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A expressão ‘sic’ e seu uso na prática médica

Tempo de leitura: 2 minutos.

O exame clínico compõe a pedra fundamental da prática médica e quando se trata da realização ou mesmo do aprendizado deste, a execução de uma boa anamnese é fundamental. Ao revisarmos prontuários, a fim de obter informações do histórico médico do paciente, não é incomum nos depararmos com a expressão “sic”.

Muitos explicam tratar-se de uma sigla referente à expressão “segundo informa o consulente” ou “segundo informações colhidas”, o que configura uma inexatidão semântica. O termo “sic” pode remontar à contração de um termo do latim, “sicut”, que significa “assim como é” ou “exatamente dessa forma”. Há ainda o advérbio latim clássico “sic”, que indica que o referido imediatamente antes foi transcrito de forma ou maneira como se apresenta, ou no mesmo grau ou intensidade como foi informado, independente da presença de erros ou impropriedades.

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O “sic”, na prática médica, é geralmente utilizado entre parênteses, colchetes ou aspas ao final de determinada assertiva na anamnese indicado que o que ali se encontra está transcrito como foi dito pelo paciente ou informante, independente da incoerência ou estranheza em relação ao quadro clínico relatado. Por exemplo: paciente do sexo feminino, 23 anos de idade, queixa-se de queimação no pé da barriga (sic). Entretanto, como defendem alguns autores, trata-se de recurso desnecessário, ou mesmo pedante, pois a simples aposição de aspas na afirmativa do paciente já denotaria uma transcrição literal desta.

A origem do termo “sic” remonta ao latim e denota a forma como a informação foi recebida pelo médico. Entretanto, sua necessidade de uso é questionada, uma vez que este termo tem o objetivo de isentar o médico ou o estudante da responsabilidade de interpretação ou de avaliação objetiva e confiável de alguma informação registrada. Desta forma, uma sugestão possível e plausível é que dispensemos o “sic” nos nossos documentos, mantendo-os fiéis e menos “poluídos”.

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Referências:

  1. Bacelar S, Galvão CC, Alves E, Tubino PJG. Expressões médicas: falhas e acertos. Rev. Med. Res., Curitiba. 2014;16(1):61–65.
  2. Bacelar S, Alves E, Aragão-Costa W, Tubino PJG. Questões de linguagem médica. Rev. Col. Bras. Cir. 2009;36(1):96–98.
  3. Maia JA, Palomo LM. “SIC.” Rev Assoc Med Bras. 2012;58(1):8–9.

7 comments

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    Sebastião Inácio Filho

    É apenas uma consideração da veracidade da informação do paciente, sem interpretações ou traduções, afinal, “traduttore, traditore”. Exemplos: estou com um farnizim no grugumio, uma dor na mãe do coipo, um formigueiro nas mãos, uma dor nas cruz, tive um pilôra.

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    Aldo Ferreira de Moraes Araújo

    Interessante como informações erradas têm vida longa, ouvi o “segundo informações colhidas” há uns 40 anos atrás na faculdade, fato imediatamente corrigido pelo professor presente e posteriormente comentada por todos os colegas. Incrível, ainda existe esta versão fantasiosa. E em outras línguas, como seria?

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    Aldo Ferreira de Moraes Araújo

    Quando fiz o curso de medicina (concluído em 1982) já circulava esta versão fantasiosa e prontamente corrigida pelos professores. Não entendo como ainda prospera.

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    MARCELO ATHAYDE VIEIRA

    O uso do SIC pode-se referir a uma informação colhida, porém sem uma confirmação da veracidade, para que não seja tomada como de “fato”, por exemplo: … relato de queda (sic), após a devida investigação observa-se que foi vitima de maus trato. O SIC nesse caso determina informação verídica ou não do paciente ou terceiros, protegendo o médico de uma alegação falsa.

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    Discordo com o descrito nesse post, acho importante mencionar o “SIC”, pois muitas vezes realizamos uma historia clinica, e descrevemos os medicamentos que o paciente ou o familiar do paciente descreve que o mesmo faz uso, porém nao é uma informação concreta, fidedigna de confiança, penso que nesse caso onde há dúvida, sim, é evidente o uso do “SIC”, pois em situação oposta, alguns pacientes trazem consigo a receita ou as receitas e ou os laudos médicos, da medicação que em uso, com essa fonte de informação, podemos obter confiança, caso contrário vejo necessário utilizar o “SIC”.

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    Só muito curiosa em medicina, amo as matérias e acompanho tudo, adoro cirurgia😘

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    Não consigo entender porque as pessoas insistem em usar incorretamente esse sic! Existe uma parte na anamnese (QP) específica para a fala literal do paciente. O restante é responsabilidade do médico e inicia-se com “o paciente relata…”, ou “o paciente afirma…” e deve ser a tradução do vocabulário do paciente para termos médicos. Se não existe uma tradução por exemplo para “espinhela caída”, basta colocar o termo entre aspas. Tudo que está escrito em uma anamnese é relato do paciente, o uso do sic não faz o menor sentido.

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