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6 passos para melhorar o sono do paciente hospitalizado

Tempo de leitura: 2 minutos.

Dormir bem no hospital é especialmente importante pelo efeito do sono sobre patologias diversas e sua recuperação. Privação de sono se relaciona com quadros inflamatórios e aumento do risco cardiovascular¹. Pacientes com sono inadequado apresentam piores taxas de pressão arterial, delirium e disglicemia. Isso resulta em mais medicações, polifarmácia, efeitos colaterais e aumento dos custos.

E como dormem os pacientes internados? O racional seria imaginarmos maior disponibilidade de sono passando-se o dia já deitado no leito hospitalar do que durante a rotina comum.

Sono do paciente hospitalizado

Uma pesquisa holandesa com dois mil pacientes em 39 hospitais aplicou questionários comparando o sono domiciliar com aquele durante o período de internação. O tempo de sono dentro do hospital foi em média 83 minutos menor, com mais despertares noturnos e pior qualidade de sono do que em casa. Mas algo chamou atenção dos pesquisadores: em dois terços dos casos, um fator que provocava pior qualidade do sono era causado pelo próprio hospital, como barulho de sensores e conversas de corredor².

E como podemos melhorar a qualidade de sono? Aplicando a S.I.E.S.T.A. O acrônimo nos direciona para seis passos, pontos de melhoria viáveis para implantarmos em nosso hospital a custo mínimo:

S: screen for sleep disorders. Rastrear pacientes de risco, foco em apneia do sono e insônia.
I: Instruct your patients. Instruções quanto a higiene do sono e hábitos saudáveis de sono.
E: Eliminate awakenings. Eliminar despertares ajustando horário de medicações.
S: Shut doors. Feche as portas, isolando conversas e evitando-as nos corredores.
T: Treat symptoms. Trate os sintomas, como dor ou ansiedade que interferem no sono.
A: Alarm and Noise control: alarmes e barulhos de equipamentos devem ser revistos.

A aplicação de pontos abordados SIESTA mostrou-se benéfica com significância estatística em melhorar o sono dos pacientes durante um treinamento de seis meses, contando principalmente com o engajamento da equipe de enfermagem, reduzindo sonorização dos aparelhos e modulando o tom da comunicação com técnicas de coaching³.

Os hospitais no Brasil carecem de iniciativas assertivas para otimização do sono de pacientes internados, ainda que atitudes simples e viáveis estejam disponíveis.

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Referências:

  1. Dettoni JL, Consolim-Colombo FM, Drager LF, Rubira MC, de Souza SB, Irigoyen MC, Mostarda C, Borile S, Krieger EM, Moreno H Jr, Lorenzi-Filho G. Cardiovascular effects of partial sleep deprivation in healthy volunteers. J Appl Physiol 113: 232–236, 2012
  2. Wesselius HM et al. Quality and quantity of sleep and factors associated with sleep disturbance in hospitalized patients. JAMA Intern Med 2018 Jul 16
  3. Arora VM et al. Effectiveness of SIESTA on Objective and Subjective Metrics of Nighttime Hospital Sleep Disruptors. J. Hosp. Med 2019;1;38-41. doi:10.12788/jhm.3091

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