Recomendações para a utilização de neuroimagem em prematuros

Tempo de leitura: 2 min.

Bebês prematuros apresentam risco significativo de hemorragia intraventricular, leucomalácia periventricular (LPV), dilatação ventricular pós-hemorrágica e outras lesões neurológicas. A identificação da presença e extensão da lesão cerebral é, portanto, crucial para a avaliação do bebê prematuro, e isso pode ser feito com ajuda de neuroimagem.

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Estudos de neuroimagem

Por meio de neuroimagem, o neonatologista pode iniciar intervenções, planejar cuidados de suporte e avaliar o risco de comprometimento neurológico futuro: estudos oportunos e direcionados podem ser usados para a obtenção de informações diagnósticas, terapêuticas e prognósticas. No entanto, existe uma variabilidade significativa entre as unidades neonatais quanto às modalidades utilizadas e quanto aos estudos de neuroimagem que devem ser obtidos. O momento apropriado e a seleção dos exames podem ajudar a identificar recém-nascidos (RN) com lesão cerebral que exigem intervenção terapêutica ou que podem estar em risco de comprometimento do neurodesenvolvimento. Em recente publicação no jornal Pediatrics, a Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP) analisou as diferentes modalidades de imagem amplamente disponíveis e discutiu as indicações baseadas em evidências para cada modalidade, o momento ideal para a realização de exames e seu valor prognóstico.

As recomendações da AAP são sintetizadas abaixo:

  • A AAP aconselha que bebês com idade gestacional (IG) ≤ 30 semanas e bebês selecionados com IG > 30 semanas (com maior risco de lesão cerebral com base em fatores de risco identificados), sejam rastreados para hemorragia intraventricular com ultrassonografia (USG) de crânio. Os fatores de risco podem incluir, mas não estão limitados a: descolamento prematuro da placenta, necessidade de reanimação vigorosa, hipotensão (com necessidade de suporte de medicamentos vasopressores), acidose grave, ventilação mecânica prolongada, sepse confirmada ou pneumotórax;
  • A triagem de rotina com USG de crânio é recomendada para bebês de 7 a 10 dias de vida com IG ≤ 30 semanas. O rastreamento antes dos 7 dias de idade pode ser indicado para bebês com sinais e sintomas clínicos sugestivos de lesão cerebral significativa. Recomenda-se repetir a triagem quando o bebê estiver com 4 a 6 semanas de vida e na idade corrigida ou antes da alta hospitalar;
  • É aconselhado que bebês com achados anormais à USG de crânio repitam o exame de forma seriada conforme indicação clínica, com base na idade cronológica e gestacional;
  • A USG de crânio padrão deve incluir visibilização das fontanelas anterior e mastoidea. Informações adicionais podem ser obtidas por meio de imagens vasculares e da fontanela posterior;
  • A tomografia computadorizada (TC) não é mais considerada parte das técnicas de imagem de rotina do cérebro do bebê prematuro;

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  • Com base nas evidências disponíveis, a ressonância nuclear magnética (RNM) para bebês nascidos com 30 semanas de idade gestacional não é indicada como um procedimento de rotina. A RNM pode ser indicada para bebê de alto risco com idade corrigida após uma conversa com a família sobre as limitações deste teste para estimativa do prognóstico em longo prazo. Quando possível, recomenda-se que a RNM de crânio seja realizada sem contraste no paciente não sedado, usando uma técnica de contenção (“charutinho”) — protocolos que indicam alimentar o bebê 20 a 30 minutos antes do exame e usando a técnica do “charutinho” para limitar os movimentos geralmente têm sido bem-sucedidos em evitar sedação significativa na maioria dos casos.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Hand IL, Shellhaas RA, Milla SS; Committee on Fetus and Newborn, Section on Neurology, Section on Radiology. Routine Neuroimaging of the Preterm Brain. Pediatrics. 2020 Nov;146(5):e2020029082. doi: 10.1542/peds.2020-029082.
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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