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Bullying: qual o papel do pediatra?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Atualmente o termo estrangeiro bullying é usado em diversos contextos e com significado amplo, porém esta palavra foi definida de forma simples em 2003 como todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotada por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima (LOPES NETO e SAAVEDRA).

Por se tratar de um tema complexo, outros autores podem divergir quanto às definições sobre o termo. Por este motivo, devemos analisar as características separadamente, evidenciando os pontos comuns:

1- intencionalidade sem motivação evidente
2- repetição
3- relação desigual de poder
4- natureza agressiva das atividades

Nos dias atuais podemos classificar o tipo de bullying em físico, verbal, escrito, moral, material e cyberbullying, e ainda podemos dividir sua forma em direta, na qual os alvos são atacados diretamente; forma indireta, na qual ações levam ao isolamento social de vítima; e mais atualmente o cyberbullying, que usa as mídias sociais como meio de propagar as ideias difamatórias e agressivas contra o alvo.

Em estudos recentes, demonstrou-se que no âmbito escolar é onde se encontra o maior número de casos de violência entre jovens, que podem variar de pequenos conflitos interpessoais até ações criminosas. Foi demonstrada também uma diferença importante entre o bullying praticado por meninas e meninos. Os meninos geralmente tendem a ser mais agressivos, enquanto as meninas tendem a praticar o bullying promovendo a exclusão social do alvo. Quanto aos fatores percussores citam-se a ansiedade, a depressão e a baixa autoestima, sendo esses tanto fatores percussores como consequências desta prática.

Para a ocorrência destes atos, temos 3 personagens principais e fundamentais: o agressor, o alvo e os espectadores. Os alvos geralmente demonstram-se como indivíduos que apresentam dificuldade de relacionamento interpessoal, baixa autoestima, ansiedade e depressão. Já os autores caracterizam os personagens com agressividade, delinquência e oposição a regras. Por fim, os espectadores são os que apresentam comportamento passivo e indiferente diante do ato de bullying.

Medidas preventivas podem ser a chave das estratégias de redução dos casos, principalmente no ambiente escolar. Algumas medidas como discutir o fenômeno com professores e funcionários da escola, inserir o tema permanentemente na grade curricular, preparar os alunos para identificarem os casos, sensibilizar toda a comunidade escolar para acolher e proteger os alvos, manter funcionários nas horas de recreação observando a presença de crianças isoladas, olhares assuntados ou quaisquer atitudes dominadoras sobre outros, promover atividades que estimulem a cultura do diferente, entre outras.

Após o ato do bullying já ter sido ter sido cometido, as medidas corretivas sempre devem ter como foco conscientizar os autores e não apenas serem medidas punitivas, como expulsões e suspensões. O papel dos pais junto a escola é fundamental nestas situações, mas cabe um trabalho contínuo de parceria desenvolvendo trabalhos e atividades que respeitem as características socioculturais da população em que convivem.

Diante deste grande problema da atualidade, o papel do pediatra ainda é por muitas vezes subdimensionado, porém cabe a esse profissional estar atento para suspeitar de casos de bullying, assim como estar preparado para lidar com suas repercussões. Também é do papel do pediatra enfatizar junto com a família sinais que podem sugerir casos como:

• ferimentos e hematomas recorrentes
• roupas rasgadas ao chegar em casa
• pânico na hora de ir à escola
• sono agitado
• alterações repentinas de humor
• desculpas para não ir à escola
• comportamento agressivo
• tendência ao isolamento

Ao suspeitar ou diagnosticar um caso de bullying, o pediatra deve sempre ter como base um bom diálogo com os pais e a escola, visando apoio familiar e psicopedagógico para o alvo, sempre lembrando que o agressor também deve ser acolhido, passando por um processo de conscientização.

Por fim cabe salientar que:

“Não há escola sem bullying e não há estratégias capazes de extinguir esse tipo de comportamento entre os estudantes. No entanto, conhecer o problema e saber orientar adolescentes e familiares sobre os riscos e as consequências torna-se mais um ato de promoção a saúde que não pode ser ignorado pelos pediatras”(LOPES NETO, 2007).

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Autora:

Referências:

  • SBP – http://www.sbp.com.br/
  • LOPES NETO AA. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2005;81(5):164-172.
  • LOPES NETO AA, SAAVEDRA LH. Diga não para o bullying – Programa de redução do comportamento agressivo entre estudantes. ABRAPIA, Rio de Janeiro, 2003.
  • LOPES NETO AA. Bullying. Adolescência e Saúde.2007;4(3):1.

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