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A saúde mental de gestantes e puérperas durante a pandemia de Covid-19 é uma questão que merece atenção

A saúde mental de gestantes e puérperas durante a pandemia de Covid-19

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Várias medidas de cuidado vêm sendo incentivadas e disseminadas durante a atual pandemia causada pela Covid-19. Isso representa um desafio para todos nós e nossa saúde mental. Além de afetar diversos grupos e populações, sendo um deles as gestantes e puérperas. Neste mês de julho o Jama Psychiatry lançou uma pequena publicação onde discute essa situação nesses momentos que já são naturalmente delicados para as mulheres, pois possuem necessidades e desafios específicos, além de eventualmente estarem associados a um comprometimento da saúde mental. Agora ampliamos um pouco a discussão sobre como encarar tudo isso em momentos de pandemia.

Leia também: Covid-19 na gravidez: características de gestantes com infecção confirmada

A situação de gestantes e puérperas durante a pandemia.

A pandemia causou mudanças importantes também nos setores de obstetrícia, impactando a forma como é feito o atendimento a essas pacientes. Infelizmente é possível que isso também tenha repercussões sobre sua saúde mental. As autoras discutem brevemente algumas situações e fazem sugestões sobre cada tópico.

  • As pacientes ao se depararem com a necessidade de uma hospitalização, seja ou não na hora do parto, podem se defrontar com realidades que envolvem: ser colocada num leito com isolamento; ter que usar equipamento de proteção durante a internação ou trabalho de parto (como máscaras); e terem que lidar com a restrição ou ausência de acompanhantes e familiares. Cabe ao médico assistente pesar algumas dessas medidas, contudo deve-se considerar que a participação dos familiares neste momento pode ter impacto positivo sobre a saúde mental. Portanto, é interessante encorajar esse envolvimento. Uma das formas de fazer isso seria através de meios eletrônicos, como videoconferências.
  • Algumas pacientes ao perceberem todas essas mudanças durante uma internação/parto e também com medo da infecção podem acabar optando pelo parto em casa. Porém elas podem não perceber os riscos envolvidos, seja por complicações obstétricas, seja pela dificuldade de terem acesso a um serviço de saúde caso haja algum problema. As linhas telefônicas podem estar congestionadas e as emergências, cheias. É necessário orientá-las sobre isso e definir um plano de parto seguro, manejando a ansiedade que está envolvida.
  • Já no pós-parto é possível que o período de internação materna seja encurtado, o que pode ter diversas repercussões: menor tempo para se recuperar do parto, menor tempo para receber orientações sobre cuidados e aleitamento do recém-nascido e, quando necessário, assistência em saúde mental. Sendo a alta precoce necessária, deve-se incentivar o acompanhamento dessa puérpera pela equipe de saúde através de ligações telefônicas ou videoconferências.

Papel dos profissionais

Aos profissionais da obstetrícia, que normalmente já lidam com a ansiedade e aflições dessas pacientes, pode recair uma dificuldade ainda maior, exacerbada pelas circunstâncias. Esses profissionais além de terem que orientar e confortar suas pacientes, possuem outras preocupações, como o medo de também se infectar ou de infectar seus familiares com o vírus e as mudanças no ambiente de trabalho. Seria interessante que esses profissionais se familiarizassem com técnicas para lidar com o estresse e recebessem apoio psicológico. Para tal sugere-se a expansão dos serviços de saúde mental para atender não apenas as pacientes, mas também os demais profissionais de saúde.

Saiba mais: Proposta FIGO para atendimento de gestantes durante a pandemia da Covid-19

Saúde mental

As gestantes e puérperas já possuem uma certa tendência a uma espécie de isolamento social, o que normalmente já pode causar algum impacto em sua saúde mental. Elas também podem demonstrar certa resistência a procurar atendimento psiquiátrico, o que pode estar ocorrendo de forma ainda maior neste momento. Já aquelas que procuram por ajuda podem se deparar com uma diminuição dos leitos disponíveis (que ou foram revertidos para pacientes com Covid-19 ou foram diminuídos para respeitar as medidas de controle da doença). Isso, faz com que seja necessário o manejo ambulatorial, no qual o suporte e a monitoração podem ser limitados.

Contudo, os serviços de saúde mental vêm se adaptando para oferecer o teleatendimento, permitindo desde consultas, psicoterapia e fornecimento de receitas até, eventualmente, suporte aos pacientes internados, poupando os escassos equipamentos de proteção individual (EPIs) para outros profissionais de saúde que precisam atuar de forma presencial. Essa nova forma de abordagem do paciente parece estar sendo bem sucedida, apesar de ainda envolver diversos desafios.

Continuidade do tratamento

Para as pacientes que já fazem algum tipo de tratamento em saúde mental deve-se inicialmente discutir sobre a necessidade de privacidade durante os atendimentos. Especialmente quando há conflitos que possam envolver outras pessoas que se encontram no mesmo espaço. A seguir os médicos assistentes e familiares devem adotar medidas de prevenção e estar atentos aos sintomas de forma que possa ser fornecido o tratamento adequado o mais rápido possível.

O médico também deve avaliar as circunstâncias que podem causar alguma forma de instabilidade, por exemplo, a menor disponibilidade de ajuda durante o puerpério e problemas com o sono.

A família deve ser orientada sobre como monitorar essas alterações e administrá-las. Nos exemplos dados isso significa orientar sobre o revezamento ou elaboração de uma escala de sono e procurar quarentena junto a pessoas que possam oferecer apoio.

O que mais pode ser feito?

No mais, deve-se estimular a psicoeducação de qualidade, estimulando o consumo de materiais coerentes produzidos por hospitais e unidades de classe. Essa abordagem é especialmente importante para aquelas pacientes que ainda não aderiram completamente ao tratamento. Também pode ser estimulada a busca por psicoterapia profilática, que pode envolver técnicas como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), através de plataformas digitais, quando disponíveis.

Neste momento de pandemia parece haver um risco maior associado a condições não tratadas ou maltratadas. Considerando isso, as autoras não recomendam a interrupção de um tratamento medicamentoso, se este estiver sendo eficaz. Caso seja necessária a monitorização sérica da medicação em uso, sugere-se que a coleta de sangue seja feita de forma a coincidir com algum atendimento médico presencial que a gestante precise realizar.

O bom atendimento às gestantes e puérperas nesta fase envolve a coordenação dos serviços de saúde em diversos níveis. No caso da saúde mental o foco deve ser na psicoeducação, na prevenção e monitorização dos sintomas. É necessário formular planos de ação específicos e flexíveis, conforme as características da pandemia mudam. Já a ampliação dos recursos das maternidades e dos serviços de saúde mental permitiria o atendimento adequado às pacientes e aos profissionais de saúde, oferecendo apoio e trabalhando a resiliência necessária neste momento.

Para saber mais sobre assuntos relacionados como depressão pós-parto ou blues puerperal, não deixe de acessar o Whitebook.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Hermann A, Fitelson EM, Bergink V. Meeting Maternal Mental Health Needs During the COVID-19 Pandemic. Jama Psychiatry, July 15th, 2020. doi:10.1001/jamapsychiatry.2020.194.

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