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Alopecia areata: revisão e atualização

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Podendo atingir cerca de 1,7% da população ao longo da vida, a alopecia areata é uma alteração crônica que atinge os folículos pilosos e unhas. É caracterizada pela queda de pelos ou cabelos, de caráter reversível, uma que não ocorre destruição ou atrofia dos folículos, mas apenas interrupção da síntese capilar.

Leia também: Alopecia no consultório: principais causas e tratamento

Alopecia areata revisão e atualização

Causas

Sua causa ainda não é conhecida, mas acredita-se que fatores autoimunes e genéticos podem estar envolvidos. Ela pode ocorrer em qualquer idade, porém 60% dos pacientes são afetados pela primeira vez antes dos 20 anos de idade. Homens e mulheres são igualmente atingidos, mas as formas mais graves envolvem principalmente a população masculina (63% dos homens e 36% das mulheres).

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, nos casos habituais. A lesão característica é uma placa de alopecia lisa que atinge o couro cabeludo ou qualquer área pilosa do corpo. Essas lesões são divididas em dois grupos: forma clássica e forma atípica.

Nas formas clássicas temos:

  • Placa única ou unifocal (uma única placa de alopecia redonda ou ovalada);
  • Alopecia areata em placas múltiplas ou multifocal (presença de múltiplas placas);
  • Alopecia areata ofiásica (atinge uma faixa extensa nas bordas do couro cabeludo);
  • Alopecia areata total (perda total dos pelos do couro cabeludo);
  • Alopecia areata universal (além do couro cabeludo, o restante do corpo também é atingido, ocorrendo inclusive alterações ungueais).

Nas formas atípicas temos:

  • Alopecia areata tipo sisaifo ou ofiasis inversa (ao contrário da ofiásica, nesta forma as bordas do couro cabeludo se mantêm, porém, o restante do couro cabeludo é atingido);
  • Alopecia areata reticular (várias placas separadas por faixas estreitas de cabelo);
  • Alopecia areata difusa (ocorre de forma aguda em diversas áreas, podendo começar em placas e evoluir para formas graves como a alopecia total).

Apesar do diagnóstico ser clínico na maioria das vezes, na apresentação como forma difusa é necessário realizar o tricograma e a biópsia do couro cabeludo. O tricograma é um exame para avaliação microscópica do cabelo. Uma amostra deve ser retirada da borda da área de alopécia, revelando pelos em “ponto de exclamação” e uma proporção anormal de pelos anágenos e telógenos (90% anágenos, 10% telógenos).

A biópsia é feita com bisturi, para obter uma amostra significativa de folículos pilosos. Sua análise demonstra um infiltrado inflamatório linfocitário peribulbar, com a maioria dos pelos no estágio catágeno ou telógeno. Ocorre uma diminuição significativa dos pelos terminais e aumento dos pelos do tipo velus, numa proporção de 1:1 (normal: 7:1).

Diagnóstico Diferencial

Nas formas em placa, é necessário realizar o diagnóstico diferencial com as seguintes doenças: tinea do couro cabeludo, pseudopelada de Brocq, lúpus eritematoso, e tricotilomania. Na tinea, o exame micológico direto fecha o diagnóstico, nas outras entidades o diferencial é feito de forma clínica.

Na forma difusa, o diagnóstico diferencial é feito com: alopecia androgênica, eflúvio telógeno agudo, e sífilis secundária. As reações sorológicas para sífilis, tricograma e biópsia para exame histopatológico, estabelecem qual o diagnóstico definitivo.

Saiba mais: Foliculite capilar: o que é e como identificar?

Tratamento

Não há cura para esta condição, portanto o tratamento é sintomático. Os tratamentos de escolha duram um período mínimo de 3 meses, considerando os riscos e benefícios.

Algumas opções terapêuticas são:

  • Corticosteroides tópicos e infiltrações intralesionais: apesar de não haver estudos controlados comprovando sua eficácia, são amplamente utilizados;
  • Antralina: possui efeitos colaterais e é necessário lavar o couro cabeludo após a aplicação para evitar irritações;
  • Minoxidil: é utilizado sozinho ou associado a antralina/corticosteroides;
  • Imunoterapia tópica: a ideia é induzir uma dermatite para que ocorra substituição com infiltrado inflamatório (substituindo o infiltrado linfocitário). Utiliza-se atualmente o dibutilester do ácido esquárico e a difenciprona;
  • Corticosteroides sistêmicos: mais eficazes em formas rapidamente progressivas; são pouco utilizados porque os pacientes podem apresentar recidivas após retirada da medicação;
  • Ciclosporina: última alternativa em casos graves, que não respondem a outros tratamentos, porque possui efeitos colaterais e a chance de recidiva é alta.

Existem relatos de outras drogas na abordagem terapêutica da alopecia areata, porém não existe evidência científica que comprove a eficácia dessas drogas no tratamento da doença.

Conclusão

A alopecia areata é considerada uma doença autoimune onde os linfócitos CD8 atuam sobre os antígenos foliculares, produzindo citocinas que inibem a proliferação celular local, interrompendo a síntese do pelo, sem destruir o folículo. A presença de atopia e fatores psicológicos podem agravar o processo. As formas mais simples de alopecia areata remitem espontaneamente, ou com tratamentos simples, como corticoides tópicos. Já as formas mais graves necessitam de outras intervenções, como a imunoterapia tópica.

Referências bibliográficas:

  • Rivitti, E. A. Alopecia areata: revisão e atualização. An Bras Dermatol. 2005;80(1):57-68. doi: 10.1590/S0365-05962005000100009
  • MacDonald Hull SP, Wood ML, Hutchinson PE, Sladden M, Messenger AG. Guidelines for the management of alopecia areata. British Journal of Dermatology. 2003 Oct;149(4):692-9. McDonagh AJ, Messenger AG. Alopecia areata. Clinics in dermatology. 2001 Mar 1;19(2):141-7. doi10.1046/j.1365-2133.2003.05535.x
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