Home / Colunistas / Câncer de mama: diretrizes de mamografia em pacientes idosas

Câncer de mama: diretrizes de mamografia em pacientes idosas

Sua avaliação é fundamental para que a gente continue melhorando o Portal Pebmed

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

Atualmente não existem diretrizes em como fazer o seguimento mamográfico de mulheres idosas que tiveram câncer de mama quando a expectativa de vida é limitada. O objetivo dos experts foi, justamente, estabelecer essas recomendações para mulheres com mais de 75 anos. 

Foi feita uma extensa revisão da literatura, debate entre os especialistas incluindo uma revisão crítica por parte da International Society for Geriatric Oncology. Estes guidelines foram publicados online no último dia 28 de Janeiro no JAMA Oncology.

A mamografia anual de rotina em mulheres com mais de 75 anos deveria ser interrompida, descontinuada em mulheres cuja expectativa de vida seria inferior a 5 anos, porém deveria prosseguir caso a expectativa fosse de 10 anos ou mais. Quando a expectativa está entre 5-10 anos a opinião dos pesquisadores é favorável a interromper. 

Câncer de Mama

Novas diretrizes avaliam faixa etária de idosas com câncer de mama

As diretrizes reforçam o conceito de que a decisão deve ser compartilhada com cada paciente avaliando risco vs benefício desta intervenção e as preferências individuais das pacientes. Os pesquisadores avaliaram que as condutas nesta faixa etária antes destas diretrizes são muito variadas, com cerca de 50% das mulheres com expectativa curta ainda fazem mamografias anuais.

Obviamente, pacientes que apresentem sinais e sintomas devem ser examinados e receber os exames diagnósticos pertinentes, e estas práticas devem continuar. 

Muitos oncologistas acham que 75 anos é muito cedo e que 80 anos seria “mais confortável” para interromper este seguimento sistemático, mas na prática as estimativas de tempo de vida é que deveriam dirigir estas recomendações. Isso não é fácil, pois nem sempre estamos preparados para fazer estas estimativas com precisão em virtude das múltiplas comorbidades. Fundamental estreitar nossa parceria com os geriatras, os médicos de família destes pacientes, pois essa abordagem multidisciplinar pode ajudar a fazer esta estimativa. Muitos oncologistas preferem focar no risco individual, e sendo o risco de segundo primário baixo como de fato é na maioria das vezes esta discussão com a paciente fica um pouco mais simplificada. Outro questionamento que podemos fazer nestas situações seria a pergunta: “se tiver uma alteração na mamografia, a senhora está disposta a tomar as providências necessárias? Biópsia e eventual cirurgia?” 

Pacientes portadoras de cânceres luminais (receptores hormonais positivos) têm baixo risco de recidiva e de segundo primário. Pacientes idosas com tumores triplo negativos ou HER2 positivos têm taxas de recidiva mais altas.

Há benefícios da mamografia anual em idosas com mais de 70 anos?

Na revisão feita pelos pesquisadores foi estimado que o risco em 10 anos variou de 1-15% para câncer de mama ipsilateral e 1-5% para a mama contralateral. Só para efeito de comparação, mulheres sem histórico pessoal de câncer de mama na mesma faixa etária seria de 2,2% em 5 anos. Um estudo prévio em mulheres entre 70-80 anos portadoras de câncer de mama indicou um risco anual de 1,1%. Um pouco mais alto que 0,7-0,9%/ano que é o esperado para a mesma faixa etária sem história familiar. 

Os benefícios do rastreamento mamográfico nesta população não foram demonstrados. E não é fácil fazê-lo, pois documentar diminuição de mortalidade pode demorar vários anos de seguimento e tumores de crescimento lento não vão afetar a expectativa de vida nesta faixa etária. 

Essas diretrizes podem ajudar os médicos e pacientes a tomarem decisões individualizadas sobre se e quando parar de fazer mamografia. Devemos levar em consideração aspectos do risco de recidiva do câncer, é verdade, mas também da saúde global da paciente e de suas preferências.  

Recomendações da mamografia no Brasil

O Ministério da Saúde recomenda mamografia anual entre 50-69 anos entre mulheres sem diagnóstico prévio de câncer de mama, e não existem diretrizes diferentes para pacientes com histórico, mas o próprio IBGE tem reiteradamente indicado que a expectativa de vida entre mulheres em geral é maior que a dos homens e já chegou a 80,1 anos em 2019. Ainda segundo o IBGE uma mulher brasileira que tem 75 anos, tem ainda cerca de 12 anos de expectativa de vida e uma de 80 anos ainda tem 10,5 anos de expectativa de vida. Isto posto, o rastreamento de mulheres sem diagnóstico prévio e portadoras de câncer de mama também não deveria ser interrompido aos 69 anos, deveria seguir esta mesma lógica sugerida nesta nova diretriz. 

Autor(a):

Referências bibliográficas: 

  1. Freedman R; Minami C; Winer E; Morrow M et al.  Individualizing Surveillance Mammography for Older Patients After Treatment for Early-Stage Breast Cancer Multidisciplinary Expert Panel and International Society
    of Geriatric Oncology Consensus Statement JAMA Oncol. doi:10.1001/jamaoncol.2020.7582 Published online January 28, 2021. 
  2. https: //www.ibge.gov.br/busca.html
×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.