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A felicidade como instrumento de promoção à saúde

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O ser humano é o único animal capaz de constantemente presentificar o passado e o futuro. A presentificação do passado não nos deixa caminhar e nos faz desenvolver transtornos severos que se relacionam com nossos medos, consciente e inconsciente. Já a presentificação do futuro, na maioria das vezes nos leva a sentimentos de angústia e ao desenvolvimento da ansiedade. Mas qual é o caminho oposto a esses sentimentos? Talvez aí, esteja a potência para as práticas de cuidado em saúde. A felicidade pode ser a resposta.

Se a depressão, doença que atualmente afeta o mundo, é considerada como: “a tristeza que não tem fim”, a felicidade ao contrário disso, também é felix que também significa fertilidade. A felicidade é dificultar a desertificação dos sonhos1. Mas o que podemos tirar disso tudo? A fertilidade não precisa ser realizada apenas pela pessoa em sofrimento. Os profissionais de saúde possuem uma grande importância na fertilidade humana, no trabalho de solos desertificados e de almas que se sintam vazias, no processo de semear a esperança. Pode parecer que a comunicação terapêutica, a escuta qualificada, a compreensão das fases do luto, seja um atributo profissional inato.

No entanto, não é. No momento da formação profissional ou durante a prática profissional podemos ensinar, inclusive, que a sensibilidade é uma das técnicas utilizadas para a fertilização de solos desertificados. Um diagnóstico de câncer, pode gerar “dores” terríveis na existência humana, destruindo assim, qualquer projeção de futuro e a partir disso da própria vida.

A felicidade “genuína, adequada e total sempre parece residir em algum lugar à frente: tal como o horizonte, que recua quando se tenta chegar mais perto dele”2. Podemos até encarar como ruim o consumo da felicidade como é feito na materialização das coisas. No entanto, a felicidade é uma utopia, e isso, é bom. Está sempre no horizonte, por isso é bom. Nos faz caminhar. É como andar de bicicleta, necessariamente a de se ter movimento.

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E os profissionais de saúde, onde se encaixam? Todo esse discurso está no invisível, e este, é o desafio. Os maiores sofrimentos são invisíveis e se colocar à disposição de ver além do que os olhos mal treinados podem ver, é o inicio da fertilização de solos desertificados. Isso contribui para a formação a resiliência humana, para amenizar o sofrimento humano, afasta a lógica de cuidado curativista, meramente biológica, trabalha a saúde na vida e a vida na saúde.

O “conselho” só pode ser dado, aplicado à técnica, se compreendermos que sempre adoecemos não só no corpo, mas na mente, no espírito, ou seja, em locais que não podemos ver. A invisibilidade do sofrimento apresenta-se de maneira silenciosa e o cuidado para ser efetivo requer percepção aguçada do profissional.

Para se ter saúde emocional, é fundamental a compreensão da vida, e de como ela é um contrato sem cláusulas definidas. Ganhar e perder, receber elogios e ter frustrações, receber aplausos e vaias, fazem parte da trajetória do ser humano. Assim, cuidar da mente, gerenciar a ansiedade e lidar com as perdas torna-se fundamental, portanto, ter resiliência3. Os profissionais da saúde, são semeadores, fertilizadores de terrenos desertificados. Por isso, não se desespere, usemos as sensibilidades como técnica, e então, vamos conversar.

Se a felicidade é “uma emoção básica caracterizada por um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e de prazer, associados à percepção de sucesso e à compreensão coerente e lúcida do mundo4. A ocorrência de emoções positivas em relação das negativas levam o aumento do bem estar subjetivo e objetivo do sujeito, revelando a importância de se estudar a temática. A felicidade pode ser objetivo final, por estar sempre na lógica da utopia, mas também, pode ser o caminho para se chegar à compreensão subjetiva do que é saúde. Promover felicidade na vida das pessoas, identificando seus problemas de saúde é, portanto, promover saúde.

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Referências:

  1. Cortella Mário Sergio. Não se desespere: provocações filosóficas. Ed. Vozes, 7ª ed. Petrópolis, 2014, 140 p.
  2. Bauman, Zygmunt. A arte da vida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, 182p.
  3. Cury, Augusto. Nunca desista dos seus sonhos. Rio de Janeiro, Sextante, 2015 160p.
  4. Ferraz Renata Barboza, Tavares Hermano, Zilberman Mônica L. Felicidade: uma revisão. Rev. psiquiatr. clín. [Internet]. 2007 [citado em 2019 17 de abril]; 34 (5): 234-242. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500005&lng=en.

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