanto para definição do subtipo histológico, se há ou não invasão além da derme reticular e envolvimento perineural.

Segundo o novo guideline da AAD, as técnicas de biópsia recomendadas para esse tipo de lesão são: punch, shave e biópsia excisional (diferente de excisão tumoral com margem de segurança). A escolha da técnica irá depender das características da lesão suspeita (morfologia, localização, etc) e do julgamento do médico dermatologista. O tamanho do fragmento retirado e a sua profundidade devem ser adequados para prover um acurado diagnóstico e, assim, guiar a escolha terapêutica. Para isso, se for necessário, deve-se considerar nova biópsia caso a primeira não tenha sido satisfatória.

Ao submeter o fragmento para análise histopatológica, os autores desse novo guideline recomendam que algumas informações-chave sejam submetidas em conjunto. Dentre elas temos:

a) Idade, sexo, localização anatômica da lesão e recorrência (extremamente recomendadas).
b) Tamanho da lesão, imunossupressão e histórico do paciente, principalmente, queimadura por radiação e transplante de órgãos (recomendadas).

Definido o diagnóstico de carcinoma basocelular e as características anatomopatológicas dessa lesão, o próximo passo é a escolha da terapia apropriada. Para isso, é recomendado um plano de tratamento que considere a taxa de recorrência, preservação da função, expectativas do paciente e possíveis efeitos adversos.

Apesar dos avanços nas terapias tópicas e sistêmicas, bem como de dispositivos de energia, a cirurgia continua sendo a pedra angular do tratamento dessa malignidade. Três modalidades de tratamento cirúrgico foram analisadas nesse guideline: excisão padrão, cirurgia micrográfica de Mohs e curetagem com eletrodissecação.

Para tumores de baixo risco, a curetagem com eletrodissecação ou a excisão cirúrgica com margens clínicas de 4mm e avaliação da margem histológica foram consideradas boas opções terapêuticas. Contudo, para tumores de alto risco, recomenda-se que seja realizada a excisão padrão ou a cirurgia micrográfica de Mohs.

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Além das opções cirúrgicas, outras técnicas terapêuticas também foram avaliadas, como a criocirurgia, terapias tópicas, terapia fotodinâmica e radioterapia. A criocirurgia pode ser considerada para carcinoma basocelular de baixo risco quando terapias mais efetivas são contraindicadas ou impraticáveis. Se a terapia cirúrgica não é viável ou preferida, a terapia tópica (por exemplo, imiquimod ou 5-FU), terapia fotodinâmica com MAL (metilaminolevinato) ou ALA (ácido aminolevulínico) e terapia de radiação (por exemplo, terapia de radiação superficial, braquiterapia, feixe de elétrons externo, etc) podem ser consideradas quando os tumores são de baixo risco, com o entendimento de que a taxa de cura pode ser menor. Recomenda-se o ajuste da dosagem terapêutica tópica com base na tolerância aos efeitos colaterais. Não houve evidência suficiente para recomendar o uso rotineiro de braquiterapia a laser ou eletrônica no tratamento do carcinoma basocelular.

Para os pacientes com lesão metastática, recomenda-se acompanhamento multidisciplinar para melhor decisão terapêutica. Esta deve ser individualizada, levando-se em consideração o perfil do paciente e as características das lesões. Cirurgias e medicamentos para quimioterapia sistêmica, como os inibidores da via Hedgehog, estão disponíveis para ajudar no tratamento de lesões metastáticas.

Uma vez que o carcinoma basocelular tenha sido diagnosticado em um paciente, o rastreio para novos cânceres primários da pele, incluindo os cânceres não-melanoma e melanoma, deve ser realizado pelo menos uma vez por ano. Esta recomendação decorre da evidência considerável de estudos de coorte e registros de que um paciente com pelo menos 1 carcinoma basoceluar está em risco de desenvolver novamente essa lesão, bem como outros cânceres de pele, incluindo carcinoma espinocelular e melanoma. Além disso, para estes pacientes o uso rotineiro de protetores solares é recomendado em combinação com outros comportamentos protetores do sol, como a procura de sombra e o uso de chapéus de aba larga. O aconselhamento sobre o autoexame da pele deve ser feito sempre que possível.

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Autor:

Referência:

  • Bichakjain C, Armstrong A, Baum C, et al. Guidelines of care for the management of basal cell carcinoma. J Am Acad Dermatol. 2018 Mar;78(3): 540-559.

Um comentário

  1. Gervásio Dirnei Larratea

    Muito bom, bastante esclarecedor.

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