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recem nascido nos braços do pai

Prematuros extremos: o que mudou no atendimento?

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Sabemos que a medicina avançou muito nos últimos 30 anos. Na neonatologia, os avanços saltam aos olhos mudando de forma crescente a sobrevivência de recém-nascidos cada vez mais prematuros e portadores de mal formações que antes eram consideradas incompatíveis com a vida.

A sobrevivência destes bebês antes considerados inviáveis nos trouxe junto a missão de devolver às famílias e à sociedade uma criança que possa desenvolver de forma plena o seu potencial cognitivo e afetivo.

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Mostrarei os avanços que a meu ver mais saltam aos olhos e diminuem sequelas futuras, mas devemos considerar a realidade de cada hospital e região do país:

– Dieta:

Atualmente o número de prematuros extremos que ficam é dieta zero por dias afins é cada vez menor. O início precoce da dieta e da colostroterapia traz benefícios metabólicos a longo prazo. A progressão da dieta também se faz de forma mais rápida e dinâmica, permitindo a retirada de cateteres profundos mais precocemente, o que diminuiu muito o número de infecções associadas a cateteres nas unidades que assim o fazem.

A mudança na nutrição parenteral com taxas maiores de aminoácidos e acréscimo de lipídeos com ômega 3, melhoram o ganho de peso, diminui tempo de internação e diminui as doenças metabólicas no adulto que foi prematuro extremo.

– Respiratório:

Os estudos sobre o bubble CPAP mostraram sua importância e levaram a sua promoção a “queridinho na UTI neonatal e salas de parto”. Há alguns anos, todos os nossos prematuros extremos eram sumariamente entubados para receber surfactante e no TOT continuavam por dias. Hoje, nossa realidade mostra como padrão-ouro que este RN, ainda na sala de parto, deve ser acoplado ao CPAP. Se necessário, na unidade será feito surfactante ou por laringoscopia direta e aplicação do mesmo com sonda ou por INSURE: entuba, faz surfactante, extuba e acopla ao CPAP. Com isto diminuímos drasticamente os bebês broncodisplásicos.  Aprendemos que estes bebês em oxigênio terapia não precisam e não devem saturar a 100%, o oxigênio lesa a retina e leva a retinopatia que também tem sua diminuição atrelada ao menor tempo de oxigênio.

Mais da autora: ‘Diretriz considera medida de pressão arterial obrigatória na rotina pediátrica’

-Humanização:

De todos os avanços que já mencionei e dos que ainda irei citar, esta área, a meu ver, é a mais importante. Nos últimos anos, conseguimos fazer a maioria das equipes de saúde entenderem que naquelas incubadoras temos pequenos cérebros em desenvolvimento e pequenos bebês sumariamente retirados dos colos de suas famílias. Aprendemos a tornar as UTIs menos frias e mais acolhedoras com luzes apagadas, canguru, rede e imersão terapia, colostroterapia. Com isso, temos conseguido manter o vínculo mãe-bebê, aumentamos a porcentagem de prematuros extremos que vão de alta hospitalar em aleitamento materno exclusivo e,, principalmente, temos bebês menos irritados.

– Outros:

Muitas UTIs abandonaram o peso de alta. O bebê não precisa ter mais dois quilos para ir embora, basta estar em uma curva ascendente de peso.

Respirador com VAF para os RNs graves.

Persistência do canal arterial com conduta mais expectante e menos cirúrgica, no tratamento medicamentoso deixamos a indometacina em prol do ibuprofeno.

Coletamos menos sangue, passamos a fazer rastreio de doença metabólica óssea na urina, o que expolia menos e é mais fidedigno. Menos coleta = menos RNs politransfundidos.

Incubadora aquecida umidificada o que “mimetiza”mais o ambiente úmido uterino para as peles frágeis destes prematuros.

Uso de blackout nas incubadoras

Uso de CPAP nasal de máscara levando à diminuição das lesões de septo.

Autor:

Um comentário

  1. Olá dra Rafaela.
    Muito interessante seu artigo que por sinal é bem recente, do mesmo ano que passei 126 dias presa a uma UTI neonatal.
    Muitas das coisas que você relata realmente acontecem dentro da UTI, mas outras passam bem longe.
    A primeira vez que entrei la dentro o arrepio na espinha era amedrontador. AS pessoas não me enxergavam e nem falavam comigo, parecia que eu estava lá atrapalhando o trabalho deles. Briguei muito por este motivo, até que consegui com que todos tratassem os pais com mais humanidade. Eu e meu marido nos tornamos “CONSELHEIROS” dos novos pais, e sempre recepcionávamos, e contávamos para eles como ia ser a rotina dali pra frente.
    Hora do soninho, silêncio e alarmes controlados aconteciam somente aos domingos, durante a visita dos avós. Fora esse evento, os aparelhos eram mantidos apitando por tempos, sem que ninguém levantasse seus olhos para verificar o que estava acontecendo. Deve ser por isso que meu filho contraiu pneumonia e em seguida KPC. a falta de atenção e cuidado da equipe era visível, e isso quase matou meu filho, que teve uma parada de 13 minutos, e ficou dias em uma ventilação nova que nem me lembro o nome.
    Coletas de sangue? eram diversas por dia, meu filho hoje com 1 ano tem TODAS AS MARCAS de coleta, de acessos e dos PIC’s.
    O aleitamento materno tbm não é muito incentivado, pois a mãe é obrigada a deixar o hospital as 23h00 e só pode retornar no dia seguinte, ou seja, a alimentação é complementada por fórmula, a mãe que amamenta diretamente no peito não é liberada para se submeter a ordenha para deixar o leite materno para que seu bebê consuma durante a noite.
    As fotos são proibidas, entendo a questão da contaminação levada pelos telefones e tal, mas TODOS os funcionários entram com seus celulares e os usam dentro da UTI, e os pais não podem fotografar seus filhos. Essa é uma parte importante para nós, poder registrar tudo para depois exibir como um troféu a vitória dos nossos bebês, e isso é tirado de nós.
    É muito triste passar por esses momentos, e o meu maior desejo como mãe do Gael, era ter certeza de que TODOS OS PAIS, MÃES e principalmente BEBÊS fossem tratados com respeito e responsabilidade que lhe cabem.
    Infelizmente isso não acontece na maioria dos hospitais , e não falo dos públicos não, falo dos atendidos pelos convênios que pagamos, tenho relatos de mães de UTI de hospital publico que ´mata a paulada os hospitais de renome em SP.
    Gostaria muito que essa sua lista fosse real para todas as mãezinhas.

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