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Exercício físico ajuda a prevenir osteoporose?

A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos progressivamente. Numa fase inicial, a microestrutura óssea ainda é capaz de suportar as exigências mecânicas relacionadas ao peso do nosso corpo, e também aquelas atribuídas a cargas e impactos que realizamos no nosso cotidiano, como, por exemplo, carregar bolsas de compra, móveis, etc. Com a deterioração progressiva, as pequenas trabéculas ósseas vão se quebrando, até que o osso se torna frágil demais e com um pequeno trauma ocorre uma fratura.

De fato, existem alguns fatores que podem acelerar a fragilidade óssea. Dentre eles, a fraqueza muscular tem uma influência significativa, sendo responsável pela instabilidade postural e risco de quedas. Mais ainda, os músculos são importantes engrenagens na produção e manutenção das trabéculas ósseas. Toda carga imposta ao músculo é transformada numa resposta bioquímica transmitida às células ósseas, estimulando a produção de suas trabéculas. Esse fenômeno se chama mecanotransdução e atualmente tem sido explorado para melhorar a saúde óssea.

Assim, pode-se dizer genericamente que quantidade e qualidade ósseas são aprimoradas por exercícios e comprometidas por inatividade, idade e desuso. Diversos estudos transversais já demonstraram a participação da atividade física sobre o esqueleto: astronautas em lugares com menor gravidade perdem até 2% da densidade óssea do quadril por mês, enquanto jogadores de tênis profissionais possuem 35% mais osso no braço dominante. Além disso, estudos também demonstraram que existe impacto quanto à carga funcional realizada. Por exemplo, um programa de dez meses de exercícios com alto impacto em crianças aumentou significativamente a DMO do colo femoral, sugerindo aumento na resistência óssea.

Veja também: ‘Osteoporose e a ponta do iceberg’

Entretanto, outros estudos com exercícios relataram somente aumentos modestos na massa óssea. Um estudo com treinamento de um ano da força física de alta resistência em mulheres jovens aumentou significativamente a resistência muscular, mas não houve grande impacto na massa óssea. Além disto, há cada vez mais evidências de que o tecido ósseo é menos responsivo a estímulos mecânicos à medida que envelhecemos.

Ainda precisamos evoluir nossos conhecimentos a respeito da biomecânica musculoesquelética. Vai muito além da noção macroestrutural que conhecemos. Sem dúvida, os mecanismos moleculares oferecem as bases para entendermos como as trabéculas ósseas se formam e são mantidas íntegras ao longo da vida. Apesar das discussões, é consenso que os exercícios com carga, como musculação, por exemplo, provavelmente têm maior impacto positivo na saúde óssea do que realizar somente uma caminhada no calçadão. Portanto, mesmo que não se saiba todos os efeitos do exercício sobre os ossos, sabemos que existem benefícios interessantes, sobretudo na população idosa, melhorando não somente a massa óssea, mas também promovendo maior força muscular, equilíbrio, capacidade de concentração. Fica a dica para todos: praticar exercícios com carga é ganhar músculos, massa óssea, e o mais importante, saúde!

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Referência:

  • Rosen CJ, BouillonR, Compston JE, et al (edit). “Primer on the Metabolic Bone Diseases and Disorders of Mineral Metabolism”. 8th ed. Wiley-Blackwell, 2013.

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