Enfermagem

Os impactos da pandemia de covid-19 na imunização infantil

Tempo de leitura: 2 min.

Coautora: Mariana Marins. Enfermeira, especialista em saúde da família. Mestre em educação pela Universidade Federal Fluminense. Experiência na gestão de unidade básica de saúde no Município do Rio de Janeiro e atualmente Gestora em Saúde no Município de Maricá.

A pandemia de covid-19 provocou um enorme retrocesso na vacinação infantil nos anos de 2019 e 2020, no mundo todo. Segundo a Unicef e a Organização Mundial de Saúde, estima-se que cerca de 23 milhões de crianças não receberam vacinas básicas de rotina.

No Brasil, segundo informações do DATASUS do Ministério da Saúde, os índices de cobertura vacinal vem caindo cada vez mais. As taxas de vacinação contra a Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) caíram de 86,2% em 2017 para 71,4% em 2021. A imunização contra poliomielite apresentou uma queda na adesão ainda mais expressiva, caindo de 96,5% em 2012, para 67,6% no último ano. Em 2021, a vacinação contra rotavírus também apresentou queda de 18% na adesão.

Durante o período pandêmico, a drástica redução da vacinação infantil aumentou de forma exorbitante o risco de retorno de doenças fatais, que antes estavam controladas e/ou erradicadas.

Essa situação foi reflexo não só do temor que as famílias tinham em exporem seus filhos ao novo coronavírus, como também de orientações equivocadas, inclusive de alguns municípios, de que as crianças deveriam ficar em suas residências, em isolamento social e evitar o comparecimento nas unidades de saúde a fim de reduzir a exposição ao vírus.

É importante ressaltar que, essas orientações contrariam as recomendações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, de que mesmo durante o período de pandemia, o Calendário Nacional de Imunização Infantil deveria ser mantido.

Imunização contra covid-19

Em 2020, ainda não existia vacina contra a covid-19 e criaram-se novas estratégias para a vacinação de idosos, população indígena e profissionais de saúde — grupos com maior risco de contaminação e agravamento no início da pandemia — e justifica a vacinação de quase 100% desses grupos. As crianças, no entanto, não foram contempladas inicialmente na campanha de vacinação contra a covid-19.

Embora tenha havido aumento na taxa de vacinação dos idosos, da população indígena e dos profissionais de saúde em 2020, no ano seguinte houve drástica redução, pois esses foram os primeiros grupos a entrarem nos grupos para campanha de vacinação contra a covid-19 — iniciada em fevereiro de 2021 — e receberam a recomendação de aguardar 15 dias entre a vacinação da covid-19 e da Influenza.

Cabe observar que a ausência de conhecimento acerca da influenza e a grande divulgação sobre o coronavírus pode ter causado a falsa impressão à população geral de que ao vacinar-se contra a covid-19 estariam também imunizados contra a gripe.

Vacinação infantil contra influenza: Ministério da Saúde reduz faixa etária de campanha nacional

É válido salientar que a campanha de vacinação contra a covid-19 ainda encontra-se em andamento e que o país está em período de vacinação infantil. Nesse ínterim, crianças a partir de cinco anos são recomendadas a priorizarem a vacinação contra a covid-19 e realizarem o intervalo de, pelo menos, 15 dias para se vacinarem contra a influenza caso se enquadrem em algum público alvo, como indígenas e comorbidades.

Nessa perspectiva, vale informar que a vacinação contra o coronavírus é facultativa em crianças de 5 anos a 12 anos e que a criança que comparecer na unidade de saúde nessa faixa etária deverá ser informada que não está contemplada no grupo prioritário da 24ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, entretanto, poderá ter sua caderneta vacinal avaliada para atualizar as vacinas do Plano Nacional de Imunização (PNI) e do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 (PNO).

Já as crianças de seis meses à quatro anos, 11 meses e 29 dias estarão no grupo de vacinação da Campanha de Influenza e de Sarampo, que ocorrerão entre 4 de abril e 3 de junho.

Sendo assim, espera-se que haja maior intensificação da vacinação infantil e melhoria na adesão em consequência da diminuição dos casos de covid-19 no Brasil e, em consequência, da pandemia.

 

Compartilhar
Publicado por
Nathalia Schuengue

Posts recentes

Whitebook – Doença da Arranhadura do Gato (DAG)

A DAG é desenvolvida pelo contato da pele humana com as unhas ou a língua…

1 dia atrás

Vaginose bacteriana: como identificar e abordar essa condição?

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres na…

2 dias atrás

Mais de 30 conteúdos novos no Whitebook; confira

Esta semana, o Whitebook ganhou 33 conteúdos novos. Além disso, 170 foram atualizados. Veja os…

2 dias atrás

Explorando emoções e percepções do paciente

Na terceira publicação da série Comunicação Médica, abordamos a importância da valorização das emoções na…

2 dias atrás

Informe-se sobre o piso salarial da enfermagem

A lei 14.434 institui o piso salarial de enfermagem, para enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares…

2 dias atrás

Hemorragia pós-parto: Quais são os fatores de risco para falha do tamponamento intrauterino?

Um trabalho revisou quais fatores poderiam facilitar a falha do tamponamento por balão em pacientes…

2 dias atrás