Anestesiologia

Assistência manual intermitente da respiração versus pressão suporte durante o processo de extubação

Tempo de leitura: 2 min.

Não só a intubação orotraqueal mas o processo da extubação é um dos maiores desafios do anestesista. Carecendo muitas vezes de estudos sólidos de como e quando extubar, onde até os grandes tratados trazem pouca informação sobre o procedimento, os métodos para tal geralmente são adequados à realidade e rotina do serviço em que se atua e ao “feeling” do profissional.

Das complicações pós-operatórias, as pulmonares estão entre as mais comuns, mudanças nas variáveis respiratórias ocorrem imediatamente após a indução da anestesia geral, os volumes respiratórios são reduzidos e a atelectasia (em variados graus) acontecem em mais de 75% dos pacientes sob anestesia geral essas alterações são mais evidentes em pacientes operados em posição de trendelemburg acentuado, como nas modernas cirurgias robóticas de abdome inferior e pelve (prostatectomia, colectomia, histerectomia).

Leia também: Poder preditivo da tosse para falha de extubação

Análise recente

Pensando na redução da atelectasia pós-operatória, a última edição da Anesthesiology, a revista de maior impacto da especialidade, nos agraciou com um ensaio clínico randomizado controlado duplo cego do Samsung Medical Center em Seoul na Coreia do Sul, em que comparou dois grupos de pacientes submetidos a colectomia laparoscópica ou prostatectomia robótica: um grupo em assistência manual intermitente da respiração durante o processo de extubação e outro grupo acessorada com Pressão Suporte (PSV).

O desfecho primário analisado foi a presença de atelectasia na sala de recuperação anestésica (RPA) avaliada por ultrassonografia pulmonar e os desfechos secundários foram a Pressão Arterial de O2 (PaO2) na RPA e a saturação de oxigênio periférico via oximetria menor que 92% 48 horas após o procedimento.

Achados

A incidência de atelectasia no grupo assistido por PSV foi de 33% em comparação ao grupo controle com 57%, refletindo um fator de proteção considerável com risco relativo de 0.58 e um p valor de 0,024. A PaO2 no grupo tratado também foi maior (92 +- 26 mmHg) em relação ao grupo controle (83 +- 13 mmHg), com um p valor de 0,034. A saturação periférica menor que 92% 48 horas após o procedimento não teve significância estatística entre os grupos.

Saiba mais: Caso clínico: paciente, 52 anos, apresenta complicação após extubação

A extubação em auxílio do PSV, já é comprovadamente indicada e difundida nos principais guidelines de Ventilação Mecânica e no processo de extubação em pacientes em terapia intensiva sob prótese ventilatória. Na anestesia ainda usa-se pouco esse método, muitas vezes por falta de disponibilidade do modo PSV em aparelhos de anestesia mais ociosos. Atualmente, na maioria dos aparelhos mais modernos, já está incluso em seu portfólio o modo em questão, não tendo pretextos de porque não utiliza-lo, dado os benefícios positivos aos pacientes acima comprovados. O artigo em questão encontra-se com livre acesso no site da Anesthesiology.

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Referências bibliográficas:

  • Heejoon Jeong, Pisitpitayasaree Tanatporn, Hyun Joo Ahn, Mikyung Yang, Jie Ae Kim, Hyean Yeo, Woojin Kim; Pressure Support versusSpontaneous Ventilation during Anesthetic Emergence—Effect on Postoperative Atelectasis: A Randomized Controlled Trial. Anesthesiology 2021; 135:1004–1014. doi: 10.1097/ALN.0000000000003997
  • Miskovic A, Lumb AB. Postoperative pulmonary complications. Br J Anaesth. 2017 Mar 1;118(3):317-334. doi: 10.1093/bja/aex002.
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Publicado por
Diogo Antonio Rizzo

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