Extração de colostro: como é em gestantes diabéticas?

Tempo de leitura: 3 min.

A presença de diabetes, pré-existente ou não, no período gestacional é considerada um fator de risco para determinadas situações de saúde após o parto, tanto para o bebê quanto para a mãe. O organismo da gestante diabética provoca uma maior exposição do bebê a níveis de glicose mais elevados do que o normal, ainda intraútero. Diante dessa situação, esses bebês aumentam a secreção de insulina. 

Após o nascimento, os bebês deixam de ficar expostos a níveis elevados de glicose e precisam reajustar a quantidade de insulina secretada. Até ocorrer esse ajuste, alguns bebês, nos primeiros dias de vida, podem apresentar quadros de hipoglicemia. Além disso, a presença de diabetes pode impactar no início da lactogenese II, impactando na produção de leite materno.

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Alimentação de recém-nascidos

Em situações normais, a quantidade de colostro produzida é suficiente para sanar as demandas nutricionais de um bebê nos primeiros dias. Entretanto, para os bebês de mães diabéticas, essas necessidades adicionais de glicose precisam ser ofertadas por outros meios como leite materno ordenhado, leite artificial ou soluções de glicose intravenosa. O que se vê na prática, com maior frequência, é a oferta de leite artificial para bebês de mães diabéticas. 

Com o objetivo de prevenir a exposição precoce de bebês de mães diabéticas ao uso de leite artificial, que contém proteína do leite de vaca, tem se considerado a prática de ordenha de colostro da mulher diabética, ainda no período gestacional, não só para estoque e oferta ao bebê no período pós-natal, como também para estimular maior fluidez de colostro após o parto.

Estudos sobre a extração de colostro em diabéticas

Uma revisão publicada em março de 2021, no International Berastfeeding Journal, identificou e selecionou estudos relevantes sobre a prática de extração de colostro no período gestacional em mulheres portadoras de diabetes. As buscas contemplaram estudos nos seguintes bancos de dados Medline (OVID), Embase (OVID), CINAHL (EBSCOHost), Cochrane Database of Systematic Reviews (OVID), banco de dados British Library E-Theses Online Services (EThOS) e OpenGrey, no período até janeiro de 2020. Um total de 20 estudos científicos foram selecionados, sendo 11 estudos realizados nos últimos cinco anos. Os estudos são da Nova Zelândia, Índia, Austrália, Reino Unido, Suécia e Estados Unidos.

Segundo a revisão, os estudos mostraram que a prática de ordenhar colostro no período gestacional pode ser indicada não só para coletar colostro para o uso pós-natal, como também para melhorar o sucesso da amamentação e promover lactogênse, não só em mulheres diabéticas, como também em outras situações, desde que a gestação seja de baixo risco.  

Quanto ao método, os estudos recomendam a ordenha manual, entretanto apresentam variações no tempo em que ela deve ser realizada, variando de cinco a dez minutos em cada mama, de uma a três vezes ao dia, até o parto.  Mais da metade dos estudos recomendam iniciar a ordenha entre 36 a 37 semanas do período gestacional. 

Leia também: Alergia a ovo e à proteína do leite de vaca e o surgimento de eczema em crianças

Um estudo randomizado trouxe evidências moderadas de que os bebês de mulheres diabéticas que realizaram expressão de colostro tinham maior propensão para o aleitamento materno exclusivo nos primeiros dias de vida, até a alta hospitalar. 

Considerações

Com base nos estudos científicos selecionados na revisão e em suas limitações de pesquisa, uma vez que só incluíram estudos em inglês e que possuíam textos completos, observa-se que ainda não temos, a nível mundial, altas evidencias científicas que comprovem os desfechos maternos e neonatais dessa prática. Novos estudos são importantes para fundamentar manuais e protocolos para implementação da prática de ordenha no período gestacional e oferta desse colostro pré-ordenhado nas maternidades. 

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Tozier PK, et al. Colostrum versus formula supplementation for glucose stabilization in newborns of diabetic mothers. J Obstet Gynecol Neonatal Nurs. 2013;42:619–28. doi: https://doi.org/10.1111/1552-6909.12260.
  • East CE, et al. Antenatal breast milk expression by women with diabetes for improving infant outcomes. Cochrane Database Syst Rev. 2014:CD010408. doi: https://doi.org/10.1002/14651858.CD010408.pub2.
  • Forster DA, et al. Safety and efficacy of antenatal milk expressing for women with diabetes in pregnancy: protocol for a randomised controlled trial. BMJ Open. 2014;4:e006571. doi: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2014-006571.
  • Casey JRR, et al. Perspectives and experiences of collecting antenatal colostrum in women who have had diabetes during pregnancy: a North Queensland semistructured interview study. BMJ Open. 2019;9:e021513. doi: http://dx.doi.org/10.1136/bmjopen-2018-021513

 

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Publicado por
Nathalia Schuengue

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