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Baixa aderência a estatinas após hospitalização por IAM: como mudar este quadro?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Um dos principais problemas no seguimento de pacientes que apresentaram um episódio de infarto agudo do miocárdio (IAM) é que uma proporção substancial desses pacientes que precisa fazer uso de estatinas em altas doses não continua a utilizar o medicamento com aderência após a alta hospitalar. De acordo com recente estudo publicado no JAMA, e apesar do elevado risco de novo evento coronariano, apenas 40% dos pacientes fazem uso de estatina de modo correto.

Estatinas em alta dose são recomendadas não só pelos seus efeitos de redução do colesterol, mas também pelos efeitos anti-inflamatórios ou efeitos estabilizadores da placa. Usar estatinas de baixa intensidade ou descontinuar a estatina porque estão se sentindo melhor coloca esses pacientes em maior risco de eventos cardiovasculares recorrentes e a necessidade de outro procedimento de revascularização.

O estudo avaliou uma coorte com 57.898 indivíduos hospitalizados por IAM, sendo 29.932 com idade menor que 76 anos e 27.956 com idade maior ou igual a 76 anos, entre os anos de 2007 e 2012, que nos trinta dias após alta estavam em uso de atorvastatina 40 a 80 mg ou rosuvastatina 20 a 40 mg.

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A aderência ao medicamento no período de seis meses e dois anos após a alta foi definida por uma proporção de pelo menos 80% de dias cobertos, a titulação negativa foi definida pela mudança para uma estatina de baixa/moderada intensidade com uma proporção de dias cobertos de pelo menos 80%, e baixa aderência foi definida por uma proporção de dias cobertos menor que 80% para qualquer intensidade de estatina sem descontinuação. A descontinuação foi definida pela não utilização de estatina nos últimos 60 dias de cada período de acompanhamento.

O estudo mostrou que aos 6 meses e 2 anos após alta os indivíduos de 66 a 75 anos, 17.633 (58,9%) e 10.308 (41,6%), estavam tomando estatinas em alta dose  com elevada adesão; 2605 (8,7%) e 3315 (13,4% , 5182 (17,3%) e 4727 (19,1%) tiveram baixa adesão; e 3705 (12,4%) e 4648 (18,8%) descontinuaram suas estatinas, respectivamente. Pacientes afro-americanos, hispânicos e novos usuários de estatinas foram os que menos aderiram ao uso de estatinas. Os pacientes que realizaram maior número de consultas aos cardiologistas, em programas de reabilitação cardíaca e que estavam cobertos por programas de distribuição de medicamentos após alta tiveram melhor aderência ao tratamento. Os pacientes com mais de 75 anos tiveram resultados semelhantes.

Estes resultados são consistentes com estudos prévios que mostram que um menor custo da medicação, consultas com cardiologistas e reabilitação cardíaca estão associados com maior uso de estatinas. A cobertura completa de medicamentos, incluindo estatinas, foi eficaz na redução do risco de eventos vasculares maiores ou revascularização após um IAM num ensaio clínico randomizado. Em outro estudo, a randomização para a reabilitação cardíaca versus os cuidados habituais aumentou a adesão à estatina aos três meses e baixou os níveis de colesterol aos seis meses após a internação hospitalar.

Mais do autor: ‘Fatores de risco cardiovasculares: impacto do consumo de ovos’

O estudo conclui que muitos pacientes que recebem prescrição de estatinas em altas doses após hospitalização por IAM não continuam tomando a medicação de modo adequado durante os dois anos após a alta. Baixo custo da medicação, consultas com cardiologistas e reabilitação cardíaca contribuem para melhorar a aderência ao tratamento.

Autor:

Referência:

  • Colantonio LD, Huang L, Monda KL, et al. Adherence to high-intensity statins following a myocardial infarction hospitalization among Medicare beneficiaries. JAMA Cardiol 2017. DOI:10.1001/jamacardio.2017.0911.

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