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Análise sobre doenças respiratórias em crianças após o relaxamento do isolamento social

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O isolamento social gerado pela Covid-19 em 2020 e 2021 causou um grande impacto no que diz respeito às doenças respiratórias em crianças, que habitualmente apresentam um pico no período de outono e inverno, causando aumento no número de atendimentos emergenciais e internações hospitalares relacionadas a causas respiratórias, como bronquiolite e crises de asma.  

Nos Estados Unidos, no Brasil e na Finlândia, já foram descritos os impactos do lockdown com relação a hospitalizações e atendimentos pediátricos nesse período comparado aos anos anteriores, além da redução do período de circulação da influenza e do vírus sincicial respiratório. 

Apesar disso, tem sido observado, não apenas no Brasil, mas em outros países do mundo, o aumento nos casos de doenças respiratórias após as medidas de relaxamento do isolamento social, inclusive em períodos atípicos, como na primavera e no verão.  No Brasil, o surto de influenza A H3N2 que está acontecendo desde dezembro de 2021 é um exemplo desse padrão atípico de comportamento de doenças respiratórias em períodos do ano que não são comuns.

doenças respiratórias em crianças

Estudo  

Um grupo de pesquisadores israelenses realizou um estudo que foi publicado no periódico Pediatric Pulmonology em dezembro de 2021, com o objetivo de caracterizar o surto de doenças respiratórias que se seguiram às medidas de relaxamento das restrições sociais, na primavera/verão (abril a junho) de 2021 naquele país, e comparar essas características com os anos anteriores.

O estudo, de caráter retrospectivo, foi realizado a partir de dados coletados de um hospital terciário localizado no norte de Israel. Os dados foram obtidos a partir de crianças que tiveram alta da emergência pediátrica ou da enfermaria pediátrica no período de janeiro de 2015 a junho de 2021, com diagnósticos tanto de doenças respiratórias (altas e baixas), quando de doenças não contagiosas, como apendicites, infecções do trato urinário e convulsões.  

Os dados coletados incluíram informações demográficas, dados clínicos, como a menor medida da saturação de O2, tratamentos prescritos durante a estadia hospitalar (com exceção dos medicamentos inalados, que estiveram com uso restrito durante a pandemia de Covid-19) e dados de desfecho (número de dias de internação, admissão na UTI pediátrica).  

Resultados do estudo  

No período avaliado, tiveram alta desse hospital um total de 9.580 crianças com diagnóstico de doença respiratória, 1.575 com apendicite, 2.198 com infecção do trato urinário, e 2.600 com crises convulsivas.  

Quando os autores analisaram os dados de 2015 a 2021, perceberam que as doenças não transmissíveis apresentaram uma incidência que permaneceu estável dentro de cada ano, enquanto as doenças respiratórias apresentavam um padrão sazonal com um pico no quarto trimestre dos anos de 2015 a 2019 (correspondendo ao outono-inverno nesse país). Em 2020, o pico de doença respiratória no quarto trimestre do ano não ocorreu, sendo substituído por um pico dessas doenças no segundo trimestre de 2021. Apesar disso, a incidência das doenças não contagiosas permaneceu estável no mesmo período.  

Os autores perceberam também que, diferentemente dos outros anos, houve menores taxas de doenças respiratórias previamente a abril no ano de 2021, com aumento significativo e crescente desses quadros a partir de março e durando até junho. 

Os autores também realizaram comparações entre os dados de 389 crianças com alta hospitalar no período do segundo trimestre de 2021 com um total de 1550 crianças atendidas no segundo trimestre dos anos de 2015 a 2019 e 1952 no quarto trimestre de 2015 a 2019. A comparação demonstrou que o período do segundo trimestre de 2021 foi caracterizado por mais casos de doenças respiratórias de vias aéreas superiores (incluindo crupe) do que de doenças das vias aéreas inferiores. Além disso, nesse período, houve menor número de hospitalizações e menos pacientes apresentando saturação de oxigênio <92%, maior uso de corticoides e menor uso de antibióticos, quando comparados aos anos anteriores.

Medidas de isolamento social com impacto no controle de infecções respiratórias 

Os resultados sugerem que houve efetivamente uma redução do número de doenças respiratórias em crianças causada pelo isolamento social e pela otimização das medidas de controle do vírus, como higiene das mãos e uso de máscaras. O fato de o número de atendimentos por doenças não contagiosas permanecer o mesmo durante a pandemia leva a crer que a redução das doenças respiratórias foi real, e não gerada por fenômenos como medo de hospitalizações ou limitações de transporte.  

É possível relacionar temporalmente o aumento nos casos de doenças respiratórias em crianças com o relaxamento das medidas de controle da pandemia, devido ao aumento do número de crianças com imunidade reduzida ou alterada às infecções comuns. Apesar disso, os autores observaram características específicas desse aumento comparados aos anos anteriores, tendo características menos graves de uma forma geral.

Os resultados são diversos de outros estudos que observaram os picos de doença em estações atípicas causadas pelo vírus sincicial respiratório, onde se observou uma gravidade maior das crianças acometidas comparadas a outros anos. Nesses casos, se hipotetizou que a menor exposição das crianças ao vírus durante o isolamento social levou a imunidade reduzida e apresentação clínica mais grave. 

Leia também: Casos de internações pediátricas com infecções respiratórias virais aumentam no Brasil

Alguns problemas desse estudo em particular são o caráter retrospectivo dele, o fato de os dados terem sido retirados apenas de um hospital e a não possibilidade de perceber quais foram os vírus específicos envolvidos nas doenças respiratórias, tanto em 2021 como nos anos anteriores. Apesar disso, o estudo é mais uma evidência sobre a importância das medidas de isolamento social e uso de máscaras, não só para prevenção da Covid-19, mas de outras doenças respiratórias. Além disso, é possível que os padrões epidemiológicos pós-pandemia sejam diferentes dos anos anteriores, e essa possibilidade deve ser investigada melhor.

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