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A importância da medida repetida da PA em uma mesma consulta

Tempo de leitura: 3 minutos.

Há anos, as principais diretrizes de hipertensão recomendam que a pressão arterial seja medida mais de uma vez em cada consulta, e em mais de uma consulta, a fim de determinar se o paciente de fato é hipertenso ou não. Mas você sabe a base desta recomendação?

Ao contrário do esperado, ela não é fruto apenas do bom senso. A PA é uma variável biológica muito dinâmica, com valores que mudam batimento-a-batimento. Qualquer atividades mental ou física é capaz de elevar a PA e o repouso/sono é o principal meio de reduzi-la. Os principais fatores fisiológicos que determinam a variabilidade da PA são:

  • Atividade do sistema nervoso simpático – leia-se estresse/ansiedade.
  • Função endotelial e rigidez vascular – é o mecanismo que explica a PA divergente e com maiores picos em idosos. Quem não tem uma tia ou avó cuja PA vai a 200 quando está preocupada ou aborrecida?
  • Fator reno-humoral – o sistema renina é o principal e influencia a retenção hidrossalina e o tônus vascular.

Muitas pesquisas já vêm mostrando que a maior variabilidade da PA está relacionada com lesão de órgão-alvo e maior risco de eventos cardiovasculares (IAM, AVC ou morte). Os dados são mais robustos para variações de médio e longo prazo, seja na MAPA de 24h ou entre as consultas ao longo de um ano. Por outro lado, crescem as pesquisas que estudam a variabilidade das medidas em uma mesma consulta, o chamado within visit BP variability. Em um estudo anterior, pesquisadores mostraram correlação entre a “reação de alarme” (diferença entre a 1ª e a 3ª medida da PA) e piora da taxa de filtração glomerular.

Uma pesquisa realizada no Japão com uma amostra de 17.795 indivíduos entre 40 a 74 anos, teve duas leituras da PA avaliadas. Os participantes foram divididos em três grupos conforme resultado da reação de alarme da PAS, sendo classificados em grupos de baixa variabilidade (menor ou igual a 10 mmHg), moderada (11-20 mmHg) e alta (maior que 20 mmHg). O aumento da variabilidade da PA foi significativamente associado com a prevalência de pré-diabetes e diabetes!

Mais recentemente, um estudo com 81 mil consultas na atenção primária mostrou que apenas medir a PA uma segunda vez já traz informações relevantes, como a redução do efeito de alarme. Nos pacientes cuja 1ª medida foi > 140/90 mmHg, 36% tiveram a 2ª medida normal. Este grupo seria diagnosticado com HAS se não fosse a repetição da medida! A redução média da PA sistólica foi de 8 mmHg, sugerindo que a ansiedade e a expectativa podem falsear a medida isolada da PA.

Em 2018, nosso grupo publicou uma pesquisa na qual a variabilidade da PA em uma mesma consulta esteve correlacionada com o BNP, um marcador de lesão de órgão-alvo cardiovascular, sugerindo que este parâmetro possa ajudar a identificar pacientes de maior risco.

Por isso, nossa recomendação é que você siga as recomendações da VII Diretriz Brasileira de Hipertensão e meça a PA pelo menos duas vezes em cada consulta! No nosso serviço da UFF de hipertensão resistente, fazemos 3 medidas seguidas, com intervalo de 1 minuto entre elas.

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