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Acabou de acontecer, e muito mais vem por aí

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Em algum lugar do Brasil, uma anestesiologista realizando um procedimento anestésico em uma criança de 2 anos, durante uma cirurgia cardíaca posta a seguinte mensagem em um grupo de rede social por aplicativo:

“Oi pessoal. Qto faço de insulina bebê 2 meses 3,8kg e com hgt 380? Início da cirurgia estava 170.”

Uma dúvida concreta, de uma profissional chamada a tomar decisões imediatas, responsável pela vida de um paciente de 2 meses de idade e 3,8 Kg. Para iluminar um único ponto do universo que isso representa, o volume total estimado de sangue de um paciente com essas características é de 305 ml!!!

Ah, eu já disse que a cirurgia era cardíaca?

Minha dúvida era: Precisa corrigir? Qual a origem dessa medida? Stress? Dor? Que outros dados temos?
Eu não sabia a resposta para a dúvida da colega, mas conheço um outro profissional que certamente sabia e pela mesma plataforma indicou-me um caminho.

Mais do autor: ‘Inteligência artificial na medicina: onde estamos e para onde vamos?’

Exatamente sete minutos depois a colega tinha não só a minha resposta e do meu consultor, como a de outros colegas e especialidades como a neonatologia; e estava segura que não havia necessidade de corrigir essa glicemia nesse momento, além de ser arriscado o rebote com hipoglicemia no pós-operatório imediato.

Eu sei o que vocês estão pensando! Que talvez essa não fosse a maneira correta, que talvez esse não fosse o meio nem a plataforma, que talvez a forma esteja equivocada e que talvez o desfecho poderia ser diferente.

Entretanto o que aconteceu é que profissionais que só depois se soube estarem em cinco estados diferentes, não se conhecem pessoalmente, que não se limitam por formação, área de atuação, cátedra, órgão ou instituição compartilharam informações para apoio cognitivo em tempo real através de smartphones em um aplicativo gratuito e isso impactou a segurança de um pequeno paciente que nem bem nasceu e já está lutando pela vida no exato momento da sua cirurgia cardíaca.

Eis aqui então o que EU estou pensando:

Se não estamos vivendo outros tempos na Medicina, macacos me cuspam propofol!

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