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medico recebendo uma tesoura para fazer cirurgia

ACOG lança nova diretriz sobre hemorragia pós parto

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O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) lançou no último dia 21 de setembro online o novo guideline sobre hemorragia pós-parto.

A hemorragia pós-parto é a uma das principais causas de morte materna. Além disso, pode causar sequelas secundárias importantes como coagulação intravascular disseminada, insuficiência renal aguda, perda de fertilidade e necrose pituitária (síndrome de Sheehan).

Nos Estados Unidos, a taxa de hemorragia no pós-parto cresceu 26% de 1994 a 2006, devido ao aumento dos casos de atonia pós-parto. No entanto, tivemos um decréscimo na mortalidade, principalmente, devido as taxas de transfusão sanguínea e histerectomia puerperal.

A hemorragia no pós-parto é definida como perda de sangue maior ou igual a 1.000 ml ou perda sanguínea acompanhada de sinais ou sintomas de hipovolemia nas primeiras 24 horas após o parto.

As recomendações foram:

Nível A de evidência científica:

  1. Todos os centros obstétricos devem ter protocolos de administração de rotina de uterotônicos no pós-parto imediato.
  2. Os uterotônicos devem ser primeira linha de tratamento para hemorragia no pós-parto causado pela atonia uterina. O uterotônico a ser utilizado fica a critério do médico, uma vez que nenhum se mostrou com uma eficácia maior que os outros.

Nível B de evidência científica:

  1. Quando os uterotônicos não conseguem controlar adequadamente a hemorragia pós parto, deve-se aumentar o nível de intervenção (como tamponamento ou uso de técnicas cirúrgicas), além de aumentar a intensidade do cuidado e suporte individualizado.
  2. O ácido tranexâmico deve ser considerado no caso das terapias inicias falharem.
  3. Os centros obstétricos devem ter equipes multidisciplinares, protocolos de hemorragia pós-parto com diretrizes de escala de cuidado e um protocolo funcional de transfusão sanguínea.

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Nível C de evidência científica:

  1. O manejo da hemorragia pós-parto deve ser multidisciplinar e multifacetada que envolva a manutenção de estabilidade hemodinâmica da paciente enquanto, simultaneamente, é identificado e tratada a causa da hemorragia.
  2. Geralmente, no tratamento de hemorragias pós-parto os métodos menos agressivos devem ser usados inicialmente se possível, mas se não tiverem sucesso, a preservação da vida pode exigir intervenções mais agressivas, incluindo a histerectomia.
  3. Quando um protocolo de transfusão sanguínea maciça é necessário, devem ser utilizados índices fixos de concentrados de hemáceas, plasma fresco e concentrado de plaquetas.
  4. Os hospitais devem considerar a adoção de um sistema para implementar elementos-chave em quatro categorias: I) prontidão para responder a uma hemorragia materna, II) medidas de reconhecimento e prevenção para todas as pacientes, III) uma resposta multidisciplinar a hemorragia pós parto e IV) um processo que possa melhorar a capacidade de resposta através de relatórios e sistema de aprendizado.
As recomendações de nível A baseiam-se em provas científicas boas e consistentes.
As recomendações de nível B são baseadas em em evidências científicas limitadas ou inconsistentes.
As recomendações de nível C baseiam-se principalmente em consenso e opinião de especialistas.

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Autora:

Referências:

  • Practice Bulletin No. 183: Postpartum Hemorrhage. Obstetrics & Gynecology: October 2017 – Volume 130 – Issue 4 – p e168–e186. doi: 10.1097/AOG.0000000000002351. Online College Publications

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