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Atividade física em coronariopatas: novas recomendações da ESC (parte 2)

Tempo de leitura: 2 minutos.

Seguindo o que foi abordado na primeira parte, vamos falar sobre outras fisiopatologias para doença isquêmica que não envolve aterosclerose ou, pelo menos, não de forma isolada. Aqui abordaremos as recomendações para os pacientes que sofreram dissecção coronariana espontânea e ponte miocárdica. Vale ressaltar que, por serem pouco prevalentes, as recomendações são baseadas em opiniões de especialistas.

1) Dissecção coronariana

Não sabemos ao certo a real incidência de dissecção em atletas seja durante o exercício, seja em repouso. Há quem diga que esta fisiopatologia seja subestimada como causa de morte súbita. Sabemos também que esta pode acontecer em sítios de aterosclerose coronariana, o que motiva o tratamento dos fatores de risco. A recomendação dos especialistas é:

  • Evitar esporte em caráter competitivo em pacientes que já tiveram dissecção devido ao possível risco de recorrência em pacientes suscetíveis;
  • Atividade física não-competitiva deve ser encorajada e deve ser analisada a intensidade recomendada caso a caso.

2) Ponte miocárdica

Esse subtipo de paciente pode apresentar angina ou até aos esforços devido a um trecho das coronárias epicárdicas que, por alteração anatômica, passem por uma “tunelização” no músculo cardíaco e sofram um estreitamento durante a sístole. É diagnosticada muitas vezes pelos sintomas durante esforço com alteração eventual no ECG de esforço, levando à realização de algum exame anatômico coronariano. O importante é saber se há isquemia induzida pelo esforço e se há outras cardiopatias associadas.

  • Se não houver isquemia, outras cardiopatias associadas e arritmias ventriculares (TVNS, extra-sístole frequente ou polimórfica), não há contraindicação ao esporte competitivo;
  • Naqueles que tiverem sintomas e/ou isquemia induzida pelo esforço, tratar com betabloqueadores e pode-se considerar reparo cirúrgico. Estes devem ter o esporte competitivo contraindicado. A atividade não-competitiva deve ser avaliada caso a caso (há outras cardiopatias concomitantes? sintomas com que carga de esforço?).

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Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referências:

  • Mats Borjesson et al; Recommendations for participation in leisure time or competitive sports in athletes-patients with coronary artery disease: a position statement from the Sports Cardiology Section of the European Association of Preventive Cardiology (EAPC); European Heart Journal || https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehy408

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