A higiene no cuidado à saúde: como lavar as mãos mudou o mundo?

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Muitas infecções podem ser prevenidas com o simples ato de lavar as mãos. Infecções associadas aos cuidados de saúde são transmitidas principalmente através das mãos dos profissionais envolvidos no cuidado do paciente. Dentro do hospital, a transmissão de microrganismos acarreta disseminação de patógenos multirresistentes, causando aumento direto na morbimortalidade dos pacientes. Mesmo fora do contexto intra-hospitalar, a falta deste cuidado está envolvido em surtos de doenças infecciosas, como na pandemia de Covid-19. 

Por mais que seja aparentemente simples, é difícil fazer com que as pessoas sigam as diretrizes de higiene de forma adequada. Em uma revisão recentemente publicada no The Lancet, são discutidos os avanços sobre a higiene das mãos nos últimos 20 anos e as perspectivas sobre o assunto.

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A preocupação com a higiene das mãos se iniciou em 1847 com Ignaz Philipp Semmelweis (1818–1865), no Hospital Geral de Viena, na Áustria. Ele notou que o número de mortes por febre puerperal na ala atendida por médicos e estudantes era maior do que na enfermaria em que trabalhavam somente parteiras. Naquela época, os estudos nos laboratórios de anatomia eram restritos aos acadêmicos de medicina e médicos. Após as aulas de anatomia, os alunos participavam dos trabalhos de parto, sem qualquer higiene prévia das mãos, contaminando as parturientes. Ao fazer a associação das chamadas “partículas cadavéricas” e a febre puerperal, Semmelweis começou a estimular a higiene das mãos, demonstrando redução na mortalidade obstétrica. Nessa época ainda não se conheciam as bactérias, vírus ou outros patógenos. 

Posteriormente inúmeras instituições promoveram suas próprias políticas de higiene das mãos, a fim de evitar infecções associadas aos cuidados de saúde.

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Duas décadas usando álcool como padrão ouro

Em 2002 o CDC nos EUA estabeleceu o álcool como o padrão ouro para compor substâncias utilizadas na higienização. Devido a sua capacidade de desnaturar proteínas, o álcool é considerado um excelente germicida, possuindo maior eficácia em concentrações de 60-80%. Ele reduz de maneira significativa a quantidade de bactérias na pele, além de eliminar todos os tipos de vírus envelopados, e a maioria dos não envelopados. Além disso, o mecanismo de ação do álcool não induz resistência microbiana.

A OMS recomenda algumas formulações com concentrações específicas de álcool por volume. Essas formulações podem conter glicerol, que reduz a ocorrência de ressecamento da pele, sem diminuir sua eficácia. 

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Contudo, ainda existem situações onde a higienização das mãos com água e sabão é preferível, em detrimento ao álcool. Particularmente em surtos de Clostridiodes difficile, deve ser dada preferência para a utilização de água e sabão, pois o álcool é menos eficaz em sua eliminação. 

A pandemia serviu como alerta

No início da pandemia, com o aumento abrupto na demanda pelo álcool, houve carência dos produtos no mercado. Assim, indústrias não vinculadas à área da saúde passaram a produzir álcool em larga escala para abastecer o mercado.

Uma estratégia multimodal

A aplicação de álcool para higiene das mãos, da mesma forma que a lavagem com água e sabão, requer técnica adequada. Seu uso incorreto leva a uma falsa sensação de segurança, que pode colocar o paciente em risco. Por outro lado, a lavagem das mãos com sabão é mais demorada, e pode ser mais agressiva para a pele, causando dermatites.

Uma estratégia multimodal otimiza os pontos positivos de cada método. Assim, devem estar facilmente disponíveis no local de trabalho: álcool, água corrente, sabão, e toalhas de papel de uso único. Eles devem estar presentes nos quartos dos pacientes, corredores, postos de enfermagem, além de áreas de descanso. Essa é a melhor maneira de evitar a disseminação de microrganismos. 

Contudo, este cuidado não deve ser restrito às instituições de saúde. Ainda é necessária uma intensa disseminação de informação de qualidade na sociedade para que a higienização das mãos adquira uma aderência mais ampla na população.  

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Referências bibliográficas:

  • Lotfinejad N, Peters A, Tartari E, Fankhauser-Rodriguez C, Pires D, Pittet D. Hand hygiene in health care: 20 years of ongoing advances and perspectives. The Lancet. 2021 August;21. doi: 10.1016/S1473-3099(21)00383-2
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