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Assistência de enfermagem em acidentes ofídicos

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Os acidentes ofídicos têm importância na atenção básica em virtude de sua frequência e gravidade no Brasil. A padronização atualizada de condutas de diagnóstico e tratamento dos acidentados é imprescindível. Pois as equipes de saúde, com frequência considerável, não recebem informações desta natureza durante os cursos de graduação ou no decorrer da atividade profissional.

A faixa etária mais acometida pelo ofidismo é entre 15-29 anos, que corresponde ao grupo etário onde se concentra a força de trabalho. Além disso, a prevalência no sexo masculino é de 70%. Os membros inferiores os locais mais atingidos pelas picadas, seguido pelos membros superiores, com índices de 70% e 15%, respectivamente.

No que tange aos tipos de acidentes ofídicos, os mais comuns em território nacional são: Acidente Botrópico (70%), Acidente Crotálico (6%), Acidente Laquético (1%) e acidente por Micrurus (menos de 1%). O índice nacional de óbitos dos acidentes ofídicos é de, aproximadamente, 0,5%, onde o maior ocorre em acidentes crotálicos com quase 2% de índice de letalidade.

A identificação do animal causador do acidente é de grande importância. Isso possibilita a dispensa imediata da maioria dos usuários picados por serpentes não peçonhentas e viabiliza o reconhecimento das espécies de importância médica em âmbito regional. Além disso, é uma medida auxiliar na indicação mais precisa do soro a ser administrado.

A fosseta loreal é importante para uma rápida identificação das serpentes, que causam 99% dos acidentes no Brasil e em outros países da América Latina.  A fosseta loreal localiza-se entre o olho e a narina das serpentes, e é um órgão sensorial termorreceptor. Outra característica das serpentes peçonhentas é a presença de dentes inoculadores bem desenvolvidos e móveis situados na porção anterior do maxilar. Além disso, o tipo de cauda também pode ser crucial para identificação.   


In manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos, 2ª ed, 2001.

Os cuidados de Enfermagem relacionados aos acidentes ofídicos na Atenção Básica incluem:

  • Manter membro picado elevado e estendido;
  • Avaliar sinais vitais;
  • Estratégias de controle da dor;
  • Controle de infecção higienizando o local da picada;
  • Precauções contra sangramentos;
  • Notificar casos de acidentes ofídicos na ficha para notificação de acidente por animais peçonhentos (SINAN);
  • Investigar através do caso que chegar à unidade, se a família e vizinhos também estão em risco de acidentes ofídicos;
  • Investigar outros casos na região;
  • Promover atividades de educação em saúde para a população, principalmente se ocorre muitos casos de acidentes ofídicos na região;
  • Encaminhar casos de maior complexidade para unidades de referência.

Como medida de primeiros socorros, é importante lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão. E, também, manter o paciente deitado, hidratado e procurar o serviço médico mais próximo. Se possível, levar o animal para identificação.

Medidas como o torniquete, sucção do local picado, incisão e aplicação de substâncias não são recomendadas. Elas podem aumentar a concentração do veneno no local, além de poder causar contaminação do membro onde ocorreu o acidente, possibilitando um processo infeccioso.

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Referências:

  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília : Ministério da Saúde, 2017; 3(1).
  • Leis LV, Chebabo A. Diretrizes Diagnósticas de Acidentes com Animais Peçonhentos. Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.
  • Andrade A, et al. Animais de Laboratório: criação e experimentação[online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002:388.

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