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Rio? Febre 40 Graus! Como diagnosticar as doenças do Aedes Aegypti

Ah! O verão! Para muitos, sinônimo de descanso, férias, viagens e curtição, não é mesmo? Esse que vos escreve é carioca e sabe muito bem o valor dessa estação! No entanto, a época que parece trazer todo o clima de descontração e alegria é a mesma que traz consigo motivos de alarme, dentre eles o aumento de doenças como dengue, chikungunya e zika. Isso porque todas elas são transmitidas pelo vetor Aedes aegypti, que passa por um crescimento populacional importante devido ao aumento das temperaturas.

A dengue e seus diagnósticos diferenciais ainda parecem suscitar muitas dúvidas, principalmente no momento de diferenciá-la das demais arboviroses e de realizar sua avaliação laboratorial. Pensando nisso, a Sala Vermelha e a PEBMED se uniram aqui hoje! Mãos à obra!

Para compreensão adequada da avaliação diferencial da dengue e de seu comportamento laboratorial, é fundamental entender sua evolução crono e fisiopatológica. Existem três fases da doença: (a) a fase febril; (b) a fase crítica – que pode evoluir para choque, mas felizmente nem sempre é vista;(c) e a fase de recuperação. A primeira fase é caracterizada por febre com temperaturas que excedem 38,5°C, cefaleia, vômitos, mialgia, artralgia e exantema maculopapular, predominantemente no segmento cefálico, tronco e em extremidades, que não poupa a palma das mãos nem a planta dos pés.  Essa fase dura em média três a sete dias e muitos pacientes se recuperam sem complicações.

Figura 1 – Adaptado de: Simmons CP, Farrar JJ, Nguyen vV, Wills B. Dengue. N Engl J Med. 2012 Apr 12;366(15):1423-32. doi: 10.1056/NEJMra1110265. Review. PubMed PMID: 22494122

Pensando na potencial gravidade da doença e na enorme gama de diagnósticos diferenciais, é muito importante saber os aspectos laboratoriais que são pertinentes para afirmação diagnóstica, não acha? Ainda mais porque exames laboratoriais em geral agregam custo ao cuidado e sua solicitação deve ter indicações precisas.

Nesse sentido, o diagnóstico é estabelecido pela detecção direta de componentes virais no plasma ou por sinais indiretos de detecção de anticorpos IgM e IgG. No entanto, é essencial que você saiba a cronologia com que esses marcadores se manifestam.

Figura 2 – Sinais de Alarme, adaptado de Dengue : diagnóstico e manejo clínico : adulto e criança [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – 5. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.
Os componentes virais a serem buscados são: (a) o DNA viral, que pode ser detectado por RT-PCR (Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction); ou (b) o NS1, uma proteína estrutural dos vírus causadores da dengue. É razoavelmente fácil entender o comportamento dos anticorpos e dos marcadores no tempo, pensa comigo: o vírus ganha acesso ao organismo e manifesta seus componentes, para que só então o corpo comece a produzir mecanismos de defesa – humoral, nesse caso – para eliminar o insulto. Então quem você acha que se manifesta no período inicial da doença? Os componentes virais, é claro! E no fim? Os anticorpos! Tá vendo? Você já pegou a manha da coisa!

Figura 3 – Comportamento Sorológico e Antigênico no tempo; adaptado de Simmons CP, Farrar JJ, Nguyen vV, Wills B. Dengue. N Engl J Med. 2012 Apr 12;366(15):1423-32. doi: 10.1056/NEJMra1110265. Review. PubMed PMID: 22494122

“Mas e como eu vou fazer os diagnósticos diferenciais?”

Excelente pergunta! Atualmente, temos no Brasil três principais arboviroses que podem ser diferenciadas clínica e laboratorialmente. Clinicamente, a dengue possui manifestações febris, miopáticas e dor retrorbitrária mais exuberantes. Além disso, nós podemos recorrer a métodos laboratoriais confirmatórios, como já vimos, certo?

Figura 4 – Manifestações predominantes das principais arboviroses no Brasil; adaptado de Dengue : diagnóstico e manejo clínico : adulto e criança [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – 5. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.
Pessoal, por hoje é só! Não esquece que a galera da Sala já preparou uma série inteira pra você ficar por dentro de todos os detalhes sobre a Zika! É só conferir aqui.

Um abraço, até a próxima!

Autor:

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Referências:

  • Simmons CP, Farrar JJ, Nguyen vV, Wills B. Dengue. N Engl J Med. 2012 Apr 12;366(15):1423-32. doi: 10.1056/NEJMra1110265. Review. PubMed PMID: 22494122.
  • Dengue : diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – 5. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.

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